Ao longo de cinco dias de corrida, o pelotão atravessará 25 municípios das quatro sub-regiões alentejanas, reforçando o alcance territorial da prova e a ligação da competição às comunidades locais. A apresentação oficial da prova decorreu esta terça-feira, no Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, numa sessão que reuniu representantes das entidades organizadoras, parceiros institucionais e autarquias envolvidas.
Organizada pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo, a Emesports e a União Ciclista Internacional (UCI), a Volta ao Alentejo volta a mobilizar municípios, comunidades intermunicipais, empresas e população local em torno de um projeto que combina competição desportiva com promoção territorial. Criada em 1983, a “Alentejana” integra desde 2005 o calendário internacional UCI Europe Tour, atraindo equipas e corredores nacionais e internacionais. Ao longo da sua história, a prova recebeu alguns dos grandes nomes do ciclismo mundial, entre os quais Miguel Indurain, vencedor da edição de 1996.
Segundo o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, esta edição marca também um novo momento no percurso da prova: “A Volta ao Alentejo ocupa um lugar muito especial na história do ciclismo português e na identidade desportiva da região. A edição de 2026 assinala um novo ciclo, com a Federação Portuguesa de Ciclismo a assumir diretamente a organização da prova, reforçando o nosso compromisso com o crescimento e a valorização desta competição.”
O dirigente destacou ainda o novo modelo de cooperação que sustenta a prova: “Este é também um projeto construído em rede com as Comunidades Intermunicipais do Alentejo, os municípios e o Turismo do Alentejo, que permitirá reforçar a projeção mediática da corrida e a promoção do território."
“A Volta ao Alentejo é a prova de que, quando se trabalha em conjunto, é possível concretizar projetos de grande dimensão e impacto para o território. Com 43 anos de história, demonstra uma notável resiliência e uma identidade muito própria, profundamente ligada à região. Este ano, com transmissão em direto na RTP, teremos ainda a oportunidade de levar a beleza e a diversidade do Alentejo a uma audiência significativamente mais alargada.”, referiu Carlos Zorrinho, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC).
“A Volta ao Alentejo é uma verdadeira montra do território, o que representa para todos os autarcas um compromisso contínuo com o seu apoio e valorização. Trata-se de uma competição que coloca o Alentejo na retina de milhares de pessoas em todo o país. Somos uma região com uma forte tradição no ciclismo e com uma ambição clara de afirmação através do desporto.”, destacou João Maria Grilo, presidente da Câmara Municipal do Alandroal.
“A Volta ao Alentejo é um evento de referência para o turismo regional, sendo um exemplo do trabalho em rede entre municípios, comunidades intermunicipais e organização. Para além da sua dimensão desportiva, é uma iniciativa que contribui para a valorização do território, gerando riqueza e promovendo, junto de diferentes públicos, a autenticidade e diversidade do Alentejo.”, salientou Manuela Murteira, em representação do Turismo do Alentejo.
PELOTÃO DIVERSIFICADO
A edição de 2026 da Volta ao Alentejo volta a reunir um pelotão diversificado, composto por 20 equipas, entre formações continentais UCI e equipas de clube. A presença de equipas de desenvolvimento de formações WorldTour - UAE Team Emirates Gen‑Z, EF Education–Aevolo, Movistar Team Academy e NSN Development Team, reforça a competitividade da corrida e confirma o papel da “Alentejana” como plataforma de afirmação para alguns dos jovens mais promissores do ciclismo internacional.
A última edição confirmou essa tendência, com a vitória de Noah Hobbs, na altura com 20 anos, ao serviço da EF Education–Aevolo. O jovem britânico venceu duas etapas e vestiu de amarelo do primeiro ao último dia da prova, tendo ainda vencido as classificações da juventude e dos pontos. Em 2026 deu o salto para o WorldTour, passando a integrar em definitiva a EF Education-EasyPost.
Na história recente da “Alentejana”, de resto, são vários os exemplos de vencedores que se vieram a destacar no panorama internacional, com destaque para nomes como Orluis Aular (2022 e 2023), Enric Mas (2016) e Jasper Stuyven (2013), todos no WorldTour atualmente.
