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TESTE Beeq B400 Urban Motion

As bicicletas elétricas estão a atingir valores muitas vezes incomportáveis para a carteira dos portugueses. Mas se procuras uma bicicleta para as tuas deslocações diárias que possua o básico e não te deixe na penúria, esta Beeq por 1.600 euros pode ser uma boa opção. E nem aparenta sequer ser elétrica…

Carlos Almeida Pinto / Fotos: Luís Duarte

TESTE Beeq B400 Urban Motion
TESTE Beeq B400 Urban Motion

As vantagens de ir de bicicleta para o trabalho são sobejamente conhecidas, mas a verdade é que nem todos têm as condições ideais para enveredarem por esta via. A chegada das bicicletas elétricas abriu um novo horizonte, requerendo menos esforço físico nas deslocações, devido à ajuda de um motor, cuja bateria pode ser recarregada em qualquer tomada tradicional.

No entanto, o mercado está inundado de ofertas dentro deste segmento, algumas delas com preços incomportáveis para a carteira dos portugueses. A Beeq, marca portuguesa sedeada no norte do país, possui uma gama cada vez maior de opções e esta B400 Urban Motion que testámos, é das mais baratas do catálogo e, ao mesmo tempo, das mais polivalentes.

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MUITO POR POUCO

Disponível em três tamanhos (S, M e L), o quadro e a forqueta são fabricados em alumínio com soldas bastante robustas. Por não possuir tubo horizontal, é muito fácil montar/desmontar da bicicleta e esta é das vantagens deste tipo de configuração. Na lista de periféricos não faltam guarda-lamas, luz dianteira e traseira autoalimentadas pela bateria da bicicleta, suporte para alforges, campainha, descanso, punhos ergonómicos e avanço ajustável em altura.

Nesta faixa de preço, é quase imbatível e estamos a falar de acessórios de qualidade bem montados e não de material de qualidade duvidosa. A escolha dos pneus é acertada, dado que a Beeq optou pelos robustos e aderentes Continental Contact Cruiser, apesar de no catálogo referir que de origem traz uns Double Fighter III. Os travões são de disco com funcionamento hidráulico e embora nunca tenhamos testado a marca Alhonga, a verdade é que durante todo o teste mostraram ser eficazes, com discos de 180 mm nas duas rodas.

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MOTORIZAÇÃO

O motor é um Bafang H400B alojado no cubo traseiro com um torque máximo de 45 Nm. É um torque reduzido, mas só o notamos quando temos pela frente subidas mais longas e com pendente elevada. Além disso, possui um delay quando paramos, ou seja, o motor só engata passados alguns segundos de retomarmos o andamento, o que em subidas (ou com uma desmultiplicação mais elevada) obriga a um esforço momentâneo.

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Percebemos o conceito, que serve no fundo para precaver um arranque descontrolado em retas ou descidas, mas que em subidas prejudica um pouco. Em todo o caso, na larga maioria das situações não teremos qualquer problema, dado que a potência de 250 w deste Bafang chega para as agruras do dia a dia. Por seu lado, a bateria de 36V (360Wh) é sobretudo indicada para quem faz deslocações de curta/média duração ou para quem tem acesso a pontos de carregamento no destino.

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Esta bateria não pode ser retirada do quadro (onde está alojada), o que evita ser roubada pelos amigos do alheio. O sistema inclui um LCD da Bafang onde podemos monitorizar o estado da bateria, o modo de assistência escolhido (tem cinco, para além do walk assist), o histórico de quilómetros percorridos, a velocidade instantânea, média e máxima e uma estimativa dos quilómetros que podemos percorrer com os modos selecionados. Este display, no fundo, engloba tudo, já que possui um botão on-off e dois botões (mais e menos) que alternam os modos de assistência e permitem ligar/desligar as luzes.

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O sistema vem de fábrica com o modo auto-poupança de energia, portanto se estivermos algum tempo com o display ligado, mas não pedalarmos, desliga-se automaticamente. Obviamente, quanto mais elevado for o modo de assistência que estivermos a usar, mais rapidamente gastaremos a bateria, mas numa volta típica de cidade casa-trabalho com 12 km para cada lado, com algumas subidas pelo meio, usámos pouco menos de metade da bateria, intercalando o modo 2, 3, 4 e esporadicamente o 5. Ou seja, em duas viagens casa/trabalho semelhantes, quase esgotaremos a carga. Se formos mais “poupados”, provavelmente uma carga chegará aos 85 ou 90 km no total, no modo mais básico.

