Bernard Hinault: “Parece-me difícil que se dispute o Tour em Julho”

O penta vencedor da Grande Boucle acha que a prova só se deve realizar se houver condições para ter público nas estradas e lembra que “a vida é mais importante do que uma corrida de ciclismo. Há que pensar nas pessoas”.
Luis Miguel Pascual (EFE). Foto: Bettini Photo -
Bernard Hinault: “Parece-me difícil que se dispute o Tour em Julho”
Bernard Hinault: “Parece-me difícil que se dispute o Tour em Julho”

Bernard Hinault não perdeu nenhum Tour, corrida que ganhou cinco vezes e que o colocou no Olimpo do ciclismo. Mas considera incerta a realização da edição deste ano porque é difícil a organização sobrepôr-se à pandemia do coronavirus. “Mesmo agora acho difícil. Teria de desaparecer a doença no mundo inteiro para que se pudesse disputar”, assegura à agência EFE. Hinault tinha acabado de regressar de um passeio na sua área de residência para “sobreviver melhor ao confinamento” quando respondeu sobre aquilo que se tornou o tema do momento. “Ninguém poderia imaginar que acontecesse algo tão grave e que iria afectar o mundo inteiro. E temos de estar preparados para outras crises similares”, assegura.

Hinault tem plena confiança nos organizadores do Tour e concorda com eles quanto ao facto de a prova apenas se poder realizar se houver condições para haver público nas estradas. “Se houver Volta a França as pessoas vão querer ir vê-la, caso contrário vão questionar: ‘se os ciclistas podem ir, nós também’. Não tem sentido querer fazê-la sem público.”

O ex-ciclista não está muito optimista com a situação atual e aponta como prioridade o combate ao vírus. “A vida é mais importante do que uma corrida de ciclismo. Há que pensar nas pessoas. As autoridades estão mobilizadas para impedir que as pessoas circulem, não vejo como o podem fazer durante o Tour”, comenta. Dentro da organização da prova há um debate sobre o assunto, mas a última palavra será das autoridades sanitárias, não só das francesas, mas sobretudo das mundiais pois a epidemia pode conter-se na França, mas continuar ativa pelo mundo.

Às vezes comparam esta situação à dos Tours no pós guerra e acho que não tem nada a ver pois na altura vinham só ciclistas da Europa e agora vêm de todo o mundo”, afirma. “o que é igual, é que isto é uma guerra, sim. Uma guerra contra o vírus”, acrescenta.

A decisão será tomada em Maio e no caso de a competição se manter, tal “dará tempo suficiente aos ciclistas para treinarem” porque para Hinault “o treino em casa é válido, a única coisa que falta aos ciclistas é a competição que é onde têm que atingir os seus limites".

Na eventualidade de o Tour se realizar nas datas previstas, entre 27 de Junho e 19 de Julho, “isso seria um grande sinal de esperança para a população. Se houvesse possibilidade de realizar o Tour, isso significaria que a doença desapareceu. Seria uma óptima notícia”, sublinha.

Nesse caso “os ciclistas teriam mais entusiasmo porque não competem há muito tempo”. Além disso “o público também teria muito mais vontade de ver a competição e deixar para trás o tempo de confinamento”.