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TESTE Specialized Stumpjumper Pro

Poucas bicicletas têm 40 anos de existência. Este modelo nasceu nos anos 80 e revolucionou um desporto que começava a dar os seus primeiros passos. Atualmente, a Stumpjumper continua a reinventar-se para continuar a ser a representante máxima da essência do BTT, oferecendo versatilidade e diversão.

Hector Ruiz / Fotos: César Cabrera

TESTE Specialized Stumpjumper Pro
TESTE Specialized Stumpjumper Pro

Talvez até mais cedo do que o esperado, a Specialized renovou uma das suas bicicletas mais emblemáticas: a Stumpjumper, o seu modelo mais polivalente. Apenas há pouco mais de três anos assistimos à apresentação internacional em Ainsa, onde esta bicicleta foi completamente reinventada, com um quadro muito mais leve e onde a escora assimétrica em torno do amortecedor foi particularmente notável.

Com a nova geração de 2021 não há grandes mudanças em geral - exceto uma, já lá vamos... - mas vários pontos foram modificados. A principal mudança é que agora dispensa a articulação Horst Link entre as escoras superiores e inferiores, até agora um sinal de identidade desta bicicleta e de muitos outros modelos Specialized. Em vez disso, utiliza um sistema Flex Pivot com a consequente flexão do carbono a fazer de “ponto de rotação”. Este sistema é mais leve e eficiente quando se pedala - sabemos que o Horst Link é muito sensível - mas não é o pivô mais eficiente do mercado.

teste stumpjumper Pro 2
 

Até agora, a gama estava dividida entre a Stumpjumper convencional e Stumpjumper ST (Short Travel, com menos curso), incluindo também alguns modelos EVO mais "endureiros", com versões em 27,5 e 29". Em 2021 isto foi modificado, simplificando bastante a gama. As ST desaparecem e agora a gama divide-se em Stumpjumper, com 130 mm de curso atrás e 140 mm à frente, e as EVO, com mais 20 mm de curso em cada eixo e montagens semelhantes ao que encontramos nas bicicletas da gama Enduro. E agora só há rodas 29" em todos os modelos e tamanhos. Já não encontrámos 27,5" e 29" a conviver no mesmo modelo, e não só em XC, mas também em Trail e Enduro, algo que longe de ser uma vantagem, por oferecer mais opções, quase sempre resultou no caos para muitos utilizadores, que ficavam confusos entre tanta variedade. As 29" ganharam definitivamente esta guerra.

O modelo testado, o Stumpjumper Pro, tem o quadro quase semelhante ao da S-Works. Tal como este, é feito de carbono FACT 11m, o melhor carbono que a Specialized usa nas suas bicicletas de Trail. Apenas a extensão do amortecedor é diferente, em carbono no topo da gama e alumínio nesta versão Pro. A marca declara 2.420 g de peso no quadro S-Works (tamanho S4, com amortecedor, parafusos, proteções, eixo e aperto do espigão), por isso nesta Pro podes esperar mais alguns gramas, sendo o peso de cerca de 2,5 kg no total.

Uma das suas principais novidades é a atualização da geometria, mais longa e lançada, com um melhor desempenho em descidas técnicas

Graças à eliminação do Horst Link, o triângulo traseiro foi aligeirado em 55 g, o que, quando adicionado a outros pequenos ajustes, faz um total de 100 g a menos do que na versão anterior. Ainda usa a abertura SWAT, uma função muito útil quando nos habituamos a ela, embora infelizmente não exista nos modelos de alumínio. 

teste stumpjumper Pro 3
 

Ângulo de direção de 65°, guiador de 780 mm, disco dianteiro de 200 mm... Consegues imaginar para que serve esta bicicleta? Embora a Specialized tenha feito um esforço para manter o carácter recreativo e polivalente que caracteriza a Stumpjumper, encontrámos nesta bicicleta um pouco mais de "picante" concebido para a diversão. Assim que iniciámos a nossa primeira volta nesta Stumpjumper, a primeira coisa que nos despertou a atenção foram as sensações que sempre encontrámos em Stumpjumpers anteriores: um manuseamento muito fácil, uma posição de condução em que se destaca o controlo absoluto, e um grande desejo de "brincar" nos trilhos. É como encontrar um filme familiar na televisão, O “Sozinho em Casa”, “Indiana Jones” ou “Exterminador Implacável”,  que, embora já saibamos de cor as frases dos atores, vê-los de novo é tão gratificante - e por vezes mais - como as primeiras vezes.

