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Volta a Itália 2022: etapas, principais candidatos e pontos altos

A poucos dias do início da Volta a Itália, fazemos uma antevisão da primeira grande volta da temporada que terá três portugueses em prova: João Almeida, Rui Costa e Rui Oliveira.

Carlos Pinto e Vasco Simões

Volta a Itália 2022: etapas, principais candidatos e pontos altos
Volta a Itália 2022: etapas, principais candidatos e pontos altos

A Volta a Itália vai ter este ano muita montanha e dois contrarrelógios individuais, o último deles em Verona, na 21.ª e derradeira etapa. A prova arranca em Budapeste, capital da Hungria, e durante três etapas a festa do ciclismo acontece neste país do leste da Europa. É a 14.ª vez na história da competição que o Giro arranca fora de Itália e a primeira desde Jerusalém, em 2018.

A 10 de maio, e após um dia de viagem/descanso, o pelotão cumpre a 4.ª etapa do Giro e 1.ª em solo italiano, na Ilha da Sicília. O grupo parte de Avola rumo ao vulcão Etna, onde tem o primeiro desafio de montanha. São apenas 166 km e uma meta situada a 1892m de altitude. No entanto, o desnível é de 3.590m. Depois de entrar pela ponta da ‘bota’, o Giro segue rumo ao Norte com algumas etapas mais planas, mas igualmente exigentes. 

A 9.ª etapa, a 15 de maio, marca a dupla ascensão ao icónico Blockhaus (1695m) e o fim da primeira semana de prova. Uma imponente subida de 13.7 km com uma inclinação média de 8,5% e que pode representar a primeira grande seleção de favoritos à conquista da ‘Maglia Rosa’. Pelo caminho o pelotão tem ainda passagens previstas pelo Roccaraso (1254m) e pelo Passo Lanciano (1310m).

Na segunda semana, o pelotão do Giro ruma pela Costa do Mar Adriático rumo a Norte até ao outro extremo, o Mediterrânio, passando por cidades icónicas como Pescara, Reggio Emilia, Parma, Génova, San Remo e Turim. Com a chegada aos Alpes as etapas prometem ser bem mais duras, com a montanha a aparecer em força antes de novo dia de descanso. A 14.ª etapa, a 21 de maio, será uma espécie de Liège-Bastogne-Liège à italiana com muitas subidas curtas e íngremes, mas também muitas descidas. Segue-se uma tirada no Vale de Aosta, com duas subidas de montanha de 1.ª categoria (Pila-Les Fleurs 1421m e Verrogne 1582m) e uma de 2.ª categoria, o Cogne, onde está situada a meta a 1611m. Dia 23 de maio, cumpre-se o último dia de descanso.

Com muitos quilómetros e desgaste nas pernas, o pelotão entra na terceira semana do Giro, a 24 de maio, e para dias verdadeiramente desafiantes com muita montanha. A 16.ª etapa liga Salò a Aprica, nas Dolomitas, ao longo de 202 km e pelo caminho há três subidas de montanha de 1.ª categoria: Goletto di Cadino (1938m), Passo del Mortirolo (1854m) e Valico di Santa Cristina (1448m). No dia seguinte, é a vez de mais dois desafios imponentes: o Passo del Vetriolo (1383m) e o Monterovere (1261m), outras duas contagens de montanha de 1.ª categoria. 

Ainda nada pode estar decidido e a 18.ª etapa, mais plana e curta é apenas um dia mais calmo antes de duas tiradas de montanha arrasadoras a 27 e 28 de maio. A 19.ª etapa tem prevista uma passagem pelo Kolovart (1.ª categoria a 1145m) e um total de 177 km. Mas é a 19.ª etapa que concentra todas as atenções. 

