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Portugal vai ter Centro de Investigação e Desenvolvimento na área das bicicletas e componentes

Foi ontem apresentado um ambicioso projeto que visa criar as condições para que as empresas nacionais possam estar na vanguarda em termos de desenvolvimento dos seus produtos.

Portugal vai ter Centro de Investigação e Desenvolvimento na área das bicicletas e componentes
Portugal vai ter Centro de Investigação e Desenvolvimento na área das bicicletas e componentes

Como referimos ontem num artigo publicado neste site, a ABIMOTA tem um projeto prioritário a curto prazo que visa a criação de um Centro de Interface Tecnológico (CIT) especificamente pensado para o setor das bicicletas e componentes. Será o Centro Partilhado de Desenvolvimento Industrial das Duas Rodas e segundo o Secretário-geral da ABIMOTA, Gil Nadais, “é destinado a dar condições às empresas para poderem inovar e desenvolver os seus produtos de forma adequada”.

Este projeto multifuncional visa responder a diferentes exigências do setor e que tem como ambição “ser par com o que melhor existe a nível mundial no universo das bicicletas em termos de investigação e desenvolvimento, conjugando e desenvolvendo, de forma interna, as capacidades já existentes em Portugal. A aposta passa por produzir bicicletas, mas também componentes da melhor qualidade e, para isso, são necessárias fábricas modernas e competitivas bem como laboratórios que permitam criar, desenvolver e testar as melhores soluções e tecnologias”.

Um projeto com execução previsível no prazo de ano e meio a dois anos, que deverá ser atentamente observado pelo Governo ou não se tratasse de uma indústria que, mesmo durante a recente crise sanitária e económica, continuou a desenvolver-se com taxas de exportação superiores a 30% e que tem pela frente, segundo os mais recentes estudos e projeções, “uma década para continuar a crescer e a captar investimento estrangeiro”.

Beneficiar e promover o conhecimento académico, através da ligação a universidades e outros centros de saber, e fazê-lo chegar o mais rapidamente à indústria é a meta deste CIT. O Centro servirá de alavanca para as empresas, ajudando a aprofundar o conhecimento e as suas competências industriais.  

Será mais um trunfo importante num “setor apostado em continuar a investir para reforçar o posicionamento de líder, um setor que é crítico em termos mundiais e é olhado como uma área a impulsionar. Por isso está na altura de olhar para o setor com olhos de ver” remata Gil Nadais.

Lembramos que ontem foi apresentado um projeto global de investimento a rondar os 258 milhões de euros e que visa reforçar o crescimento continuado do setor das duas rodas. Neste sentido, a ABIMOTA apresentou a Agenda Mobilizadora para a Inovação Empresarial do Setor das 2 Rodas (AM2R). Um projeto integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), liderado pela Polisport e integrando 34 empresas do setor, quatro instituições académicas (INEGI, Universidades de Aveiro e Coimbra, INEGI e PIEP – Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros) e uma associação (ABIMOTA).

Esta é uma iniciativa que pretende reforçar a posição de liderança de Portugal como o maior produtor europeu de bicicletas, com uma produção anual de 2,7 milhões de unidades e geradora de mais de 8000 postos de trabalho. 

A AM2R congregou 64 projetos do sector, num total de investimento previsto superior a 258 milhões de euros, divididos em projetos de Inovação Produtiva (27 estudos com valor previsto de 173,7 M €) de Investigação e Desenvolvimento (24 projetos e 72 M €), de Qualificação e Internacionalização (dez projetos e 12,3 M €) e Formação (três projetos e 0,1 M €). Valores que serão comparticipados por verbas do PRR em percentagem diferenciada consoante a tipologia dos projetos, sendo o restante uma obrigação das próprias empresas, naquele que será um importante esforço financeiro.

Para Pedro Araújo, CEO da Polisport e Coordenador da Agenda, “depois de três meses de grande trabalho para a ABIMOTA e para todos os intervenientes no processo, foi concluída com êxito a primeira fase do projecto, com a submissão da candidatura. Estamos agora a aguardar a análise das entidades e eventuais alterações a introduzir."

O Vice-presidente da Direção da ABIMOTA com a responsabilidade das Duas Rodas e líder deste projeto sublinha a importância da AM2R, que considera “fundamental para conseguir que Portugal continue a ser o líder no setor das duas rodas, procurando reforçar essa posição, porque não pode ser apenas líder passivo. Até porque há muitos outros países que querem criar condições para que o setor tenha uma importância crescente e conquistar essa fatia de mercado. É um momento único e decisivo para o sector, para o país e é a altura das empresas se desenvolverem de forma harmoniosa”.

Numa altura em que a descarbonização e a mobilidade suave são palavras-chave, as duas rodas devem reforçar o papel fundamental nesta nova realidade. Por isso, este projeto pretende também ser um contributo para recuperar a industrialização da Europa, defendendo valores de inovação, economia circular, digitalização, internacionalização, formação e certificação.

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