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Teste: Orbea Rise M-Team

Se és daqueles que ainda está na dúvida se deves mudar para uma bicicleta elétrica ou manter a sem motor, o novo conceito da Orbea Rise, ou seja, uma e-bike mais leve e com uma condução mais natural, pode ser aquilo que procuras..

Juanma Montero e Carlos Pinto / Fotos: Jeremie Reuiller

Teste: Orbea Rise M-Team
Teste: Orbea Rise M-Team

Como todos sabemos, há ainda muitos praticantes mais puristas que colocam sérios entraves às bicicletas elétricas, e não deixa de ser verdade que uma parte dos modelos atuais (com assistência elétrica) proporcionam sensações pouco naturais, mais parecidas com os motociclos: mais de 20 kg de peso, uma inércia elevada, um auxílio descomunal nos modos de apoio mais elevados...

Mas não deixa de ser curioso que a grande maioria dos proprietários de bicicletas deste tipo andem - segundo os estudos de uma revista alemã - mais de 53% do tempo no modo Eco e somente 5% no modo Turbo ou Boost. A Orbea percebeu este conceito e a importância destes números, por isso decidiu apostar no campo intermédio, ou seja, criar uma bicicleta que não seja tão pesada, que pareça que não tem assistência e que proporcione sensações mais naturais. Aliás, isto não é novidade. Se és leitor das nossas revistas (BIKE, CICLISMO A FUNDO OU EBIKE PORTUGAL), já deves ter ouvido falar da Gain e do seu conceito "Enough Energy".

Quando a marca nos convidou para a apresentação do seu "Projeto X" em Eugi, Navarra (entre 7 e 10 de outubro), já tínhamos mais ou menos uma daquiolo que a marca iria apresentar, mas não tínhamos noção do avanço tecnológico envolvido nem da quantidade de inovações implementadas neste modelo.

PROJETO X

Este é o nome de tudo o que se relaciona com a Rise, um projeto que teve dois anos de desenvolvimento e que esteve restrito a um pequeno lote de pessoas, para o máximo sigilo. O engenheiro-chefe do "Projeto X", Xavier Barbaiza, é um ávido praticante de BTT. Ele sempre esteve em contato com a Shimano, sobretudo quando a marca nipónica começou a criar o seu leve e interessante motor EP8. Embora para o comum dos mortais a informação acerca deste motor só tenha chegado recentemente, a verdade é que o EP8 leva mais de dois anos de gestação e testes no terreno, tendo a Orbea adotado este modelo logo desde o início.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

Os engenheiros da Orbea alteraram o motor para a máxima eficiência energética, modificando o seu firmware, variando as curvas de potência, ajustando a eletrónica e reduzindo o torque máximo para os 60Nm. Assim não há desperdício de energia. Segundo Xavier Barbaiza, "os japoneses da Shimano passaram de quase nem sequer nos atenderem o telefone, para passarem a estar muito interessados, perguntando-nos o que é que fizemos e convidando-nos para uma reunião o mais rápido possível".

EP8 RS

Nessa altura nasceu o EP8 RS, siglas de "Rider Synergy", um motor exclusivo, com um consumo energético mínimo, que pesa 2,6 kg (pesa o mesmo que o original) e com uma entrega de potência diferente, pouco intrusivo na pedalada, mas que ajuda quando é necessário. A Orbea garantiu durante dois anos a exclusividade de utilização deste motor, feito à medida para a sua nova Rise.

A POUPANÇA É UMA GRANDE VIRTUDE

Esta é uma das grandes mais-valias da Rise, poupa para rentabilizar ao máximo a energia que a sua bateria oferece (360 Wh). E repara bem nestes interessantes números que dão uma ideia daquilo que a Rise consegue proporcionar, se compararmos com um sistema standard com uma bateria de 540Wh.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

O motor RS é mais eficiente, pois consegue uma poupança de 10%, ou seja, 54 Wh.

Uma bicicleta elétrica de 23 kg com um ciclista de 75 kg significa um peso total de 98 kg. A potência que se usa para subir, de 350 watts/h, supõe uma relação potência/peso de 3,6 W/kg/h.

Numa Rise, 18 kg mais 75 kg do ciclista são 93 kg, portanto com esses 5 kg de diferença multiplicados pelos 3,6 W/kg temos 18 W poupados por hora, o que numa volta de 4 horas são 18 x 4 = 72 Wh poupados.

Além disso, a Rise com o seu motor Shimano "modificado" permite-nos também uma poupança a nível físico, à volta de 10%, pois faz com que andemos com cadências mais elevadas que implicam menos carga muscular, o que significa mais 54 Wh de poupança.

54 Wh 72 Wh 54 Wh = 180 W/h

Soma esses 180 Wh poupados aos 360 Wh da bateria e assim poderás ver que na realidade a bateria da Rise é equivalente a um sistema com uma bateria de 540 Wh.

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Em todo o caso, para nossa tranquilidade mental, se formos fazer uma maratona muito longa, a Orbea desenhou um "Range Extender" que proporciona mais 252 Wh. Pode ser colocado na mesma posição de um bidon standard e, de facto, a sua fixação é baseada num porta-bidon especial no qual podes colocar um bidon convencional.