LISTA DE EQUIPAS
Continentais UCI: Anicolor/Campicarn (POR), Aviludo‑Louletano‑Loulé (POR), Credibom/LA Alumínios/Marcos Car (POR), Efapel Cycling (POR), Feira dos Sofás‑Boavista (POR), GI Group Holding‑Simoldes‑UDO (POR), Óbidos Cycling Team (POR), Tavfer‑Ovos Matinados‑Mortágua (POR), Team Tavira/Crédito Agrícola (POR), UAE Team Emirates Gen‑Z (UAE), EF Education‑Aevolo (USA), Movistar Team Academy (ESP), NSN Development Team (SUI)
Equipas de Clube: Inovocorte Cycling (POR), Porminho Team Sub‑23 (POR), Santa Maria da Feira/Moreira/Bolflex/E.Leclerc (POR), Earth Consulters/Maia/Frutas Monte Cristo (POR), High Level‑Gsport‑Grupo Tormo (ESP), Cortizo‑Club Ciclista Padronés Cortizo (ESP), Caja Rural‑Alea (ESP)
ETAPAS
A edição de 2026 será composta por cinco etapas, incluindo um contrarrelógio individual, que no total somam 675,9 KM
A etapa mais longa da prova desenvolve-se num percurso maioritariamente plano, o que poderá favorecer uma chegada ao sprint. Prevê-se, por isso, um final rápido e disputado entre os velocistas do pelotão.
Com apenas uma contagem de montanha de 3.ª categoria, a etapa deverá ser novamente rápida. A maior dificuldade estará na aproximação final à meta, marcada por um último quilómetro técnico e pelos derradeiros 400 metros em subida e empedrado, até ao Castelo de Montemor-o-Novo.
A terceira etapa será disputada sob a forma de contrarrelógio individual, num percurso de 23,9 quilómetros essencialmente plano e sem grandes dificuldades técnicas, o que poderá favorecer os especialistas nesta disciplina. O último quilómetro percorre as tradicionais ruas empedradas da vila do Crato.
Considerada a etapa rainha da Volta ao Alentejo, este dia inclui três contagens de montanha, uma delas de 1.ª categoria, coincidente com a meta nas Antenas da Serra de São Mamede. Após uma primeira passagem por Portalegre, o pelotão inicia a subida até ao Alto do Souto da Relva (700 metros de altitude), onde estará instalada uma contagem de montanha de 2.ª categoria, seguindo depois para o Alto das Reveladas, para disputar nova contagem. O regresso a Portalegre antecede a subida final até às Antenas da Serra de São Mamede, situadas a 1.008 metros de altitude, onde poderá ficar praticamente decidida a classificação geral.
A última etapa liga Moura a Évora e termina na emblemática Praça do Giraldo, no centro histórico da cidade. O percurso, com passagem pela região do Alqueva, é maioritariamente plano e sem dificuldades montanhosas. Ainda assim, a aproximação à meta promete ser exigente, com um final técnico nos últimos cinco quilómetros, que poderá provocar cortes no pelotão.
TRANSMISSÃO TELEVISIVA
Uma das principais novidades desta edição é a transmissão televisiva em direto das cinco etapas na RTP2, num acordo estabelecido por três anos. A parceria assegura mais de seis horas de emissão em direto, levando a emoção da corrida e as paisagens do Alentejo a todo o país. O plano de promoção inclui ainda 40 autopromoções nos canais da RTP, a emitir nos dias que antecedem a prova.
Mais do que uma competição desportiva, a Volta ao Alentejo afirma-se como um importante instrumento de promoção da região, envolvendo nove municípios anfitriões: Sines, Almodôvar, Ferreira do Alentejo, Montemor-o-Novo, Crato, Vila Viçosa, Portalegre, Moura e Évora. A prova conta com o Crédito Agrícola como patrocinador principal e com o apoio de parceiros institucionais como o Turismo do Alentejo e as quatro Comunidades Intermunicipais do Alentejo, além de patrocinadores como Delta Cafés e A. MatosCar, parceiro de mobilidade da 43.ª Volta ao Alentejo.









