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A nova X Series 2027 mantém uma boa parte da personalidade da Pinarello, mas aposta numa posição mais descontraída, maior conforto e um comportamento pensado para passar muitas horas no selim.
As bicicletas de estrada mudaram muito nos últimos anos e nem tudo gira à volta da velocidade máxima ou de uma posição de condução o mais agressiva possível. Para muitos ciclistas, conseguir enfrentar longas jornadas com confiança e sem sofrer as consequências do terreno tornou-se algo fundamental. A Pinarello trabalha neste sentido há anos, e a nova X Series 2027 representa mais um passo na sua linha de estrada.
É uma gama que partilha a filosofia da DOGMA X, mas com uma proposta diferente. Enquanto a DOGMA X procura elevar o conceito Endurance a um nível de desempenho muito próximo do de uma bicicleta de competição, a X Series aposta ainda mais no conforto, na estabilidade e na facilidade de utilização.

A apresentação decorreu em Itália, nos arredores de Treviso, e não foi um teste qualquer. Tivemos a oportunidade de experimentar a nova X Series na estrada, durante uma apresentação internacional para a qual foram convidados a testá-la muito poucos órgãos de imprensa.

A nova X Series chega após três anos de desenvolvimento e mantém o mesmo objetivo que tem norteado a gama desde a sua criação: tornar a experiência de passar muitas horas em cima da bicicleta mais confortável e agradável. E, depois de percorrermos cerca de 73 km pelas estradas da região de Treviso — incluindo aproximadamente seis quilómetros em estradas de terra batida —, a sensação que nos transmitiu é a de que esse objetivo foi plenamente alcançado.
UMA PINARELLO DIFERENTE
À primeira vista, é fácil perceber a semelhança com a DOGMA X. A silhueta, as formas do quadro e alguns dos seus elementos mais característicos seguem claramente as linhas das bicicletas de estrada da Pinarello.
Mesmo vista de trás, mantém aquele aspeto estreito e estilizado que tanto chama a atenção nos modelos de gama alta da marca.

No entanto, ao observar com um pouco mais de atenção, as diferenças aparecem. A X Series tem uma proposta mais descontraída, o que se nota especialmente na posição sobre a bicicleta. É mais comprida e mais alta que a DOGMA X, com um reach mais curto e um stack maior, posicionando o ciclista de forma mais direita e fácil de manter durante muitas horas.

Pode parecer uma modificação simples, mas, na bicicleta, tem uma grande importância. Há menos sobrecarga nas mãos, nos pulsos e nos ombros, e a posição torna-se muito mais natural logo nos primeiros quilómetros. Não temos de nos adaptar a ela nem de estar constantemente à procura de uma postura para descansar. Basta sentar e começar a pedalar.

E é precisamente esse um dos pontos que diferenciam esta X Series. Não foi apenas concebida para o ciclista experiente que procura extrair cada watt, mas também para quem pretende uma bicicleta de estrada de alto nível que seja fácil de conduzir e que transmita confiança desde o primeiro momento.
Isto não significa que a Pinarello tenha abdicado do comportamento desportivo. A geometria mantém uma direção precisa e estável, especialmente nas descidas ou quando o piso começa a ficar mais difícil. A diferença é que tudo acontece de forma um pouco mais gradual do que na DOGMA X.
Não proporciona a mesma sensação de estar numa bicicleta preparada para atacar cada subida, mas também não sentimos falta de velocidade quando decidimos aumentar o ritmo.

X-STAYS 2.0 E ESPIGÃO ADAPTATIVO
Um dos elementos de maior destaque nesta nova geração são as escoras X-Stays 2.0. A Pinarello adota a solução já vista na DOGMA X e adapta-a às necessidades de uma bicicleta ainda mais orientada para as longas distâncias.
O sistema mantém a configuração característica de braço duplo e quatro pontos de apoio, mas agora os pontos de união e a geometria do triângulo traseiro foram revistos. O ponto de fixação inferior está posicionado mais abaixo, permitindo dissipar melhor as vibrações geradas pelo terreno antes de estas chegarem ao ciclista.