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O torque do motor permite manter uma velocidade média estável de 25 km/h no modo 2 num percurso plano, o que é uma agradável surpresa num motor com 45 Nm montado numa bicicleta que pesa 22 kg no tamanho L, com um ciclista que pesa cerca de 88 kg.

ARMAZENAMENTO

As bicicletas elétricas são o meio de transporte ideal em deslocações de curta/média duração, mas nem todos têm garagens onde as possam guardar. Vamos ser sinceros, o peso de 22 kg não é propriamente convidativo a quem mora num prédio sem elevador. Subir escadas com a bicicleta à mão é penoso, por isso pondera bem se tens uma arrecadação com acesso à rua ou garagem antes de comprares.

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COMPORTAMENTO

A B400 tem uma posição de condução erguida, confortável, muito ajudada por uma geometria bem pensada, com punhos ergonómicos, um guiador sobreelevado e um avanço com ajuste de altura. Tudo está montado de forma harmoniosa e robusta, por isso basta sentar, pedalar, sem complicações. O chão está húmido da chuva? Perfeito, possui guarda-lamas. Estou de fato? Ótimo, tem protetor de corrente e entrada lateral, por isso, não há stress. Preciso de levar documentos? Basta colocar um alforge no suporte e fazer-me ao caminho… Se anoitecer, basta ligar as luzes, sendo a frontal ajustável, e ambas proporcionam uma iluminação de qualidade, sem encadear o trânsito no sentido oposto.

Andámos em ciclovias, estradas em mau estado, descemos e subimos passeios, rolámos em empedrado e mesmo em caminhos de terra e os pneus nunca furaram ou perderam tração. A transmissão é de gama baixa (Shimano Altus, 11-36), mas se estiver sempre afinada cumpre o seu propósito. Os travões também são potentes e nunca sobreaqueceram, fruto dos discos de 180 mm.

Quanto ao selim, dividiu opiniões na nossa redação. Uns gostaram da sua construção em gel, outros preferiam uma solução mais volumosa e macia. Em todo o caso, é uma opinião pessoal. No cômputo geral, é uma bicicleta com virtudes mais do que suficientes para a utilização a que se destina e com um preço perfeitamente justo, tendo em conta os periféricos enumerados. Aparenta ser uma bicicleta que requer pouca manutenção (embora as bicicletas elétricas sejam sempre alvo de mais desgaste na transmissão), e é precisamente isso que o público-alvo deste tipo de e-bikes pretende. E se aproveitares o apoio do Fundo Ambiental, ainda podes receber de volta uma parte do valor investido nesta bicicleta.  

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PONTOS POSITIVOS: Montagem equilibrada. Relação preço/qualidade. Bons acabamentos.

PONTOS A MELHORAR: Gostaríamos que a roda dianteira tivesse eixo passante.

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FICHA TÉCNICA

  • Quadro: alumínio hidroformado
  • Forqueta: alumínio
  • Motor: Bafang H400B com 45Nm (250W)
  • Bateria: 36V, 360 Wh
  • Pedaleiro: Miranda, 38D
  • Desviador: Shimano Altus Shadow
  • Manípulo: Shimano Altus Rapidfire
  • Cassete: Shimano HG201, 9 vel, 11-36
  • Corrente: Shimano HG53
  • Travões: Alhonga
  • Direção: semi-integrada 1 1/8
  • Avanço: Ahead
  • Guiador: Satori
  • Punhos: GP1L
  • Selim: Selle Royal Rio Gel
  • Espigão de selim: Zoom
  • Rodas: alumínio
  • Pneus: Continental Contact Cruiser
  • Peso: 22.05 kg (tamanho L)
  • Tamanhos: S, M e L
  • Pedais: Neco, com refletores
  • Preço: 1.599€
  • +INFO: RTE, https://pt.beeq-bicycles.com

Arquivado em:

Portuguesa Beeq lança novo modelo ainda mais barato

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