Dicas e Truques

Lesões no ciclismo: quando devemos procurar um médico?

Se ao terminares um passeio de bicicleta ou um treino, sentires algo estranho no joelho, não ignores. Mesmo que não seja uma dor aguda, nem impeça de andar, pode ser uma lesão que requer acompanhamento médico. Esse desconforto que surge ao dobrar o joelho, subir escadas ou até mesmo no dia seguinte à volta de bicicleta pode desencadear algo mais grave. 

Ernesto Pérez

4 minutos

Lesões no ciclismo: quando devemos procurar um médico?

Há um momento que já aconteceu certamente a muitos ciclistas (e para alguns estará prestes a ocorrer). Geralmente acontece após terminarmos um passeio de bicicleta ou um treino e quando desmontamos sentimos algo estranho no joelho. Não é uma dor aguda, nem impede de andar. É mais um desconforto que surge ao dobrar o joelho, subir escadas ou até mesmo no dia seguinte, quando o corpo já deveria estar recuperado.

Andar de bicicleta é uma atividade suave para o corpo, sem impacto, mas o que não vem do impacto, vem da repetição.

O ciclismo tem a reputação de ser um desporto que não agride o corpo. Sem impacto, sem pancadas repetidas no solo. E isso é verdade... até deixar de o ser. Porque o que não acontece por impacto, acontece por repetição. Milhares de pedaladas na mesma posição, durante horas, com pequenas variações que, acumuladas, acabam por cobrar o seu preço.

A maioria dos ciclistas não pensa em consultar um médico quando sente o primeiro desconforto. Ajustam um pouco o selim, abrandam o ritmo durante alguns dias e procuram aconselhamento médico rápido. Outros, quando o problema persiste, começam a considerar opções para evitar filas de espera, como procurar um plano de saúde acessível que lhes permita consultar um especialista sem grande demora. Não se trata de alarmismo, mas sim da vontade de resolver algo que já não é um problema isolado.

LESÕES NO JOELHO

O joelho é, de longe, o ponto mais problemático. Funciona como uma dobradiça sob carga constante. Se tudo estiver alinhado corretamente, o sistema aguenta. Mas mesmo um pequeno desalinhamento é suficiente para causar problemas. Um selim alguns milímetros mais baixo ou uma cadência muito lenta podem alterar completamente a forma como o joelho lida com o esforço.

Não há um sinal claro que o obrigue a parar. É mais um desconforto que vai e vem. Um dia incomoda, no outro não. Por vezes, só aparece em subidas. Ou só depois de pedalar durante algum tempo. Esta intermitência faz com que seja fácil ignorá-lo.

Com o tempo, porém, o desconforto torna-se mais constante. Pode até surgir em repouso ou durante as atividades quotidianas. É aí que começam a surgir nomes mais específicos: tendinite rotuliana, síndrome da banda iliotibial. Diagnósticos que não surgem de um dia para o outro, mas sim após semanas ou meses de desconforto ou dor ignorados.

TENSÃO MUSCULAR E QUEDAS

A tensão muscular segue um padrão semelhante, embora com uma nuance diferente. Aqui, a sensação é mais difusa: pernas pesadas, rigidez, falta de resposta. Inicialmente, é interpretada como parte do treino. Mas quando esta sensação não desaparece após o repouso, deixa de ser uma simples consequência do esforço.

Continuar a acumular stress num corpo que ainda não recuperou totalmente acaba geralmente por prolongar o problema.

Há algo no ciclismo que nos impele a continuar mesmo quando o corpo não está totalmente recuperado. Talvez porque a dor não é suficiente para parar, ou porque o movimento é mecânico e permite que simplesmente continuemos a pedalar. Mas esta margem é enganadora. Continuar a sobrecarregar um corpo que não recuperou completamente acaba, muitas vezes, por prolongar o problema.

E depois há as quedas. Não há progressão gradual nem avisos subtis. Acontece em segundos. Uma perda de equilíbrio, uma falha de concentração ou uma curva mal calculada são a causa de muitas quedas.

QUANDO DEVEMOS CONSULTAR UM MÉDICO

O problema é que nem todas as lesões são percetíveis de imediato. Uma pancada no joelho pode parecer leve ao início e começar a doer horas depois. O mesmo acontece com algumas lesões ligamentares ou pequenas fraturas. O corpo reage melhor quando está quente. Mas isso não significa que não haja danos.

Então, quando devemos parar e procurar um médico? Não existe uma resposta única, mas existem alguns sinais que não devemos ignorar.

Se a dor não melhorar após vários dias de repouso adequado, algo está errado. Se aparecer inchaço visível no joelho ou se sentirmos que este cede ao colocar peso sobre o mesmo, é necessário consultar um médico. Se a dor te obrigar a alterar a tua técnica de pedalada, mesmo que ligeiramente, isso também é importante.

Existem outros sinais, mais subtis: desconforto que piora a cada pedalada, perda de força numa das pernas, dificuldade em completar treinos que antes eram controláveis…

Para os ciclistas que treinam regularmente, estas decisões têm um peso maior. Pedalar algumas vezes por mês não é o mesmo que acumular várias sessões por semana. Quanto maior for a carga de trabalho, menor será a margem para ignorar estes sinais de alerta. O que pode resolver-se em poucos dias pode transformar-se numa lesão que dura semanas ou meses.

A relação individual com a dor também desempenha um papel importante. Algumas pessoas param ao mínimo desconforto, enquanto outras precisam de um limite muito mais claro. Nenhum dos extremos é o ideal. A abordagem sensata é observar a evolução da situação: se houver melhoria, provavelmente não é grave; se se mantiver igual ou se agravar, é aconselhável tomar medidas.

Em resumo, a técnica e o ajuste da bicicleta desempenham um papel significativo em tudo isto. Por vezes, procuram-se soluções complexas quando o problema reside em algo tão específico como a altura do selim ou a posição dos pés. Uma análise biomecânica pode parecer excessiva... até que evite meses de desconforto. Em última análise, é importante prestar atenção a todos os sinais e consultar um médico se a dor persistir.

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