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TESTE Specialized S-Works CruX 2022

A Specialized aumentou a polivalência da sua bicicleta de ciclocrosse, que agora passa a ser compatível com o gravel devido à passagem de roda mais ampla. Mas, ao mesmo tempo, não perdeu as suas aspirações desportivas, fruto de um quadro ultraleve.

Joaquín Calderón / Fotos: Etienne Schoeman

TESTE Specialized S-Works CruX 2022
TESTE Specialized S-Works CruX 2022

A grande popularidade que o gravel está a ter fez com que as marcas reforçassem as suas gamas, segmentando-as. 

Entre as bicicletas mais rápidas, que previsivelmente serão as que iremos ver a partir de agora nas provas menos técnicas e nas recém anunciadas UCI Gravel Series, há uma que já está a dar que falar. Referimo-nos à Specialized CruX que deixa de lado o seu passado como bicicleta específica de ciclocrosse e abraça o gravel com duas características que a destacam: um espaço mais amplo na passagem da roda para permitir a montagem de pneus de até 47 mm (ou 2.1" no caso de 27,5") e, sobretudo, um quadro superleve que pesa apenas 725 gramas e que é inspirado no Aethos, tanto em termos de design como em termos de processo de fabrico, pois utiliza uma fibra de carbono específica em cada zona do quadro para evitar excessos de material onde não é necessário. Pode parecer que não, mas estes dois aspetos influenciam - e muito - o seu comportamento. 

 

É a bicicleta de gravel mais leve que testámos, proporcionando um andamento muito rápido em terrenos compactos. Devido à sua leveza, é muito fácil de manejar, assemelhando-se muito a uma bicicleta de estrada. Na parte dianteira, obviamente estamos algo condicionados devido ao tubo de direção muito curto, mas como este modelo permite colocar pneus de 42, 45 ou 47 mm, esse condicionamento é menor. 

A decisão da Specialized em colocar os cabos externamente pode não ser do agrado de alguns clientes finais, mas a redução de peso, na nossa opinião, faz esse pormenor valer a pena. Além disso, facilita a manutenção. É uma bicicleta simples, sem roscas para colocar alforges, bolsas ou guardalamas, apenas o básico para rolar ao máximo das tuas capacidades. 

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EVOLUÇÃO

A Specialized introduziu a CruX com quadro em carbono no seu catálogo no início da última década. Nessa altura, o primeiro modelo apresentado era no fundo uma evolução da TriCross, mas somente em meados de 2012 é que a marca californiana apostou verdadeiramente nesta plataforma com um quadro que adotava as formas da Tarmac, mas com uma geometria específica. O clímax da gama CruX chegou em 2012 com Zdenek Stybar, que nessa altura já tinha sido Campeão do mundo de ciclocrosse duas vezes (2010 e 2011) - e que dava definitivamente o salto para a estrada através da Quick Step. 

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Stybar

Stybar acompanhou-nos durante alguns quilómetros na apresentação da nova CruX em Lovaina.

Nessa temporada o eslovaco estreou uma icónica CruX com pintura rosa e dois anos depois, em 2014, foi proclamado Campeão do Mundo em Hoogerheide pela terceira vez, batendo Sven Nys e Kevin Pauwels. Foi histórico, não só para a Specialized, já que foi o último Mundial antes da ditadura de Van der Poel e Van Aert. 

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DESPORTIVA

A aposta da Specialized na CruX é diferente da Diverge. Segundo a marca, a Diverge destina-se a um tipo de cliente que prefere uma bicicleta mais versátil e cómoda. É verdade que a Diverge conta com o sistema Future Shock, que oferece até 2 cm de amortecimento na direção e que foi notavelmente melhorado na sua versão mais recente, com a possibilidade de ser quase bloqueado, mas durante os nossos testes nos arredores de Lovaina, não achamos que tenhamos perdido assim tanto conforto como seria suposto. 

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A nossa volta mais longa durou pouco mais de 4 horas, mas as sensações de leveza e agilidade da nova CruX são tão exageradas que acreditamos que merece a pena prescindir do Future Shock se for esse o ponto que te faz ficar em dúvida se deves comprar uma ou a outra. A zona traseira é bastante confortável e absorvente, inclusive com os pneus Pathfinder de 38 mm, e parte desse conforto vem das escoras finas e altas, mas também temos de agradecer ao selim S-Works Romin EVO Mirror. Outra novidade que a marca desenvolveu juntamente com a nova CruX foi o guiador Roval Terra, com uma abertura de 12 graus que permite uma postura muito natural quando agarramos os drops. 

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O novo selim Romin EVO Mirror contribui para a sensação de conforto do triângulo traseiro.

AETHOS +?

A primeira impressão com que fiquei após ver a nova CruX foi que parecia uma Aethos com rodas e pneus diferentes. Se até agora a CruX se assemelhava à Tarmac, a nova versão é muito similar à Aethos, com as evidentes diferenças em termos de geometria. 