Quando o asfalto apresenta irregularidades, não basta que a bicicleta absorva o primeiro impacto; é importante também manter o controlo após superá-lo. Nas X Series, as escoras atuam precisamente nesse sentido, procurando uma resposta mais suave e controlada em superfícies irregulares.
É aqui que surge outra novidade importante da X Series: o espigão Adaptive. A Pinarello desenvolveu um novo espigão específico para a X Series, capaz de fletir até 10 mm no sentido longitudinal. Esta flexão ocorre na parte superior, junto ao selim, e foi concebida para trabalhar em conjunto com os X-Stays.
O resultado é que as pequenas vibrações e os impactos mais secos chegam muito mais filtrados.

A importância desta solução é evidente, sobretudo, após várias horas a pedalar. Manter uma posição estável no selim quando o terreno deixa de ser perfeito permite continuar a aplicar força aos pedais sem necessidade de mudar constantemente de posição.
É uma forma bastante interessante de compreender o conceito Endurance. Não se trata apenas de criar uma bicicleta macia, mas sim de fazer com que o quadro e o espigão trabalhem em conjunto para reduzir o cansaço, sem comprometer a sensação de controlo.

O conforto não é a única prioridade da nova X Series. A Pinarello pensou também num aspeto cada vez mais importante quando se trata de bicicletas para longas distâncias: a praticidade. No tubo inferior, existe um compartimento de arrumação integrado que permite levar, diretamente no quadro, parte dos itens necessários para um treino longo.
Inclui uma bolsa específica que é colocada no interior e que conta com compartimentos para levar o essencial para reparar um furo.

Não é um pormenor que chame a atenção de imediato quando se olha para a bicicleta, mas é um daqueles elementos que se começa a valorizar assim que se pensa na forma de a utilizar. Para uma bicicleta concebida para passar muitas horas na estrada, poder levar ferramentas e peças de substituição sem encher os bolsos da camisola de ciclismo é uma grande vantagem.
O espaço para os pneus também foi alargado, chegando aos 40 mm. Com isto, a Pinarello alarga ainda mais as possibilidades de utilização da X Series. Pneus mais largos permitem trabalhar com pressões mais baixas, ganhar aderência e melhorar a capacidade de absorção de impactos quando o terreno se torna mais difícil.
E isso foi precisamente algo que pudemos comprovar durante o teste, tanto no asfalto como fora dele.
TESTE EM TERRENO VARIADO
A apresentação da X Series não se limitou a algumas voltas num pequeno circuito. O percurso preparado pela Pinarello levou-nos a percorrer cerca de 73 km pelas estradas nos arredores de Treviso, incluindo aproximadamente seis quilómetros de estrada de terra batida. Nos primeiros quilómetros, a sensação foi a esperada. A posição é claramente mais confortável do que na DOGMA X e transmite muita confiança. O guiador está numa posição mais elevada, e o conjunto convida a pedalar sem necessidade de estar constantemente preocupado com o posicionamento do corpo.

A primeira parte do percurso serviu também para descobrir como ela responde quando se aumenta o ritmo. E aqui surge uma das primeiras surpresas. A X Series não é uma bicicleta especialmente explosiva, mas também não tem essa pretensão. Quando aumentamos o andamento, responde de forma progressiva e mantém uma boa velocidade de cruzeiro. Nas pequenas subidas, não transmite a mesma resposta imediata da DOGMA X, mas, uma vez embalada, roda com facilidade e permite manter um ritmo elevado sem transmitir a sensação de estarmos a pedalar numa bicicleta pesada.
Além disso, nos modelos X9, X7, X5 e X3, a Pinarello introduziu um novo tubo de direção de secção elíptica que permite ocultar completamente a cablagem dianteira.
O novo sistema de direção utiliza rolamentos de diferentes tamanhos, mais largos na parte inferior e mais estreitos na parte superior, visando aumentar a rigidez torsional e melhorar a precisão da dianteira.

COMPORTAMENTO FORA DE ESTRADA
Mas, provavelmente, o momento mais interessante do teste aconteceu quando deixámos o asfalto. Os seis quilómetros de estrada de terra batida incluídos no percurso estavam ali precisamente para verificar até que ponto uma bicicleta de estrada do tipo Endurance consegue sair do seu habitat natural. E, embora a X Series não pretenda tornar-se uma Gravel, a verdade é que se comporta surpreendentemente bem.

