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Duas formas de combater a acumulação de ácido láctico

A acumulação de ácido láctico provoca uma sensação de dor e fadiga muscular que nos obriga a baixar o ritmo ou mesmo a parar. Na verdade, o ácido láctico é um produto do nosso metablismo que não se gera apenas quando estamos a fazer desporto, mas também quando estamos em repouso, no interior das células.

Yago Alcalde

Duas formas de combater a acumulação de ácido láctico
Duas formas de combater a acumulação de ácido láctico

Gerir o ácido láctico no nosso corpo é vital quando falamos de exercício e de performance desportiva. A principal diferença entre sentirmo-nos com força ou ter as pernas doridas está na forma como gerimos esta substância que percorre o nosso corpo. Ou seja, a diferença é a concentração do ácido láctico no interior da célula muscular, já que quando a produção excede a nossa capacidade para a sua absorção existe uma acumulação, e é por isso que a fadiga vai aumentando. É precisamente nesse momento que se encontra o limiar anaeróbico de que tanto se fala, já que implica um ponto de mudança entre o ácido láctico que estamos a produzir e o que somos capazes de metabolizar. Dito de outra forma, é a intensidade máxima a que somos capazes de pedalar sem chegar a acumular ácido láctico. 

O ácido láctico é o resultado da combustão da glucose no músculo, e a sua produção aumenta com a intensidade do exercício. Desta forma, pode-se calibrar a intensidade de um esforço em função da acumulação de lactato (denominação do ácido láctico quando passa a corrente sanguínea) no sangue. A concentração de lactato mede-se com uma simples amostra de sangue e um analizador de lactato. Normalmente, extrai-se através de uma pequena picada no dedo ou na orelha. 

Como referência geral, o limiar anaeróbico costuma aparecer quando a concentração de lactato no sangue está à volta de 4 milimoles, embora possa haver diferenças entre cada indivíduo. Este limiar de lactato situa-se entre os 80 e os 92% da frequência cardíaca máxima. Em repouso, o normal é ter entre 0,5 e 1,5 mmol/l. Mas se começarmos a fazer exercício, a concentração de lactato aumenta em função da intensidade do mesmo: 60-70% fcm = 1,5 - 2,5 mmol/l; 70-85% fcm = 2,5-4 mmol/l; 85-95% fcm = 4-8 mmol/l; Intervalos 2-7 minutos = <14 mmol/l; Sprint 1 minuto = <20 mmol/l. Estes são, salientamos novamente, valores de referência e variam consoante vários fatores.

Com o treino, poderemos melhorar o nosso metabolismo de lactato de duas formas:

1. Aumentando a capacidade para eliminar ou assimilar o lactato

2. Aumentando a nossa capacidade para manter uma alta intensidade de pedalada com concentrações mais elevadas de lactato. 

Em relação ao limiar, seremos capazes de aumentar a potência no limiar, ou seja, ser capazes de movimentar mais watts com a mesma concentração de lactato. Como a concentração de lactato e a frequência cardíaca estão intimamente relacionadas, pode-se usar a FC como indicador da intensidade do exercício. Embora a partir do limiar de lactato essa relação desapareça. 

Para melhorar a capacidade de limpar o lactato e tolerá-lo melhor, o treino típico é à base de repetições entre 15 e 30 minutos a uma intensidade limiar. Além disso, ao fazer repetições mais curtas (2 a 6 minutos), a uma intensidade superior à do limiar também estaremos a estimular os sistemas que nos permitem absorver mais rapidamente elevadas concentrações de lactato. Quanto menos tempo de recuperação deixarmos entre repetições, mais lactato acumularemos, portanto, estaremos a estimular em maior medida a capacidade para o assimilar. 

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