Notícias

Estudo revela que quanto mais atividade física praticarmos, mais jovem será o nosso cérebro

Um estudo revela que as pessoas com níveis elevados de atividade física têm cérebros mais jovens do que as sedentárias.

Yolanda Vázquez Mazariego

3 minutos

Estudo revela que quanto mais atividade física praticarmos, mais jovem será o nosso cérebro

Quero adicionar gratuitamente a Bike PT como fonte preferida do Google, para ñao perder as vossas notícias.

Ativar agora

Está comprovado: as pessoas com níveis elevados de atividade física têm cérebros mais jovens do que as sedentárias. Esta é uma das conclusões apresentadas pelo Dr. Jesús Cortés Díaz durante a 1ª Jornada da Cátedra VIU-NED em Neurociência Global e Mudança Social.

O especialista apresentou as suas mais recentes descobertas na área da neuroimagiologia, como o atlas cerebral e a deteção do envelhecimento do cérebro. Portugal ocupa o último lugar na lista de países da União Europeia com as maiores taxas de sedentarismo. Infelizmente, 68% da população portuguesa não pratica qualquer desporto ou exercício físico, segundo dados do mais recente Eurobarómetro da Comissão Europeia.

Estes números são alarmantes para a nossa saúde em geral, mas também o são para a do nosso cérebro, especificamente o das pessoas idosas. Como revelou o Dr. Jesús Cortés Díaz durante a 1ª Jornada da Cátedra VIU-NED em Neurociência Global e Mudança Social, as pessoas com níveis elevados de atividade física apresentam cérebros mais jovens do que as sedentárias.

Trata-se de uma descoberta de grande relevância para intervenções em populações idosas com base nestes indicadores de eficácia, utilizando a idade cerebral como medida de quantificação. Para chegar a esta conclusão, recorreu-se a uma tecnologia conhecida como neuroimagiologia. Trata-se de uma técnica de exame cerebral por imagem que estuda diferentes aspetos (função, fisiologia, estrutura, etc.) do sistema nervoso, recorrendo a mecanismos e algoritmos próprios de outras áreas, como a física, a engenharia informática e a inteligência artificial, entre outras.

Estes métodos de exame não invasivos permitem obter imagens cerebrais de excelente resolução a partir de diferentes biomarcadores (funcionais, metabólicos, elétricos, etc.).

Durante a sua palestra "A recriação funcional da neuroanatomia através da neurociência computacional", o especialista apresentou outras descobertas, como o atlas do cérebro que aponta as interações funcionais entre as suas diferentes regiões. Trata-se de uma descoberta que abre caminho para o estudo de novos aspetos das doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, ou das consequências dos traumatismos cranioencefálicos na atividade cerebral.

Da mesma forma, explicou-se como a conectividade cerebral pode ser utilizada como medida de maturação do cérebro, diferenciando dois conceitos de idade — a cronológica e a cerebral — e destacando a importância clínica quando existe uma diferença entre ambas. Ou seja, se um paciente tem 70 anos de idade, mas o seu cérebro apresenta uma idade de 61 anos, isso pode indicar a existência de determinadas reservas cognitivas.

Por outro lado, se uma pessoa de 70 anos tiver uma idade cerebral de 85 anos, isso pode representar vulnerabilidade a patologias. Além disso, abordou-se também a aplicação da neuroimagiologia na população infantil, particularmente em crianças com autismo. Neste contexto, Cortés salientou que, até aproximadamente aos 12 anos, as crianças autistas apresentam uma maturação mais avançada em relação às outras — ou seja, a sua idade cerebral é mais elevada. No entanto, as raparigas com autismo apresentam um menor atraso na maturação do que os rapazes, facto que pode estar relacionado com o desenvolvimento hormonal na pré-adolescência.

Nos últimos vinte anos, o desenvolvimento tecnológico e inovador presente na sociedade atual não passou despercebido aos estudos sobre o cérebro. Esta relação explica o surpreendente impacto na saúde e na investigação decorrente das técnicas de neuroimagiologia, tanto na investigação como na prática clínica dos profissionais dedicados a qualquer uma das áreas da Neurociência.

Por isso, a Universidade Internacional de Valência (VIU) decidiu dar destaque a este campo com um novo Mestrado Universitário em Neurociência e Investigação em Imagem Neurológica. Da mesma forma, a primeira edição das Jornadas da Cátedra VIU-NED em Neurociência Global e Mudança Social — evento que reuniu mais de 500 pessoas em formato híbrido — contou com uma palestra inaugural sobre o tema. Além disso, esta área foi incorporada como uma nova linha de estudo e colaboração com uma equipa multidisciplinar, cujo objetivo é investigar, numa perspetiva integral, as neuropatologias mais frequentes nos países de baixo rendimento, como é o caso da hidrocefalia pediátrica.

Etiquetas:

Relacionados