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TESTE: Shimano Deore XT M8200

A nova versão da transmissão mecânica Shimano Deore XT (série M8200) tem um novo mecanismo de mola interna, que substitui a embraiagem no desviador, com uma tensão de corrente superior. Mas há mais novidades, como uma maior ergonomia, passagens refinadas, compatibilidade inversa e design inovador.

Carlos Pinto

5 minutos

TESTE: Shimano Deore XT M8200

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Já passaram pelas nossas mãos praticamente todos os grupos da Shimano desde o ínicio dos anos 2000 e podemos desde já adiantar que esta nova versão do XT - denominada M8200 - é a melhor de sempre.

Primeiro, porque resolveu alguns problemas da geração anterior; segundo, porque melhorou aspetos visuais, ergonómicos e funcionais.

 

Neste artigo vamos explicar as valências de cada componente, esclarecendo desde já que o peso geral do grupo não diminuiu, dado que o intuito foi manter a durabilidade, dando prioridade à robustez estrutural e à qualidade de funcionamento.

DESVIADOR TRASEIRO

O desviador traseiro está disponível em duas versões (caixa curta para cassetes 9-45 e caixa longa para 10-51) e tem um novo design que o protege de impactos, absorvendo toques ou pancadas sem se desmontar ou empenar. 

 

Mas, pelo menos para nós, a mais-valia é o seu novo sistema interno de mola dupla que substitui a embraiagem com alavanca. Isto não só simplifica o desviador, como garante que a tensão sobre a corrente é constante, fazendo com que ressalte menos em zonas técnicas. Na prática, notámos que a corrente fica mais silenciosa e que nunca salta para outro carreto involuntariamente, algo que acontecia, por vezes, nas versões anteriores. 

Na versão que testámos - caixa longa - pesa 363g, ligeiramente mais do que a versão anterior. Notámos também que as roldanas são fechadas, tal como acontece nos desviadores eletrónicos de BTT da Shimano, o que evita a acumulação de lama e sujidade, facilitando a limpeza.

MANÍPULO DE MUDANÇAS

O manípulo tem um design ergonómico dos botões, com rugosidades que permitem a sua utilização mesmo quando não usamos luvas. Estes botões estão posicionados num ângulo mais natural, sem termos de andar à procura com o dedo indicador e polegar. 

Mas o mais notório é a passagem das mudanças, que é mais audível e refinada. De uma só vez é possível subir até três mudanças e baixar duas - este botão funciona para os dois lados -, embora possamos clicar carreto a carreto. 

 

Curiosamente, nas mudanças mais leves (carretos 45 e 51) já não é preciso fazer força adicional no botão do manípulo, graças à nova configuração. Acresce o facto de, graças à tecnologia I-Spec EV, ser emparelhável com a manete de travão. 

No cômputo geral, tem uma atuação intuitiva e direta e o próprio cabo tem um encaminhamento otimizado. Só se compararmos com a versão eletrónica é que fica a perder (a eletrónica demora menos algumas milésimas de segundo a atuar), mas devido à fiabilidade e menor peso total do conjunto, a versão mecânica continua a ser uma excelente opção.

 

Quanto ao peso, neste caso o novo manípulo M8200 é 7g mais leve do que a versão anterior. 

CASSETE

Como referimos antes, montámos uma cassete 10-51 de 12 velocidades. Na nossa opinião, esta é a mais polivalente tendo em conta o tipo de utilização que damos - circuitos de BTT com declives elevados, tanto a subir como a descer -. 

 

Graças ao design dos dentes dos carretos, a passagem das mudanças é suave, fiável e rápida, mesmo sob carga. Obviamente, em carga é mais audível essa passagem de mudança, mas mesmo assim está muito mais eficiente do que há alguns anos. 

 

É fabricada em aço e alumínio, o que garante durabilidade e robustez e a aranha onde está montada tem seis braços perfurados. Estes são os carretos incluídos: 10-12-14-16-18-21-24-28-33-39-45-51.

CRANQUES

Quanto aos cranques, são fabricados em alumínio e têm um eixo em aço de 24 mm. Estão disponíveis apenas e só numa configuração com 55 mm de linha de corrente, Q-Factor de 176 mm e sistema de montagem direta.

