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TESTE EXCLUSIVO: Specialized S-Works Tarmac SL9

Com a Tarmac SL9, a Specialized volta a reivindicar o trono da velocidade. E perante ganhos marginais cada vez mais difíceis de extrair sem comprometer peso ou rigidez, até que ponto a SL9 redefine o desempenho no asfalto e ainda pode ser considerada uma nova bicicleta? Levámos o novo topo de gama para a estrada para dissecar cada watt, grama e sensações!

Alexandre Silva. / Fotos: C.P.

6 minutos

TESTE EXCLUSIVO: Specialized S-Works Tarmac SL9

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Visualmente, a Tarmac SL9 não rompe de forma radical com a silhueta da sua antecessora, mas introduz refinamentos cirúrgicos nos pontos de maior impacto no fluxo de ar. A secção dianteira continua a ser o centro das atenções. A testa — apelidada na SL8 de Speed Sniffer — surge agora 4 mm mais estreita, reduzindo a área frontal em cerca de 10%.

 

A transição entre o topo da forqueta e o tubo da direção foi revista, criando uma integração mais fluida, até certo ponto disfarçando a proeminência do “bico”, e isso, além de encaminhar o ar com menor resistência, resolve um dos pontos críticos no design que tinham sido apontados à SL8.

 

Atrás, entre o tubo vertical e a roda traseira, surge o wind fin, que reduz o espaço disponível entre o quadro e o pneu, o que resulta em ganhos aerodinâmicos quando se usa apenas um bidon na grade dianteira, algo pouco relevante para a maioria de nós, mas supostamente poderá fazer a diferença em competição, palco onde pequenas diferenças interessam e que motivam a constante evolução das bicicletas.  

VÊ AQUI O VÍDEO

 

NA BALANÇA E NO TÚNEL DE VENTO

O quadro pesa 687 g no tamanho 56 (Fact 12r). Com a montagem completa com SRAM RED AXS e as novas Roval CLX III, o total são uns impressionantes 6,69 kg, especialmente se tivermos em conta que se trata de uma bicicleta quase aero, com rodas de perfil 51/48, pneus tubeless de 30 mm e componentes que não nos fazem ter medo de abusar.

Quanto à eficiência aerodinâmica, a marca anuncia uma poupança de 4 watts a 45 km/h face à SL8. No protocolo de túnel de vento independente, essa diferença confirma-se, sendo que cerca de metade do ganho provém da nova secção dianteira e a outra metade do conjunto de rodas. Ora isto dificilmente se aplica a 80% ou mais dos atuais utilizadores da SL8. Pessoalmente conheço pouca gente capaz de rolar a 45km/h de média. Mas, mais uma vez, estes ganhos são sobretudo importantes em competição quando tudo o resto já está melhorado ao máximo e pequenos detalhes fazem a diferença.

Não deixa de ser uma bicicleta para competir. Se é para passear, a Aethos por exemplo é mais apelativa e leve.

COCKPIT E COMPONENTES: INTEGRAÇÃO FOCADA NA RIGIDEZ

A montagem S-Works apresenta o nível de acabamento e integração esperado neste patamar de preços. O guiador integrado Roval Rapide mantém a ergonomia neutra e a secção superior estilo asa de avião, sendo que a única diferença para a SL8 é que, no tamanho 56, agora surge com 40cm de largura em vez de 42cm. O espigão de selim foi redesenhado para ser mais aero, e felizmente tem o mesmo formato, o que permite ser usado numa SL8 ou permite montar espigões de outras marcas que foram desenvolvidos no passado para a SL8. Aliás, as restantes versões da SL9 (S-Level, Expert e Comp) surgem equipadas com o espigão da SL8.


 

O verdadeiro diferencial na montagem da SL9 reside nas rodas Roval Rapide CLX III, agora montadas com raios de carbono. Esta alteração retira peso total e rotativo e incrementa a rigidez torsional e lateral de forma percetível nos arranques fora do selim. Aliás, as rodas são as maiores responsáveis pela dieta face à SL8. Relembramos que a SL8 acusou 6.8kg na nossa balança, com pneus 26c, e a SL9 6.69kg com pneus 30c!

 

A transmissão (SRAM RED AXS com potenciómetro Quarq integrado) funciona com a precisão habitual, ainda que pessoalmente continue a preferir o funcionamento e controlos da Shimano, enquanto o selim S-Works Power com tecnologia Mirror assegura uma distribuição de pressão de referência para posições agressivas.

 
 

De notar que ao nível da travagem surge montada com disco de 160mm atrás, o que confere uma travagem brutal, talvez até de mais, especialmente em descidas inclinadas (onde o peso está na frente) ou em piso menos aderente, pois a traseira bloqueia com muita facilidade. Com a potência do Red, seria mais que suficiente montar um de 140mm mas como a SL9 também é usada a descer os Alpes, fará sentido nessas ocasiões. 

 

OBJETIVO CLARO

Ao colocar a SL9 na estrada, a primeira sensação é de que esta Tarmac foi, e continua a ser, desenhada para andar rápido. Ponto final! Desde a rigidez às acelerações, a posição de condução baixa e agressiva, a distribuição de pesos, a inserção em curva… Tudo é pensado para ir concentrado e a dar o nosso máximo. Alterando componentes consegue-se adicionar algum conforto, mas nunca será uma bicicleta para andar muitas horas a ritmos calmos. As próprias rodas só fazem sentido se for para rolar muito rápido, caso contrário mais vale montar umas com menor perfil e poupar mais 100 ou 150g, além de irmos mais despreocupados com o vento. É que uma bicicleta com esta posição de condução, tubos já com alguma largura e rodas de alto perfil, exigem atenção nos dias de vento. É preciso algum cuidado com rajadas pois influenciam o controlo da bicicleta. 