A etapa Rainha liga Belluno a Marmolada (Passo Fedaia a 2057m) ao longo de 168 km e prevê a passagem pelo duro Passo San Pellegrino (1918m) e o duríssimo Passo Pordoi (2239m, 11,9 km e 6,6% de média de inclinação), o ‘Cima Coppi’ deste Giro 2022, ou seja, o ponto mais alto da prova. A chegada à meta no Passo Fedaia tem 12,9 km e tem uma inclinação média de 7,8%. Finais curtos, mas por vezes explosivos, podem produzir impactos significativos na classificação geral. 

Na 21.ª e derradeira etapa do Giro, fazem-se as contas e logo com um contrarrelógio individual na cidade de Verona. São 17,4 km com meta situada no Coliseu da cidade. Quem será o melhor no final? Quem vestirá a camisola rosa? Quem irá erguer o troféu infinito e entrar para a história? Saberemos tudo isso na transmissão televisiva em direto no canal Eurosport e, claro, aqui no site www.mountainbikes.pt. 

ETAPAS

1 – 6 de Maio (195 km) Budapeste – Visegrád (Hungria) 

2 – 7 de Maio (9.2 km) Budapeste (Hungria) – Contrarrelógio Individual 

3 – 8 de Maio (201 km) Kaposvár – Balatonfured (Hungria)

Dia de Descanso - 9 de Maio 

4 – 10 de Maio (172 km) Avola – Etna (Rif. Sapienza)

5 – 11 de Maio (174 km) Catania – Messina 

6 – 12 de Maio (192 km) Palmi – Scalea (Riviera dei Cedri)

7 – 13 de Maio (196 km) Diamante – Potenza

8 – 14 de Maio (153 km) Nápoles – Nápoles 

9 – 15 de Maio (191 km) Isernia – Blockhaus

Dia de Descanso - 16 de Maio  

10 – 17 de Maio (196 km) Pescara – Jesi

11 – 18 de Maio (203 km) Santarcangelo di Romagna – Reggio Emilia 

12 – 19 de Maio (204 km) Parma – Genova

13 – 20 de Maio (150 km) San Remo – Cuneo

14 – 21 de Maio (147 km) Santena – Turim

15 – 22 de Maio (178 km) Rivarolo Canavese - Cogne

Dia de Descanso - 23 de Maio  

16 – 24 de Maio (202 km) Salò – Aprica 

17 – 25 de Maio (168 km) Ponte di Legno – Lavarone 

18 – 26 de Maio (152 km) Borgo Valsugana – Treviso

19 – 27 de Maio (177 km) Marano Lagunare – Santuario di Castelmonte

20 – 28 de Maio (168 km) Balluno – Marmolada (Passo Fedaia)

21 – 29 de Maio (17.4 km) Verona – Contrarrelógio Individual

FAVORITOS

João Almeida tem nos ombros o peso da responsabilidade e desejo de um país que o pretende ver vestido de rosa, tal como em 2020, quando rolou pelas estradas de Itália com a ‘Maglia Rosa’ durante 15 dias. Não conseguiu a vitória, mas o 4.ª lugar alcançado foi o melhor de sempre de um português no Giro. Dois anos depois, mais experiente, e com uma nova equipa e um novo papel de destaque, o ciclista português da UAE Team Emirates coloca como objetivo terminar no pódio da classificação geral. Terá a concorrência de peso de nomes como Richard Carapaz, vencedor do Giro 2019, Simon Yates, Tom Dumoulin, Tobias Foss, Vincenzo Nibali, Miguel Ángel López, Jai Hindley, Wilco Kelderman, Bauke Mollema, Giulio Ciccione, Romain Bardet, Hugh Carthy, Mikel Landa, Wout Poels ou Guillaume Martin. 

Outros nomes podem brilhar conquistando etapas como o astro holandês Mathieu van der Poel, que faz a sua estreia no Giro, Alejandro Valverde, Caleb Ewan, Mark Cavendish, Giacomo Nizzolo, Fernando Gaviria ou Tim Merlier. 