Optámos por uma cremalheira de 32 dentes, que serve perfeitamente para as subidas verticais que costumamos encontrar na pista internacional de XCO do Jamor e mesmo nas longas retas ou descidas nunca notámos um défice no rácio da transmissão. 

 

Estes cranques ocos em alumínio pesam 515g e a esse valor temos de adicionar a cremalheira de 32 dentes (82 gramas). 

TRAVÕES

Já tínhamos testado estes travões quando analisámos a versão eletrónica do novo Deore XT. E continuam a funcionar perfeitamente. Testámos a versão de dois pistões, usando discos de 180 mm.

A potência de travagem é muito elevada e, como não podia deixar de ser, inclui as tecnologias herdadas do XTR, como o Ergo Flow - as manetes em alumínio são ergonómicas, para um conforto acrescido, sem causar tensão nos pulsos -, e Servowave - as pastilhas aproximam-se mais rapidamente dos discos -. 

 

São os melhores travões que já testámos, tanto em termos de potência como de ergonomia. Têm ajuste de alcance, o que permite otimizar o comportamento e as tolerâncias entre a pastilha de resina e o disco foi ajustada, para evitar atrito e ruídos parasitas. 

Além disso, como esta nova geração usa óleo mineral de baixa viscosidade, nunca sentimos sobreaquecimento do sistema de travagem, nem manetes esponjosas em tempo quente. 

 

Esta consistência, potência e fiabilidade faz com que a Shimano continue a liderar o segmento. Quanto ao peso, o travão dianteiro pesa 278g e o traseiro 280g.

CORRENTE

Para este teste montámos uma corrente M8100 de 12 velocidades com 126 elos. O design dos elos foi redesenhado para uma passagem mais eficaz das mudanças e uma retenção melhor dos carretos, impedindo que saia involuntariamente. 

 

Além disso, possui tratamento Sil Tec, que suaviza o funcionamento e evita que oxide, aumentando a sua durabilidade. O sistema de montagem baseia-se num elo rápido fornecido e quanto ao peso, na nossa balança acusou 281g.

VÊ AQUI O VÍDEO

 

COMPORTAMENTO GERAL

Somos fãs incondicionais das transmisões eletrónicas, mas confessamos que ficámos rendido ao Deore XT mecânico. Nem todos precisam ou querem instalar nas suas bicicletas transmissões eletrónicas e o avanço tecnológico levado a cabo pela Shimano faz com que este seja um dos melhores grupos à venda no mercado, tendo em conta a relação qualidade/preço.

 

Porquê? Porque está muito mais fiável do que antes, garantindo precisão na comutação mesmo em carga. A sua fiabilidade em qualquer circunstância, independentemente do clima, fazem com que seja a opção ideal para BTT em todas as suas vertentes. Dizemos isto não só pelos aspetos técnicos e funcionais, mas também porque a Shimano é atualmente a única que garante stock de periféricos no nosso país, um pormenor importante quando é necessário encontrar uma corrente, umas pastilhas ou outra peça deste grupo. 

Além do mais, o sistema de travagem é o mais potente do mercado e o que garante um desempenho uniforme, graças ao novo óleo. 

Se tiveres de fazer um upgrade, este é garantidamente um bom investimento em termos de fiabilidade.

PREÇOS E PESOS

COMPONENTE PESO PREÇO
DESVIADOR TRASEIRO XT RD-M8200 - SGS 12V 363g 109€
MANÍPULO DE MUDANÇAS XT 12V. I-SPEC EV 125g 45€
PEDALEIRO XT 170 MM (NÃO INCLUI CREMALHEIRA) 515g 135€
CREMALHEIRA 32D 82g 56€
KIT TRAVÃO DE DISCO FRENTE BL-M8200 / BRM8200  278g 155€
KIT TRAVÃO DE DISCO TRÁS BL-M8200 / BRM8200 280g 159€
CORRENTE CN-M8100 126 ELOS COM ELO ENGATE 281g 33€
CASSETE 12V 10-51D 463g 135€
TOTAL 2.387g 827€

Poderás encontrar mais informações em bike.shimano.com e no site oficial do distribuidor em Portugal, a Sociedade Comercial do Vouga, em www.scvouga.pt.


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