Erros típicos ao treinar com medidor de potência

A utilização do medidor de potência está a penetrar o mundo do BTT como ferramenta para controlar o treino. Além de o instalar na bicicleta de estrada, cada vez vemos mais betetistas que também o usam na sua BTT. Neste artigo vamos ver os 10 erros mais frequentes que observamos quando alguém começa a usar estes dispositivos.
Yago Alcalde -
Erros típicos ao treinar com medidor de potência
Erros típicos ao treinar com medidor de potência

1. Não calibrar o medidor de potência com regularidade.

Embora os medidores de potência saiam calibrados de fábrica, é necessário assegurarmo-nos de que estão a medir corretamente. É uma operação muito simples de fazer e somente leva 15 segundos, mas deve ser feito todos os dias quando saímos para treinar para nos assegurarmos de que os dados obtidos são fiáveis. 

2. Não fazer testes.

O principal e mais interessante uso que podemos dar a um medidor de potência é a possibilidade de medir o nosso estado de forma de maneira rápida, real e fiável. E para tal, a forma mais simples é levar a cabo uma série de testes com alguma frequência. O objetivo é saber se o treino que estamos a realizar está a ser benéfico (fazendo-nos mover mais watts), pois é esse o objetivo de qualquer ciclista. Se não fizermos testes ou se não analisarmos a potência em competição, é como se levássemos o medidor apenas como um qualquer outro acessório sem qualquer utilidade. 

3. Esquecer de treinar usando também a frequência cardíaca.

Ter disponível a medição de watts não quer dizer que tenhamos de nos esquecer de usar as pulsações em determinados momentos, já que nos dão uma ideia da carga interna que um treino implica. Usar as pulsações como guia de intensidade no treino é particularmente útil quando fazemos treinos de fundo ou quando o percurso é sinuoso ou rompe-pernas.  

4. Como sabemos, os watts são muito sensíveis...

... e enquanto o desnível por onde estivermos a pedalar for um pouco variável é fácil os valores estarem em rodopio. Isto é irritante, particularmente se pretendemos manter um valor de potência constante. Contudo, sabemos que as pulsações tardam um pouco a reagir e, portanto, pode ser mais simples manter um determinado ritmo constante se nos fixarmos um pouco mais no pulso do que nos watts.

5. Não treinar por watts.

Referimo-nos às pessoas que costumam usar o medidor de potência. Ou seja, àqueles que olham para o ecrã de vez em quando, mas que não seguem planos de treinos e não trabalham uma zona de potência determinada. Não é que seja um erro, simplesmente é inutilizar o aparelho. 

6. Não analisar os dados.

Podemos dizer que metade do treino por potência consiste em analisar os dados dos treinos, testes e competições. Esta parte talvez seja a mais técnica, mas é onde realmente vamos retirar partido do medidor de potência ao analisar os dados como a potência normalizada, o fator de intensidade, os TSS gerados, a potência média em determinadas zonas ou subidas ou mesmo os tempos de trabalho nas diferentes zonas de treino.  

7. Não usá-lo em competição.

Poder medir as nossas prestações quando competimos é uma ferramente muito interessante para analisar as nossas capacidades em situações de esforço a 100%. Já sabemos que ao treinar, por muito que nos esforcemos, nunca vamos chegar a dar o máximo como numa prova. Por esse motivo, é muito importante usar o medidor em competição. E serve-nos, aliás, para não termos de andar a fazer testes.  

8. Não fazer séries.

Este erro não é exclusivo do ciclista com medidor de potência, mas também de muitos outros bikers. Os treinos por watts são especialmente úteis quando fazemos séries de menos de 5 minutos, já que nestas durações a referência da frequência cardíaca perde a sua utilidade principalmente devido ao atraso que leva. A nível motivacional, o treino intervalado com watts é muito interessante, já que em cada repetição há um objetivo muito concreto a conseguir: chegar à potência indicada. 

9. Deixar de sair com os amigos.

Existem ciclistas que ficam obcecados com o treino por watts e deixam de sair em grupo para poder cumprir os objetivos de treino nas zonas de watts que pretendem. Isto é um erro enorme, especialmente do ponto de vista da componente lúdica e social. Afinal de contas, sair em grupo é das melhores coisas que o ciclismo proporciona. E muitas vezes é quando treinamos melhor, já que os "picanços" fazem-nos sofrer mais do que quando vamos sozinhos.  

10. Não usar a potência normalizada.

Muitos ciclistas não têm ativado no seu aparelho o dado da potência normalizada. Isto é uma falta de conhecimento na área do treino por watts, já que a potência normalizada (NP) é o indicador mais fiável da intensidade de um treino ou competição. 


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