Estivemos em Benicássim (Espanha) a testar a nova versão da Merida Reacto, um dos lançamentos mais aguardados nesta temporada.
Lembramos que este modelo entrou agora na quinta geração e as primeiras versões foram pioneiras em termos de aerodinâmica, ou seja, pretendiam - e continuam a pretender - oferecer a menor resistência ao ar.

Além de ser uma referência no seu segmento, a Reacto ganhou relevância no WorldTour, sobretudo devido a vitórias em provas de grande nível como a Paris-Roubaix, Milão-San Remo, bem como etapas em grandes voltas. Tudo isto, claro, através do patrocínio de equipas ao longo dos anos - Lampre-Merida, Bahrain Merida e Bahrain Victorious -.

Esta foi a primeira geração da Merida Reacto, lançada no mercado em 2011.
Passaram 15 anos desde que a primeira Reacto foi lançada no mercado e esta nova geração está repleta de detalhes tecnológicos. A marca é uma das referências em termos de produção de quadros em carbono, mas também é das que possui um melhor "know-how" em termos de aerodinâmica. O objetivo é óbvio: com a mesma potência do ciclista, a Reacto deve permitir andar mais rápido do que uma bicicleta com quadro não aero.

Esta nova versão chega ao mercado num momento muito interessante, dado que algumas marcas estão a alterar as suas configurações. Por um lado, há marcas que passaram a ter somente uma bicicleta de alta performance que reune todas as características em termos de baixo peso e aderodinâmica.
Essas bicicletas têm um comportamento muito versátil, contudo, não é o mesmo das bicicletas puramente aerodinâmicas nem sequer são tão leves como as puras trepadoras. A Merida afasta-se desta concepção - ou seja, não aposta na produção de uma bicicleta com as características de uma trepadora e de uma aerodinâmica -, preferindo manter no seu catálogo bicicletas superleves - como a Scultura - e bicicletas super rápidas - como esta Reacto - garantindo versões específicas cada cada perfil de utilizador.

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
Falámos com os engenheiros da marca e confessaram-nos que o processo de desenvolvimento desta nova Reacto durou quatro anos. O resultado é um modelo esteticamente apelativo, funcionalmente eficaz, tecnologicamente e aerodinamicamente muito evoluído, o que se repercute numa performance melhorada.

Um dos formatos prioritários nesta Reacto é a sua forma em V, que permite otimizar o fluxo de ar. Isso está bem patente na parte frontal do quadro, no cockpit e na união das escoras com o tubo vertical. Obviamente, todos os tubos foram reajustados tendo em conta o estudo computacional de fluidos, o qual permite observar de que forma o vento se comporta ao redor do quadro, forqueta e componentes.

Através deste estudo, os engenheiros conseguiram suavizar a passagem do ar, reduzindo ao máximo as turbulências ou vórtices, o que diminui a resistência ao ar, mas também permite um comportamento estável da bicicleta quando o vento impacta diretamente.

Quanto ao guiador - um dos componentes mais críticos na aerodinâmica geral de uma bicicleta -, a Merida aproveitou ao máximo os limites impostos pela UCI. A marca tem duas opções de guiador: o Team CW 1P com um formato mais agressivo e otimizado que só está montado de origem nos modelos topo de gama, e a versão Team SL 1P nas gamas inferiores (embora alguns modelos venham de fábrica com o clássico cockpit Vision Metron).
O novo cockpit Merida Team CW 1P tem uma integração melhorada se compararmos com a versão anterior da Reacto, como demonstraram os testes realizados no túnel de vento (poupança de 5W a uma média de 45 km/h).

Durante os testes realizados no túnel de vento, também ficou demonstrado que o perfil de rodas que melhor equilíbrio oferece (em termos de aerodinâmica e peso neste quadro específico) situam-se entre os 60 e os 80 mm, e que o uso de bidons aerodinâmicos específicos permitem uma poupança de 3,4W a uma média de 45 km/h.
Mas há mais detalhes relevantes a ter em conta, como o novo espigão de selim com perfil achatado, o qual visa oferecer um melhor CdA (coeficiente de permeabilidade ao ar). É muito estreito, tanto que, se for necessário montar baterias Di2 neste quadro, estas são agora instaladas perto do eixo pedaleiro.
Este novo espigão de selim é 100 gramas mais leve do que o da Reacto anterior, e, para melhorar ainda mais a aerodinâmica, a Merida equipa-o de série com um offset de zero, o que comprovadamente oferece uma menor resistência ao ar. Este espigão de selim tem um recorte na parte traseira e superior, junto à abraçadeira, para proporcionar amortecimento das vibrações nesta zona estratégica e aumentar o conforto, apesar da rigidez geral.