CruX 2022
 

As semelhanças não se limitam às linhas minimalistas, com tubos redondos e escoras altas, mas também em termos de processo de fabrico. A Specialized destaca que nesta nova CruX foram adotados os resultados das investigações de Peter Denk em termos de formatos e eliminação de camadas sobrepostas, as quais resultaram - como se sabe - no lançamento da Aethos. No caso desta CruX, com quadro S-Works, pesa somente 725 gramas no tamanho 56 e 825g na versão Pro e Expert, o que significa uma redução de peso a rondar os 150g face ao modelo anterior. 

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MAIS DETALHES

A versão anterior podia ser montada com pneus de 40 mm, embora no lançamento em 2017 a Specialized defendesse que a medida máxima eram 33 mm (a medida máxima permitida pela UCI em bicicletas de ciclocrosse). Agora, a CruX pode ser montada com pneus de até 47 mm graças ao aumento do espaço disponível na forqueta e na parte traseira.

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De série, os quatro modelos são equipados com pneus Pathfinder Pro de 38 mm, um modelo que rola muito bem em pisos compactos e em estrada devido à ausência de tacos na parte central, mas que na nossa opinião fica um pouco curto se quisermos explorar singletracks ou trilhos mais técnicos. Optaríamos por uns Tracer de 42 mm nas duas rodas.

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ELETRÓNICA

A nova CruX está disponível em quatro montagens: S-Works, com grupo SRAM Red eTap AXS; Pro, com SRAM Force eTap AXS; Expert, com SRAM Rival eTap AXS; e Comp, com SRAM Rival 1X. Todos estes modelos trazem monoprato e as três versões superiores incluem grupos AXS de 12 velocidades, utilizando os novos desviadores traseiros XLPR da SRAM que permitem montar cassetes 10-44. 

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Existe a possibilidade de instalar um desviador dianteiro graças à fixação situada no tubo vertical, mas neste caso só será possível utilizar grupos eletrónicos Di2 ou eTap, já que o quadro não possui orifícios para os cabos. Em todas as montagens incluem pratos de 40 dentes, uma opção equilibrada tendo em conta o rácio que as novas cassetes da SRAM proporcionam, embora consideremos que seria uma boa opção ter uma montagem com dupla cremalheira - com Shimano GRX Di2, por exemplo - para aumentar a sua polivalência.

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GEOMETRIA

A grande pergunta, quando analisamos as aspirações em termos de gravel da CruX, é como é que estas alterações geométricas podem afetar o seu comportamento tradicional em ciclocrosse. Na prática, as mudanças são reduzidas, senão vejamos: o comprimento entre eixos cresceu 3 mm, as escoras e o ângulo da forqueta mantêm-se inalterados, enquanto o Stack foi reduzido em 6 mm, porque o tubo da direção agora é mais curto (130 mm, enquanto antigamente tinha 140 mm). A altura do pedaleiro também aumentou 3 mm e o alcance é maior - entre 6 e 13 mm, dependendo do tamanho -. 

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Logicamente, nesta apresentação o perfil gravel foi potenciado e não a testámos num circuito de ciclocrosse com curvas apertadas, obstáculos, muita lama, etc. Mas a geometria difere pouco das versões anteriores e no mercado já existiam bicicletas de CX com um conceito similar (talvez a anterior Cannondale SuperX). 

EM SUMA

Se a Aethos implicou uma rutura com a tendência dominante nas bicicletas de estrada, regressando ao prazer de pedalar numa bicicleta onde a leveza está acima de qualquer outra qualidade, esta nova CruX tem o mesmo direito de conseguir fazer o mesmo no segmento de gravel. É a bicicleta mais leve do mercado, e isso reflete-se numa condução em zonas rápidas e numa aceleração que nos faz lembrar as sensações que temos quando rolamos na estrada. 

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É uma pena que, tal como acontece na Aethos, o aumento de preço da matéria prima faça com que a versão mais barata custe 4.000€. Uma das possibilidades mais interessantes, sobretudo para os ciclistas de estrada que procuram uma bicicleta mais polivalente, é comprar esta nova CruX passando a ser a única bicicleta. Nesse caso, recomendamos vivamente montar um grupo de prato duplo. Ter uma CruX com dois pares de rodas, umas montadas com pneus lisos de 30 ou 32 mm, e outras com pneus de 42 ou 45 mm é o melhor de dois mundos. 

GAMA COMPLETA DA SPECIALIZED CRUX 2022

Specialized S-Works CruX 12.200 €

Specialized S Works CruX
 

A versão topo de gama utiliza o quadro de carbono mais avançado da marca - de grau 12r - e que pesa 725 gramas. Na sua montagem encontramos um grupo monoprato SRAM Red eTap AXS com o novo desviador traseiro XPLR, que permite utilizar uma cassete 10-44. 

As rodas são as Roval Terra CLX, construídas com fibra de carbono, com um perfil de 32 mm de altura e uma largura interna de 25 mm. 

Specialized CruX Pro 8.000 €

Specialized CruX Pro
 

Specialized CruX Expert 6.000 €

Specialized CruX Expert
 

Specialized CruX Comp 4.000 €

Specialized CruX Comp
 

Poderás saber mais detalhes em www.specialized.com

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