Os nossos colegas de redação já tinham experimentado esta nova versão da MMR em Espanha, mas finalmente tivemos a oportunidade de a testar em exclusivo nacional em solo luso.
Esteticamente é mais bonita ao vivo do que nas fotografias e não deixa ninguém indiferente. As cores são um tributo ao patrocinador principal da equipa de Iúri Leitão, a Caja Rural, que este ano se vai estrear na Volta a França.
Quanto ao quadro e à forqueta, são fabricados em carbono de alto módulo, o que se traduz em maior rigidez. Tanto o tubo diagonal como o horizontal são sobredimensionados enquanto as escoras traseiras são bastante mais finas.
Mas o detalhe principal reside no sistema de aperto do espigão de selim. Em vez de se basear na tradicional abraçadeira, a MMR optou por um parafuso de titânio. Confessamos que inicialmente pensámos ser um sistema menos fiável, mas a verdade é que o espigão nunca baixou, mesmo com os nossos "generosos" 88 kg!
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PERIFÉRICOS DE EXCELENTE QUALIDADE
Nesta bicicleta não há nenhum periférico que tenha nota negativa. Todos são de marcas conhecidas e com destaque para a fibra de carbono. Por exemplo, as rodas são as Vision SC com 45 mm de perfil e os pneus são os afamados Vitoria Corsa Pro de 30 mm.
A transmissão foi confiada ao grupo eletrónico Shimano Ultegra Di2, com 52-36 à frente e 11-34 atrás.
O cockpit fabricado numa só peça é outro dos componentes escolhidos a dedo. Trata-se do Vision Metron 5D SME Evo, que não só ajuda a filtrar as vibrações da estrada, como permite variar a posição das mãos.
O espigão também é em carbono - trata-se do FSA K-Force de 27,2 mm - e o selim é o Selle Italia SLR Advan L1, um modelo que, embora tenha carris em aço, inclui sistema de amortecimento, portanto apto para longas distâncias.
DA TEORIA À PRÁTICA
O desenvolvimento deste novo quadro em carbono de alto módulo serviu, sobretudo, para dar à equipa uma bicicleta superleve, capaz de ombrear com as melhores. Já tivemos a oportunidade de testar praticamente todas as bicicletas de topo e dizemos sem qualquer hesitação que esta Adrenaline SL está ao mesmo nível. Tal como acontece atualmente nas grandes marcas, a MMR adotou uma geometria que não é demasiado competitiva nem excessivamente relaxada. Porquê? Porque as provas atuais são sempre "com a faca na garganta", isto é, o ritmo é sempre muito alto, portanto é preciso uma bicicleta que permita manter um andamento alto, mas sem massacrar demasiado as costas, e que, ao mesmo tempo, não seja excessivamente permissiva, o que poderia comprometer a aerodinânica e a performance geral. Este compromisso está muito bem concebido nesta bicicleta e quando ultrapassamos a barreira das 3h a pedalar não sentimos o desgaste tradicional das bicicletas racing.
Rolar a mais de 30 km/h é muito fácil com esta bicicleta, fruto de um conjunto rígido, mas com tolerâncias bem medidas. As excelentes rodas Vision ajudam, bem como os pneus de 30 mm. A cereja no topo do bolo acontece quando nos levantamos do selim para mudar de velocidade ou ultrapassar uma pequena subida. É notória a rigidez geral, e a cada pedalada sentimos a bicicleta avançar, algo que só acontece em bicicletas de muito boa qualidade.
O rácio da transmissão - 52-36 e 11-34 - é suficiente para a maioria das situações, embora seja algo limitativo para os menos treinados. Quanto à fiabilidade, é altíssima. Não só porque todos os componentes são de marcas de topo, mas também porque não existem discrepâncias entre as expetativas iniciais e aquilo que a bicicleta oferece. Curva muito bem, fruto dos generosos pneus de 30 mm da Vittoria - embora possam ser instalados uns de 32 mm - e como as rodas Vision têm uma largura acentuada, sentimos um equilíbrio adicional.
Em estradas muito degradadas o comportamento não é tão premium, mas nesse caso se instalarmos uns pneus de 32 mm com menos pressão resolvemos o problema. Nesta bicicleta só dois detalhes entraram na lista de pontos a rever. O primeiro tem a ver com a opção de um eixo Press Fit. Estes eixos requerem uma atenção mais redobrada e mais manutenção do que os eixos de rosca. O segundo aspeto tem a ver com o selim. Este modelo - Selle Italia SLR Advan - é novo e neste caso trata-se da versão sem abertura central. Confessamos que em treinos longos sentimos um ligeiro desconforto, fruto da espuma de baixa densidade. Há versões SLR com mais almofadado.
PREÇO QUE ENVERGONHA MUITAS RIVAIS
Como já referimos, o seu comportamento está ao nível das melhores bicicletas que já testámos, mas o seu preço é inferior ao de mais de 80% das marcas rivais. E esta nem sequer é a versão topo de gama (há dois modelos acima). Com esta montagem e no tamanho L pesa 7,84 kg - no M o peso ronda os 7kg - e custa 4.730€, um excelente valor tendo em conta tudo a que temos direito.
O seu quadro topo de gama, a fiabilidade da transmissão eletrónica Shimano, o sistema de travagem super fiável e os periféricos de marcas consagradas ajudam a um comportamento que se torna aditivo. Graças a ela, passámos dias a tentar bater recordes pessoais e a sentirmo-nos abençoados por termos a possibilidade de testar uma bicicleta fantástica, que a partir de Junho será conhecida em todo o mundo graças à Volta a França.
Aspetos positivos: rigidez, leveza e facilidade de atingir altas velocidades. Escolha criteriosa dos componentes. Fiabilidade geral.
Aspetos a melhorar: eixo Press Fit e selim.
FICHA TÉCNICA
OPÇÕES NA GAMA
Adrenaline 10 - Este modelo está disponível do XS ao XL - ao contrário da versão Team que testámos, que exclui o XS e o XL - e a principal diferença reside nas rodas - esta traz DT Swiss ERC 1400 45 -, e nos pneus (neste caso inclui os leves Hutchinson Blackbird TLR de 30 mm). Custa 5.430€.
Adrenaline 00 - Este é o modelo topo de gama e inclui uma transmissão Dura Ace Di2 com medidor de potência integrado - a configuração das cremalheiras é a mesma das versões anteriores e no caso dos carretos adota 11-30 -, rodas Vision Metron RS 45, pneus Hutchinson Blackbird Race TLR de 30 mm e espigão Vision Metron RS. Custa 7.665€.









