Auxiliares ergogénicos. Será que ajudam mesmo a treinar melhor?

Por alguma infelicidade, existe a crença generalizada de que para melhorar o rendimento, para nos cansarmos menos e recuperarmos melhor convém consumir uma série de suplementos nutricionais. Isto deve-se, fundamentalmente, a boas campanhas de marketing das marcas que fabricam estes suplementos. E, também, ao desconhecimento do consumidor.
Yago Alcalde.www.ciclismoyrendimiento.com -
Auxiliares ergogénicos. Será que ajudam mesmo a treinar melhor?
Auxiliares ergogénicos. Será que ajudam mesmo a treinar melhor?

O que são os auxiliares ergogénicos?

Segundo a Wikipédia: os suplementos ergogénicos são auxiliares que podem atuar na produção de energia metabólica, controlando o seu uso e fazendo com que seja mais eficiente, para deste modo melhorar o rendimento do desportista. É muito importante termos atenção ao significado de uma palavra: “podem”.

Como é que se sabe se funcionam?

Esta é a pergunta de um milhão de euros! A resposta reside em duas dificuldades. A primeira é que para se saber se algum suplemento é útil convém existirem vários estudos científicos bem elaborados e sem interesses paralelos que o demonstrem, o que não é propriamente fácil. A segunda dificuldade é saber selecionar a fonte de informação para adquirir estes conhecimentos, já que na era da internet é possível ler quase tudo sem nenhum filtro.

Quais são as boas fontes de informação?

Em regra, os estudos que são publicados em revistas de investigação de prestígio são as fontes mais relevantes. Como o acesso a estas revistas não é fácil e apenas estão disponíveis em inglês, devemos procurar outras fontes de informação mais acessíveis, como por exemplo, esta revista (a BIKE). Antes de pensarmos sequer em tomar algo devemos duvidar da sua eficácia já que, como veremos adiante, existem na verdade poucos suplementos não farmacológicos que ajudam.

Que auxiliares ergogénicos funcionam?

Neste caso, iremos basear-nos nas recomendações do Instituto Australiano do Desporto, instituição com bastante prestígio internacional. Este instituto classificou os auxiliares em quatro grupos em função da evidência científica que existe.

>Grupo A. Alta eficácia em situações específicas e seguindo os protocolos adequados. Produtos: bebidas energéticas, géis e barras ricas em hidratos de carbono, proteínas, cafeína, sumo de beterraba, beta-alanina, bicarbonato e vitamina D.

>Grupo B. Evidência parcial que precisa de mais estudos para passar ao grupo A: glutamina, HMB, omega 3 e glucosamina.

>Grupo C. Pouca ou nenhuma evidência, mas não são ilegais. Aqui entram todas as substâncias que não estão nem no grupo A nem no B.

>Grupo D. Substâncias proibidas.

 

Que substâncias são mais aconselháveis para um betetista?

A substância com a qual se podem obter mais benefícios é o carboidrato, sobretudo antes e durante as nossas saídas de bicicleta. Os hidratos de carbono (também chamados carboidratos) são a gasolina muscular, portanto o nosso cansaço está bastante relacionado com a sua presença na nossa dieta. Além disso, e em casos de treino em carga, uma suplementação com proteínas pode permitir uma melhor recuperação. A cafeína também é uma boa ajuda e está demonstrado que ajuda a melhorar o rendimento. Fora isso, o nosso conselho é que procures melhorar a tua alimentação.

Posso tomar suplementos se tiver uma dieta normal?

Sem dúvida! É um erro pensarmos que algo que está formulado ou dentro de uma embalagem de plástico é melhor do que algo que não está. Na sua essência, tudo é parecido. As proteínas que encontramos nos ovos, na carne, no peixe ou no leite não são piores do que as que são vendidas em embalagens de plástico. Talvez faça falta venderem os filetes de pescada com uma etiqueta bem grande a dizer que “contém todos os aminoácidos essenciais” para as pessoas perceberem. Nos suplementos aparece sempre escrito algo como “Melhora a recuperação muscular”, mas o efeito é o mesmo da dieta.

Podemos dizer o mesmo, por exemplo com a fruta. Se puséssemos numa banana uma etiqueta gigante a dizer que adia o aparecimento da fadiga, diminui o aparecimento de cãibras e é um excelente adjuvante dos depósitos de glicogénio, então aí esgotavam rapidamente nas prateleiras.