Com pneus adequados e espaço para pneus até 40 mm, a bicicleta supera este tipo de superfície com grande naturalidade. A posição mais descontraída ajuda e, sobretudo, a combinação das escoras com o espigão Adaptive faz com que o terreno irregular não seja tão desconfortável como se poderia esperar.
O mais interessante é que a bicicleta não muda de personalidade quando sai do asfalto. Continua a ser estável, previsível e fácil de controlar.
VERSÕES DISPONÍVEIS
A nova X Series é composta por cinco modelos: X9, X7, X5, X3 e X1. A gama utiliza diferentes laminações de carbono para ajustar o comportamento. Os dois modelos de topo, X9 e X7, utilizam carbono Torayca T900, procurando o equilíbrio entre baixo peso, capacidade de resposta e absorção de vibrações. Abaixo deles, os modelos X5 e X3 utilizam o T700, uma fibra que mantém um comportamento reativo, mas oferece uma maior capacidade de amortecimento.

O modelo de entrada, denominado X1, utiliza uma estrutura T600 com acabamento unidirecional e uma proposta ainda mais orientada para o conforto. Também difere noutros aspetos: mantém o design do quadro da geração anterior e é compatível com as transmissões mecânicas tradicionais, enquanto os restantes modelos incorporam a nova caixa de direção elíptica e o encaminhamento interno completo dos cabos dianteiros.
X9: A TOPO DE GAMA
No nosso caso, a bicicleta que tivemos oportunidade de testar foi a X9, equipada com Shimano Dura-Ace Di2 e rodas MOST Ultrafast de 45 mm, acompanhadas por pneus MOST de 38 mm.
Sem pedais, mas com os dois suportes de bidão e o suporte para ciclocomputador da MOST, a X9 marcou 7,68 kg. Um peso que demonstra que, embora o principal objetivo desta gama seja o conforto e as longas distâncias, a versão topo de gama está longe de ser uma bicicleta pesada.

É provavelmente a versão que melhor representa o equilíbrio procurado pela Pinarello. Oferece resposta suficiente para que as saídas rápidas continuem a fazer sentido, mas o seu comportamento geral está claramente orientado para manter o conforto e o controlo ao longo de muitas horas.
Depois de ter experimentado a DOGMA X no dia anterior, a comparação era inevitável. E a diferença é rapidamente percebida. A DOGMA X tem um carácter mais agressivo, responde mais rapidamente ao acelerar e transmite uma sensação mais desportiva. A X9 é mais tranquila, mas também mais fácil de conduzir.
A nova gama é composta por cinco modelos, com diferenças muito claras entre eles. A X9 é a versão mais exclusiva, equipada com Shimano Dura-Ace Di2 de 12 velocidades e rodas MOST Ultrafast 45 DB. Apresenta um peso declarado de 7,7 kg e custa 11.000 €.
A X7 situa-se um degrau abaixo, oferecendo uma transmissão Shimano Ultegra Di2 2x12 e as mesmas rodas MOST Ultrafast 45 DB. O seu peso declarado é de 8,1 kg e o preço é de 7.900 €.
A X5 vem equipada com uma transmissão Shimano 105 Di2 2x12 e rodas MOST Fast 45 DB. Com um peso de 8,75 kg, custa 5.100 €.
A X3 mantém o Shimano 105 Di2 2x12, mas substitui as rodas por modelos DT Swiss A1800 DB. O seu peso declarado é de 8,85 kg e o preço é de 4.500 €.
Por fim, temos a X1, equipada com Shimano 105 mecânico 2x12 e rodas MOST Fast 27 DB. É a opção mais acessível da família, com um peso de 9,05 kg e um preço de 3.200 €.
Os acabamentos também ajudam a diferenciar cada versão. A X9 está disponível em Shadow Violet; a X7 em Atlas Glow e Titan Pulse; a X5 em Iron Blue e Amber Trace; a X3 em Interstellar Alloy e Element Black; e a X1 em Racing Red e Racing Black.
VEREDICTO FINAL
Depois de percorrer as estradas de Treviso, podemos dizer que é uma bicicleta que não procura ser a mais rápida da gama. Para isso, já existem a DOGMA F e, num ponto intermédio, a própria DOGMA X. A X Series 2027 quer tornar o ato de pedalar algo simples. Quer que possamos passar quatro, cinco ou mais horas no selim sem estar o tempo todo a pensar na posição. Que uma estrada em mau estado não nos obrigue a tirar o pé do pedal. Que possamos entrar numa estrada de terra batida, se o percurso o exigir, e voltar ao asfalto sem que a bicicleta mude completamente de comportamento.
E tudo isto sem perder aquela personalidade que faz com que uma Pinarello continue a ser reconhecível.