Conseguir isto parece fácil, mas não é assim tão simples, porque com as novas geometrias, que estão a ficar mais longas e mais baixas, por vezes é fácil perder esse comportamento lúdico privilegiando uma bicicleta que precisa de altas velocidades para começar a realçar as suas virtudes. Isto não nos aconteceu na Stumpjumper, e apesar de termos escolhido o tamanho/geometria S4 (mais longo), movemo-nos como um peixe na água e sempre com aquela sensação de querer fazer a bicicleta saltar e movê-la de um lado para o outro.

A posição de condução é muito centrada, o que nos coloca numa confortável postura de pedalada vertical. No entanto, o longo tubo de direção do tamanho S4 (120 mm) forçou-nos a acabar por montar o guiador na sua posição mais baixa para encontrar um comportamento mais desportivo. A agilidade desta bicicleta de Trail de 29 polegadas é muito boa para um modelo com um triângulo dianteiro longo, que obviamente oferece uma boa estabilidade a altas velocidades. A suspensão Fox 34 com cartucho GRIP2 foi uma verdadeira surpresa, por ser uma opção muito centrada numa utilização competitiva para as provas de Enduro. É a primeira vez que a Fox introduz este cartucho numa Fox 34.

Para um utilizador com aspirações recreativas e que não procura complicações em termos de regulações - que pensamos ser o potencial comprador desta bicicleta - talvez um cartucho FIT4 com as suas três posições de compressão fizesse mais sentido, devido à sua simplicidade e porque permite um bloqueio completo. No entanto, com o GRIP2, uma vez bem ajustado ao nosso tipo de pilotagem, não há praticamente nada a apontar. 

No triângulo traseiro, se não te disserem que não ostenta um Horst Link, não te apercebes. Tem uma excelente capacidade de tração e é muito reativa, por isso adorámos subir trilhos técnicos com ela. Em termos de eficiência na pedalada, não encontramos o melhor comportamento no mercado quando se trata de "dar tudo" e há alguma interação com o amortecedor, especialmente quando se pedala com a compressão aberta. A configuração RX Trail do amortecedor e a sua maior câmara de ar estão por detrás desta cinemática mais oscilante no início do curso.

É essencial atacar as subidas no modo de compressão intermédia do amortecedor Fox. Por outro lado, temos uma bicicleta que se encaixa perfeitamente nos percursos em que a dificuldade é medida em metros de desnível e não em quilómetros de distância. Foi concebida para subir e descer a serra durante todo o dia à procura dos melhores caminhos. A soma dos ângulos da geometria - longa e lançada - com o curso de amortecimento moderado da Stumpjumper  - 130-140 mm - é uma combinação ideal quando queremos uma verdadeira bicicleta todo-o-terreno que não imponha muitos limites nem nos estradões nem nos trilhos super técnicos.

Teste stumpjumper Pro 4
 

NOVOS TAMANHOS

Atualmente, nas bicicletas com curso médio e longo (Trail-Enduro), é comum que o comprimento do triângulo dianteiro seja o fator chave para encontrar a bicicleta perfeita para cada um de nós e não tanto as outras medidas. 

Se até agora o tamanho da bicicleta girava em torno do nosso comprimento da perna e do tronco, agora baseia-se no nosso estilo de condução, ou seja, se procuramos uma bicicleta mais ágil ou uma bicicleta mais longa e estável. É por isso que em vez de falar de tamanhos "clássicos" como S, M, L... nos chamados S-Sizing fala-se de números (S2, S3, S4). E a principal diferença agora entre um tamanho para outro está mais centrada neste comprimento, o Reach, e influencia menos as outras medidas, tais como o comprimento do tubo do selim ou do tubo superior, como acontecia até agora.

Por exemplo, eu meço 1,77 m e poderia pedalar perfeitamente num tamanho S3 - que corresponderia a um M tradicional - para um comportamento muito ágil e confortável, ou um S4 - um tamanho M/L ou L realmente - para uma maior estabilidade e sensações mais "endureiras". Existem 6 tamanhos no total e pode-se dizer que com este sistema a mesma pessoa pode escolher entre vários tamanhos, dependendo do tipo de bicicleta que procura. 