Além dos seus três modos de assistência, a Orbea Rise conta com dois perfis, um mais próximo do comportamento de uma ebike convencional e outro "puro" Rise. Podem ser alternados facilmente com a aplicação eTube Ride, da Shimano, a partir do Smartphone.

MAIS VALORES

Para os amantes dos dados e das estatísticas, aqui estão os números que aguardavam:

Com a bateria integrada: 360 Wh.

No modo Eco teremos 4h30 de movimento com cerca de 2500 metros de desnível positivo.

No modo Trail dá para 3 horas com 1700m de desnível.

No Boost disfrutaremos de 2 horas e 1200 metros de subida.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

Ao adicionar o Range Extender de 252 Wh podemos ter, no Eco, até 8 horas de assistência com 4000m de desnível. Nada mau!

Além disso destacamos que a bateria integrada da Rise é fabricada com as melhores lélulas disponíveis no mercado, as mesmas usadas pela Tesla, as 21700, que em 500 ciclos completos de carga e descarga apenas perdem cerca de 20% da sua capacidade. Tanto as baterias Bosch como as Shimano levam células 18500, que têm perdas de carga maiores com o passar do tempo, perto de 40%.

Teste: Orbea Rise M-Team

O botão para ligar/desligar e a entrada de carregamento e de conexão do Range Extender estão muito perto do motor e da bateria, o que significa que pesam menos (menos cabos e conexões).
 

No Range Extender são usadas células 18500 pois a marca considera que não vai ser submetida a tantos ciclos de carga e descarga. A bateria adicional é um extra e custa 450 euros se for comprada com a bicicleta e 499 euros se for adquirida como produto aftermarket, e significa um peso adicional de 1.4 kg.

SÓ PARA A TUA RISE

Há mais componentes exclusivos para além do motor desta Orbea, como a sua cremalheira e-thirteen de 32 dentes, uma desmultiplicação mais de acordo com a bicicleta, com cranques de carbono, pneus Maxxis Rekon 2.40 FB 60 TPI com carcaça reforçada Dual Exo , tubeless ready.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

Além disso, foi criada uma aplicação da Garmin específica com a qual verás um ecrã extra no teu GPS que mostra a autonomia estimada, a carga exata da bateria com detalhe, a cadência de pedalada, o apoio que o motor está a dar e o modo em que se encontra.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

A Shimano também criou um display minimalista para a Orbea, essencialmente é um cabo grosso onde estão localizados os LED, um que muda de cor vermelha para verde com a carga da bateria (menos de 20%) e outro que muda de azul para verde ou vermelho com cada um dos três modos. Mais simples e leve é impossível.

Teste: Orbea Rise M-TeamO quadro também merece uma menção devido ao seu peso de 2,3 kg. É o mais leve numa ebike de 140 mm de curso, com carbono OMR e garantia vitalícia.

O botão On/Off encontra-se na parte inferior do tubo de selim, pelo que se poupa peso na cablagem (cerca de 70 gramas).

EM ANDAMENTO

Podíamos continuar a descrever os seus componentes e a sua tecnologia porque há muito para contar, mas não queremos ser "pesados", por isso vamos continuar a referir as nossas sensações em andamento.

Teste: Orbea Rise M-Team

 

A topo de gama, a Rise M-LTD, pesa apenas 16,2 kg. Surpreende-nos sobretudo o peso, pois vem equipada com componentes robustos, pneus decentes com carcaça reforçada e periféricos standard. A M-LTD é uma bicicleta exclusiva que custa cerca de 9.800 euros, para Trail polivalente e com 140 mm de curso.

Testámos a M-Team, na qual o peso sobe para os 17,5 kg, com um toque mais vincado para o Enduro. Traz uma Fox 36 Float Factory Grip2 com Kashima, 150 mm de curso e atrás inclui um amortecedor Fox DPX2 Factory Kashima que absorve tudo aquilo que apanha pela frente com os seus 140 mm e com uma linearidade controlada. Custa 9.000 euros e ficámos agradavelmente surpreendidos.

A interação do motor na nossa pedalada é tão natural que apenas se nota até ao momento em que começamos a pedalar com muita força e notamos que o apoio é mais contundente. Se pedalarmos ela ajuda, mas nesta ebike notamos que nós é que controlamos até ao preciso momento em que mudamos para o modo Trail ou Boost. À medida que subimos a cadência notamos que o motor não deixa de auxiliar, algo que não acontece com todas as ebikes. Neste motor podemos passar das 100 rpm que ela continua a ajudar.

Em zonas com curvas pelo meio, não notamos que estamos a bordo de uma elétrica, pois é fácil de inclinar e podemos mudar a direção com muita facilidade. O mesmo acontece quando queremos saltar ou fazer um bunny-hop, pois podemos levantá-la sem esforço.

Precisamos de mais tempo para testar a Rise e poder assim retirar mais conclusões. Em todo o caso, as primeiras impressões são muito promissoras. Tem uma grande autonomia, um peso muito bom, uma condução excepcional e um conceito diferente de assistência que agradará sobretudo aos que procuram sensações mais próximas às de uma bicicleta tradicional sem motor.

Poderás saber mais em www.orbea.com e, claro numa próxima edição da revista BIKE.

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