A folga para os pneus foi aumentada de 30 mm para um máximo de 32 mm. Isto não só melhora a aderência e o conforto ao conduzir, como também resulta numa melhor aerodinâmica geral para a bicicleta. No entanto, a nova Reacto vem de série com pneus de largura que variam entre os 28 mm e os 29 mm, dependendo da versão.
O quadro da nova Reacto não é compatível com um suporte UDH, o que significa que os ciclistas que pretendam uma configuração monoprato não poderão utilizar cassetes muito grandes e terão de utilizar cassetes específicas para a estrada. No entanto, a Merida tem no seu catálogo um modelo da Reacto equipado com uma transmissão 1x e um cubo traseiro Classified, que, combinado com a transmissão Shimano Dura-Ace, proporciona uma interessante combinação.

UMA GAMA COM OPÇÕES PARA TODOS
A Merida desenvolveu uma extensa gama com 11 versões ou níveis de montagem, embora apenas 8 cheguem ao nosso país. Em qualquer caso, representa uma ampla gama que torna a Reacto uma bicicleta para um vasto leque de utilizadores, praticamente sem limitações de orçamento, uma vez que os modelos variam desde o preço recomendado de 2.199 euros para a versão mais básica, a Reacto 4000, até ao modelo topo de gama, que em Portugal é a Reacto Team com um preço recomendado de 8.759 euros.








COMPORTAMENTO GERAL
Na estrada, a nova Reacto exemplifica o rumo que as bicicletas de alta performance estão a tomar. Estas bicicletas estão a passar de um paradigma focado no peso para um que demonstra que um equilíbrio específico entre leveza, rigidez e, acima de tudo, aerodinâmica, é muito mais eficaz para atingir a velocidade máxima.
Durante o teste, descobrimos que o seu desempenho a alta velocidade é simplesmente fantástico. A Reacto responde instantaneamente às pedaladas, acelera com uma agilidade notável e, uma vez atingida uma determinada velocidade de cruzeiro, é bastante fácil mantê-la, desde que se tenha um nível razoável de aptidão física.

A geometria bem concebida da bicicleta, idêntica à do modelo anterior, apenas ligeiramente mais longa, torna-a muito estável. Isto é especialmente verdade a altas velocidades, proporcionando uma confiança notável nas curvas e quando se conduz a velocidades acima dos 40 km/h.
Mesmo o comportamento em curva é requintado a alta velocidade, apesar das reservas iniciais que tínhamos sobre a decisão da Merida de optar por um guiador integrado ostensivamente estreito neste modelo, que é inegavelmente mais aerodinâmico, mas, em teoria, reduz a capacidade de controlar a bicicleta.

A sua estabilidade a alta velocidade reside no facto de, para além da sua geometria bem escolhida, o ar praticamente não criar turbulência em torno do quadro e de outros componentes. Simplificando, a bicicleta dá a sensação de cortar o ar quase silenciosamente, o que sem dúvida contribui para a confiança que inspira a 40, 50 km/h ou mais, velocidades em que a Reacto não apresenta comportamentos inesperados e vai exatamente para onde queremos.
GEOMETRIA DA NOVA REACTO

Confessamos que, ao testar a Reacto numa estrada irregular e a baixa velocidade, a bicicleta perde aquele toque mágico que apresenta a alta velocidade. Torna-se um pouco mais instável e imprecisa, o que, por outro lado, é perfeitamente lógico. A rigidez da sua estrutura, o comportamento do quadro, o perfil generoso das rodas e até o guiador são concebidos para manter tudo sob controlo quando a bicicleta rola a grande velocidade. Por esta razão, não recomendamos uma bicicleta aerodinâmica como esta se as tuas voltas de bicicleta envolvem normalmente velocidades médias baixas — para dar uma referência geral, abaixo dos 26 ou 27 km/h.

De salientar que a Reacto é uma bicicleta aerodinâmica, mas incrivelmente leve, uma característica pouco comum em modelos deste tipo no passado. Por exemplo, as suas versões topo de gama pesam 7,1 kg no tamanho M, um excelente valor tendo em conta a estrutura do quadro e os componentes. A combinação da sua rigidez excepcional com uma leveza tipicamente associada às bicicletas trepadoras torna a Reacto mais versátil dinamicamente do que muitos poderiam esperar de uma bicicleta "aerodinâmica".
Talvez seja por isso que vemos cada vez mais ciclistas do World Tour a optar por bicicletas desta categoria, mesmo para etapas de montanha. Durante o nosso teste, subimos várias montanhas no interior de Castellón, e a Reacto, graças à sua leveza e rigidez, apresentou um desempenho que, se não igual, foi bastante semelhante ao de muitas bicicletas trepadoras disponíveis no mercado.

Esta é a quinta geração da Merida Reacto, uma bicicleta que rompe com o paradigma clássico das bicicletas aerodinâmicas, com um desempenho excecional não só em terrenos planos, mas também muito versátil e rápida em praticamente qualquer terreno.
VÊ AQUI O VÍDEO DOS NOSSOS COLEGAS DA REVISTA ESPANHOLA CICLISMO A FONDO