É MUITO MANEJÁVEL E TEM UM SISTEMA DE SUSPENSÃO SENSÍVEL, COM MUITA TRAÇÃO 

NOTAS IMPORTANTES:

1> Atualmente, não há nenhuma bicicleta de Trail/Enduro moderna que não tenha um sistema de alteração de geometria entre as características essenciais. Na Stumpjumper é montado entre o suporte inferior do amortecedor e o link. Rodando uma peça internamente em 180º conseguimos verticalizar os ângulos em 0,5º e elevar o pedaleiro em 7 mm. 

2> A abertura de acesso ao SWAT é muito grande e podemos colocar, por exemplo, um impermeável sem qualquer problema. É notável a orientação dos cabos no interior, com guias internas que fazem parte dos tubos. Mais simples é impossível. 

3> É surpreendente encontrar alguns componentes que não são da própria marca, neste caso com a assinatura Deity, muito presente no mundo do DH e Enduro. O avanço Copperhead é uma relíquia de alumínio, muito robusta e muito bem acabada. Os punhos Knuckleduster são também da mesma marca, um pouco espessos (32 mm), mas com excelente aderência.

4> O protetor de escora tem um relevo para eliminar o ruído da corrente, uma vez que corresponde ao padrão de movimento da corrente. Sabias que a Stumpjumper 2019 foi a primeira bicicleta no mercado a começar a utilizar este conceito?

5> Gostámos da combinação de pneus, Butcher à frente e Purgatory atrás. Um pouco ligeiros nas dimensões  - 2,3" - e com carcaças GRID de nível intermédio de proteção. 

6> O quadro está à venda na gama S-Works Stumpjumper por um preço de 3.899 euros.

7> O espigão de selim Fox Transfer tem um curso muito generoso, 155 mm na maioria dos tamanhos e 175 mm nos superiores, como neste S4.

8> O comprimento das escoras é muito curto, 432 mm, e é proporcional: nos dois tamanhos superiores (S5 e S6) cresce 10 mm, com 442 mm.

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O melhor.

Geometria moderna. Os tamanhos permitem uma maior precisão na escolha. Divertida. Sistema SWAT. 

A melhorar.

Eficácia a pedalar com o amortecedor aberto.

FICHA TÉCNICA

  • QUADRO: Carbono FACT11m
  • AMORTECEDOR: Fox DPS Factory. Rx Trail Tune. Curso 130 mm
  • SUSPENSÃO: Fox 34 Factory. GRIP2. 140 mm.
  • PEDALEIRO: SRAM Descendant Carbon DUB BSA. 30 d.
  • DESVIADOR: SRAM X01 Eagle. 12 v.
  • MANÍPULO: SRAM X01 Eagle.
  • CASSETE: SRAM X01 XG-1295. 10-52 d.
  • CORRENTE: SRAM X01 Eagle.
  • TRAVÕES: SRAM G2 RSC. Discos 200/180 mm.
  • DIREÇÃO: Specialized integrada.
  • AVANÇO: Deity Copperhead 3. 50 mm.
  • GUIADOR: Specialized Trail FACT Carbon. 780 mm.
  • PUNHOS: Deity, Knuckleduster.
  • SELIM: Specialized Bridge Ti. 155 mm.
  • ESPIGÃO DE SELIM: Fox Transfer Factory. 30.9”, 175 mm de curso.
  • RODAS: Roval Traverse Carbon 29.
  • PNEUS: Specialized Butcher GRID/Purgatory GRID. Gripton. 29x2.3”.
  • PESO: 12,98 kg (tamanho S4, sem pedais).
  • TAMANHOS: S1, S2, S3, S4, S5 e S6.
  • PREÇO: 7.499€.
  • +INFO: Specialized. www.specialized.com 

DETALHE

Existe uma inscrição ao lado do amortecedor que significa que foi modificado e ajustado especificamente para esta bicicleta, não sendo um amortecedor de "stock". Tem uma câmara de ar com um volume maior do que um Fox Float DPS convencional, para fazer melhor uso do curso e melhorar a tração e sensibilidade. Tem o pistão Fox Digressive que adiciona mais compressão a baixa velocidade para melhorar a eficiência da pedalada, e tem um duplo controlo de recuperação, mais rápido no início do curso e mais lento em cargas elevadas, quando se utiliza o curso inteiro.

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EM RESUMO:

Este modelo tem uma nova geometria, sem o Horst Link no triângulo traseiro, optando por um Flex-Pivot que reduz o peso do quadro.

Possui ângulos abertos combinados com um curso de amortecimento intermédio (130-140 mm), mostrando ser ágil, estável e mantendo a versatilidade que a caracteriza. 

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