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Raquel Queirós: da terra batida olímpica para o salto continental na estrada

Raquel Queirós passou anos a viver entre a terra batida, o pó e os trilhos do cross-country. Agora, aos 26 anos, escolhe focar-se na estrada, e sente que regressou ao ciclismo no momento certo.

Juliana Reis. Fotos: Facebook Raquel Queirós, Marco Barbosa e Specialized

Raquel Queirós: da terra batida olímpica para o salto continental na estrada
Raquel Queirós: da terra batida olímpica para o salto continental na estrada

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Natural de Vila do Conde, a ciclista portuguesa construiu uma carreira pouco comum pela sua amplitude: estrada, ciclocross, BTT e provas de fundo. Foi olímpica no XCO em Tóquio 2020, onde terminou em 27.º, e em Paris 2024, onde foi 29.ª. Depois de duas presenças olímpicas e de vários anos dedicados ao BTT, decidiu que era altura de mudar de rumo.

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Quando lhe pedem para escolher o momento que melhor a define como ciclista, a resposta surge sem hesitação: os Jogos Olímpicos. “Definem exatamente a resiliência, o foco e a determinação. Acho que são as palavras certas.”

UM RECOMEÇO NA ESTRADA

No final de 2024, Raquel admitia que a motivação já não era a mesma. Tinha dado ao BTT tudo o que tinha: cinco anos como profissional, três deles em equipas profissionais, dois Jogos Olímpicos, Taças do Mundo e Mundiais. Sentia que não tinha margem para continuar a evoluir como gostaria.

“Foi aí que surgiu a oportunidade de correr pela equipa Atum General/Tavira, que foi a minha casa durante estes dois últimos anos e me deu a oportunidade de crescer e aprender”, explica a ciclista.

A transição não foi um abandono, mas um recomeço. A estrada devolveu-lhe aquilo que o XCO já não lhe dava: espaço para melhorar, novos objetivos e a sensação de estar a começar outra vez. Nos Jogos do Mediterrâneo de Taranto 2026, disputou o contrarrelógio e a prova em linha, terminando em 9ª no contrarelógio e 13ª na corrida de fundo.

Apesar das diferenças entre as disciplinas, Raquel não sentiu uma rutura profunda na preparação. A versatilidade que desenvolveu ao longo dos anos permitiu-lhe conciliar BTT e estrada durante duas épocas inteiras, antes de escolher definitivamente o asfalto.

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O SALTO PARA A SMURFIT WESTROCK

Esse percurso valeu-lhe agora o primeiro contrato com uma equipa continental. A Smurfit Westrock Cycling Team, formação britânica de nível UCI Continental, anunciou a contratação de Raquel Queirós para a próxima temporada.

Para a portuguesa, trata-se de um passo decisivo. Vai ter acesso a um calendário mais exigente, com mais provas UCI e tipos de corrida diferentes daqueles a que estava habituada no circuito nacional. A equipa apresenta-se estruturada, com um grupo coeso de atletas, condições que Raquel considera essenciais para continuar a descobrir que ciclista pode vir a ser.

O objetivo imediato passa por aprender. Mas há um desejo mais concreto: o Campeonato Nacional de Estrada. “Gostava mesmo, um dia, de poder vestir a camisola nesta vertente”, admite.

A gestão da carreira também mudou com a entrada de um agente. Mais do que um intermediário, o agente funciona como um apoio estratégico, alguém que conhece o mercado, antecipa decisões importantes e ajuda a proteger os interesses da atleta. Num desporto tão exigente e instável como o ciclismo, este apoio reduz a pressão e permite tomar escolhas com mais clareza e segurança.

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Para Raquel, ter alguém a tratar da comunicação com equipas, contratos e negociações retirou-lhe uma responsabilidade que consumia energia. “O Aschwin Kruders  é uma pessoa muito compreensiva e tem a sensibilidade necessária para ajudar em todos os momentos e temas”, afirma. Com essa parte assegurada, pode concentrar-se no que realmente interessa: treinar, competir e render ao máximo.

O CICLISMO FEMININO EM PORTUGAL

Raquel acompanhou de perto a transformação do ciclismo feminino português nos últimos dois anos, na equipa algarvia Atum General/Tavira. Vê avanços claros, ainda que reconheça a distância que separa Portugal de outros países: “O Tavira foi, sem dúvida, uma surpresa e tem condições muito boas para uma equipa de clube”, refere. Agradecida às duas estruturas pelas oportunidades recebidas, sente que chegou ao próximo degrau da carreira.

Esse percurso também lhe mostrou o quanto depende de quem acredita nos atletas. “Sem dúvida que, sem eles, não seria possível. Não tem sido um caminho fácil, mas sem eles seria completamente impossível”, diz sobre os apoios e parceiros que a acompanharam.

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FORA DO CICLOCROSSE, POR AGORA

Esta temporada, Raquel não vai regressar ao ciclocrosse. Deixou a disciplina há alguns anos e prefere usar o final do ano para preparar melhor a época seguinte, e para recuperar tempo com a família, longe das corridas e das viagens.

Depois de Tóquio e Paris, Raquel Queirós encara a estrada como uma segunda vida no ciclismo. Desta vez, com mais experiência, menos pressão e a convicção de que ainda tem muito por percorrer.

A história de Raquel Queirós mostra que uma carreira no ciclismo raramente avança em linha reta. Há anos de sacrifício, momentos de dúvida e decisões que podem parecer um ponto final, mas que acabam por abrir portas inesperadas.

Raquel Queirós vai representar a equipa Smurfit Westrock na próxima temporada
 

Ao trocar o XCO pela estrada, a portuguesa não abandonou o desporto, encontrou uma nova forma de o viver. Com a experiência que acumulou, o apoio de quem acreditou nela e agora o primeiro contrato com uma equipa continental, chega a esta nova etapa mais madura e consciente do seu valor.

O objetivo já não é apenas provar que pertence ao mais alto nível, mas continuar a crescer, a aprender e a mostrar que o seu melhor capítulo pode estar ainda para vir.


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