As rodas, a esta velocidade e sem grandes ventos fortes, mantêm a bicicleta embalada e fica mais fácil manter ritmos destes… até as pernas dizerem chega!

Ainda que a SL9 seja mais confortável que a SL7 (devido ao quadro) e que a SL8 (pelo aumento do volume dos pneus), não deixa de ser uma bicicleta para competir. Se é para passear, a Aethos por exemplo é mais apelativa e leve.

 

O peso pluma do conjunto faz-se notar sobretudo em pendentes acima dos 7-8% mas também nos sprints e arranques em plano. A combinação do quadro com os raios de carbono das rodas elimina qualquer sensação de flexão. O próprio cockpit é rígido, exceptuando algum movimento vertical que até é bom para amortecer algumas pancadas. Ao pedalar em pé, reage instantaneamente sem desvios de trajetória, sem “moleza”, transmitindo a potência de forma linear.

COMPORTAMENTO EM PLANO E INÉRCIA

Sempre que as condições permitiam (vento favorável, ligeira descida) era um prazer rolar a ritmos de 40 a 50 km/h. Primeiro porque senti-me como um profissional, durante alguns minutos, e depois porque é notória a facilidade com que a SL9 sustenta essas velocidades, rivalizando diretamente com bicicletas puramente aerodinâmicas. As rodas, a esta velocidade e sem grandes ventos fortes, mantêm a bicicleta embalada e fica mais fácil manter ritmos destes… até as pernas dizerem chega!

 

A geometria de competição mantém-se inalterada face à SL8: ângulo de direção de 73,5° e uma distância entre-eixos curta. A inserção em curva é cirúrgica e rápida. Não é uma frente hipernervosa, mas exige concentração: pequenas correções no guiador traduzem-se de imediato em mudanças de linha. Ainda para mais, um guiador de 40cm exige um pouco mais de “tacto” que o de 42cm da SL8. 

 

Em termos de amortecimento de vibrações, o quadro em si é rígido, mas o volume de ar proporcionado pelos pneus de 30 mm a pressões entre 55 e 65 PSI (para os meus 80kg) filtra o asfalto degradado disfarçando um pouco o caráter racing da Tarmac.

VEREDICTO: JUSTIFICA O UPGRADE?

Para quem tem uma SL8, o upgrade racional não se justifica. O ganho de 4W a velocidades dos prós, não é percetível sem recurso a telemetria avançada. Se eu dissesse que notava, ou tinha uma sensibilidade fora do normal ou seria mentiroso! Já a questão estética pode ser importante, especialmente na frente, com a forqueta agora alinhada com a testa, algo que eu, e muitos, não apreciavam na SL8. E a existência de uma versão S-Level pode ser também um ponto interessante a considerar nesta geração da Tarmac.

Para quem vem da SL7 (ou gerações anteriores) a transição é substancial. O salto em conforto (graças ao quadro e agora com a passagem para pneus 30 mm), a redução drástica de peso no conjunto e a resposta nas acelerações mudam por completo a experiência de condução. Se não compraste a 8 porque não gostaste da parte dianteira, agora pode ser a altura!

 

CONCLUINDO…

A S-Works Tarmac SL9 consolida-se como uma das máquinas de estrada mais completas do mercado mundial, para muitos sendo a atual referência no segmento. Não reinventa o conceito de bicicleta de competição, mas afina a fórmula até ao limite técnico permitido pela engenharia atual. As alterações que sofreu, isoladamente, podem não parecer expressivas. Mas juntas contribuem para uma pequena redução de peso e aumento de rigidez. Os ganhos aerodinâmicos farão diferença a meia dúzia de pessoas no mundo. E temos ainda a questão estética, que quanto a mim saiu melhorada. Portanto tudo somado até justifica sentar-me à mesa com a esposa, depois de ser eu a cozinhar, e explicar que tenho um upgrade em vista!!

 

FICHA TÉCNICA

Quadro: S-Works Tarmac SL9 FACT 12r Carbon
Forqueta: S-Works FACT 12r Carbon (Flow Fork)
Tamanhos: 44, 49, 52, 54, 56, 58, 61
Pedaleiro: SRAM RED AXS com potenciómetro Quarq, 50/37D 
Desviador tras.: SRAM RED AXS E1, 12v
Desviador diant.: SRAM RED AXS E1 
Manípulos: SRAM RED AXS E1 
Corrente: SRAM RED 12v (Flattop)
Rodas: Roval Rapide CLX III (51mm frente / 48.5mm trás)
Cassete: SRAM RED XG-1290, 10-33, 12v
Pneus: Specialized RapidAir TLR (ou Turbo Cotton), 700x28c / 700x30c
Travões: SRAM RED AXS (disco hidráulico)
Guiador: Roval Rapide Cockpit
Avanço: Integrado (Roval Rapide Cockpit)
Espigão: S-Works Rapide Carbon
Selim: S-Works Power com Mirror
Peso: 6.69kg (com suporte de GPS e grades, sem pedais)
Preço: 12.299€

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