OS AUSENTES

Pouco mais de três meses após o acidente em que quase ficou paraplégico, o colombiano Egan Bernal regressou recentemente aos treinos de bicicleta na estrada, no entanto, está longe de poder voltar para já às grandes competições. O vencedor do Tour 2019 e do Giro 2021, colidiu a alta velocidade com um autocarro, nos arredores de Bogotá, sofrendo 20 fraturas, além da perfuração dos pulmões, que obrigou a várias intervenções cirúrgicas. Bernal estará ausente das estradas italianas bem como os favoritos eslovenos Tadej Pogacar e Primoz Roglic, ambos focados na Volta a França. De fora fica também o eslovaco Peter Sagan.

A OPINIÃO DE OLIVIER BONAMICI (COMENTADOR DE CICLISMO)

O sonho durou 15 dias! Ninguém se esqueceu em Portugal, dos 15 dias de rosa do João Almeida no Giro 2020. A partir daí, a Volta a Itália teve sempre um sabor especial e, no ano passado, o ciclista português fez-nos sonhar novamente com uma ‘remontada’ espetacular, acabando no 6.º lugar da geral.

Este ano, as expectativas são ainda maiores e é normal. O João tem tudo para finalmente alcançar o primeiro pódio da sua carreira numa grande Volta, mas a pergunta coloca-se: Será que podemos sonhar ainda mais alto com ele? Existem sinais que indicam que sim. O ciclista português está cada vez melhor na alta montanha e desta vez é o claro líder da equipa, acompanhado por 2 outros portugueses: Rui Oliveira e Rui Costa. Além disso, os dois melhores ciclistas do mundo, Tadej Pogacar e Primoz Roglic não estão no Giro, pelo que a concorrência na Volta à Itália é claramente inferior à que existe no Tour. 

Mas, cuidado porque ciclistas como Richard Carapaz, Simon Yates, Aleksandr Vlasov, Romain Bardet, Mikel Landa e Miguel Ángel López podem dar dores de cabeça a João Almeida. Em breve teremos a resposta à pergunta que toda a gente se coloca desde há alguns meses. O que pode fazer o João Almeida com a sua nova equipa?

A OPINIÃO DE CARLOS PINTO (DIRETOR DA REVISTA CICLISMO A FUNDO)

Este ano João Almeida tem dois handicaps: o primeiro, é o facto de correr com muita pressão (10 milhões de portugueses vibraram com os excelentes resultados do luso nas últimas duas edições do Giro e querem obviamente um resultado igual ou melhor ao alcançado no passado) e o segundo é que já não há ninguém que não conheça as potencialidades do luso, pois parte com a posição de líder indiscutível da UAE Team Emirates. 

Estes dois factos, por si só, são demolidores e só um João Almeida muito forte física e psicologicamente conseguirá dar a volta à situação. Carapaz, Miguel Ángel López, Bardet e Yates serão ossos duros de roer, mas o ciclista das Caldas da Rainha já demonstrou que consegue andar com os melhores. 

Tendo em conta a dureza do traçado escolhido este ano, com várias etapas a rondar os 200 km e a sucessão de subidas duras, o luso e os seus colegas de equipa encarregues de o ajudar terão de estar constantemente alerta pois basta um mau posicionamento, uma alimentação descuidada ou um dia mau para deitar tudo a perder. 

João Almeida pode nem sequer ganhar uma etapa, mas se for o mais constante e estiver sempre com os melhores, pode até alcançar o seu - e o nosso - sonho. Em todo o caso, é o seu primeiro ano como líder indiscutível e o que suceder será sempre uma aprendizagem. Não posso também deixar de referir o grande papel que o Rui Costa tem vindo a fazer como gregário de luxo, assegurando um bom posicionamento na média montanha. O Rui reconverteu a sua carreira e está a fazê-lo com mestria. Rui Oliveira, um dos melhores do mundo na pista e que também tem resultados de relevo na estrada, com destaque para a Volta a Espanha de 2021, será uma peça fundamental na equipa dos Emirados, apesar de ser dos mais novos. 

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