A Cube Nuroad C:62 EX nesta versão de 2026 representa mais uma etapa de maturação de uma plataforma que já não é propriamente nova, mas que tem vindo a evoluir de forma consistente ao longo dos anos. A gama Nuroad nasceu como uma proposta “all-road” relativamente simples, mas rapidamente se transformou numa linha completa de gravel, cada vez mais orientada para a performance. Nesta geração mais recente, as mudanças não são revolucionárias, mas sim refinamentos dos modelos anteriores: maior integração, mais capacidade para pneus e uma abordagem mais moderna ao gravel de alto rendimento.
Comparando com versões anteriores, o destaque vai para o quadro C:62 revisto, que mantém a mesma filosofia, mas introduz melhorias importantes. O espaço para pneus sobe até aos 50 mm, um aumento relevante face a gerações anteriores, permitindo explorar terrenos mais técnicos com maior conforto. Ao mesmo tempo, a integração evoluiu com cablagem interna mais “limpa”, raro de se ver nestes preços, e abraçadeira de espigão integrada, contribuindo para uma estética muito cuidada. Outro ponto relevante é a compatibilidade com UDH (Universal Derailleur Hanger), sinal claro de que a Cube está a alinhar este modelo com padrões mais recentes e “future-proof”.
Apesar destas melhorias, a essência mantém-se: uma bicicleta leve, versátil e com ADN relativamente “racing” dentro do gravel. O peso do quadro ronda os 1.150 g, o que continua a ser competitivo, e o conjunto completo desce para valores na ordem dos 8–9 kg, dependendo do tamanho e versão. Nesta EX, a balança acusa saudáveis 8.35 kg no tamanho M (valor sem pedais, bolsa, grades e suporte para GPS).
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Do ponto de vista técnico, o quadro é obviamente o centro do “projeto”. Construído com tecnologia Advanced Twin Mold, permite controlar com precisão a disposição das fibras de carbono, reforçando zonas críticas e mantendo uma relativa leveza global. Obviamente podia ser mais leve com recurso a outro tipo de carbono e diferentes tecnologias, mas isso iria encarecer exponencialmente todas as versões e os ganhos em peso não compensariam.
A geometria “Gravel Endurance” procura um equilíbrio entre estabilidade e agilidade: não é tão relaxada como uma bicicleta de aventura pura, nem tão agressiva como um modelo de competição, ficando num meio-termo muito versátil para diferentes usos. Nos diversos estradões e trilhos onde pedalámos e até em provas como o Gravel 114 onde atingímos velocidades elevadas, ficou patente a estabilidade do conjunto. A posição de condução é confortável, mas depende muito da escolha de tamanhos. É que no geral os tamanhos são um pouco “longos”, o que significa que podes ter de comprar um tamanho abaixo do que estás habituado. Por isso é importante que vejas a tabela de geometria e definas se queres um comportamento mais ágil ou mais estável. Por exemplo, o tamanho M testado tem 56 cm de top tube, o que equivale a um L em muitas marcas.
O guiador em carbono contribui para esse conforto e o seu formato não se afasta muito de um guiador de estrada, o que facilita uma rápida habituação a quem alterna frequentemente entre uma bicicleta de estrada e esta.
A forqueta em carbono segue a mesma lógica, acrescentando conforto não só pelo material em que é construída, mas também pela possibilidade de albergar um pneu de 50mm capaz de rolar com pressões mais baixas.
LIMITAÇÕES
Tem apenas 2 pontos de fixação de cada lado, o que limita os acessórios a montar. Mas este também não é propriamente um modelo para bikepacking. Possui fixações para guarda-lamas e bolsa no tubo superior, portanto a polivalência até é razoável.
Um aspeto que considero importante e também contribui para a polivalência é o compartimento de carga no tubo diagonal do quadro. Na Cube isso não existe, o que pode esmorecer um pouco o sorriso radiante quando vemos esta montagem a este preço. A lógica por detrás deste facto é que isso iria encarecer o fabrico e aumentar o peso do quadro. E tendo fixações para a bolsa acaba por compensar de certa forma, sendo que limita na mesma o que podemos transportar de forma discreta. E já que estamos a falar de limitações, outra é a dimensão do disco traseiro. O quadro não permite a montagem de discos de 140mm. Tendo em conta a potência de travagem, muitos ciclistas poderiam optar por discos nesta medida, mas neste caso é impossível.
DESTAQUES POSITIVOS
Um dos pontos mais interessantes deste modelo é o conjunto de rodas. A Cube opta por rodas Newmen Advanced G.34 em carbono, algo raro, ou mesmo inexistente, nesta faixa de preço, e que tem impacto direto na condução. É que não são propriamente rodas básicas e económicas. São tubeless ready, com possibilidade de montar as válvulas STREEM integradas (ficam escondidas dentro do aro), e pesam 1410g o par. É um valor muito bom, considerando que são rodas com 34 mm de perfil, com largura interna de 25 mm e pensadas para pneus largos (45 mm a 50 mm), que permitem usar pressões mais baixas, aumentando o conforto e a tração. Este detalhe aproxima a Nuroad C:62 EX de bicicletas de gama mais alta, sobretudo em termos de resposta dinâmica pela facilidade com que acelera.
Na transmissão, a versão EX aposta num conjunto bastante simples e eficaz. O grupo Shimano GRX Di2 1x12 destaca-se pela precisão e rapidez de mudanças, eliminando o desviador dianteiro e simplificando a utilização em terrenos variáveis. Curiosamente, e ainda bem que assim é, a manete esquerda possui na mesma os botões, o que permite ter mais opções de programação de funções. A escolha de um sistema 1x privilegia simplicidade e fiabilidade, embora com compromissos: saltos maiores entre mudanças e alguma limitação em estrada pura.
Nas subidas, o prato de 40 conjugado com a cassete com 51 dentes no carreto maior, facilita bastante quando a inclinação alcança os dois dígitos. Já no extremo oposto, e com o carreto pequeno de 10 dentes, conseguimos chegar aos 40 kmh com 80 rpm de cadência, o que para a maioria de nós chega. Até mesmo a 90 rpm, que ainda é uma cadência fácil de manter, já chegamos aos 46 kmh, velocidade essa que muitos de nós não conseguimos manter muito tempo.
Já agora em jeito de curiosidade, trocando o prato de 40 para 44 dentes consegues agora alcançar 50 km/h a 90 rpm de cadência!
Os travões hidráulicos GRX mantêm o padrão elevado de controlo e potência, mesmo em condições adversas, com um tato muito direto e potência de sobra. Isto permite-nos descer com as mãos nos hoods e travar confortavelmente com um dedo. Um verdadeiro luxo. Os pneus Continental Terra Trail de 45 mm reforçam a vocação off-road, oferecendo bastante aderência e segurança. E até nem rolam mal no alcatrão, tendo em conta que não é o cenário para o qual foram criados. Eventualmente, para quem rola mais em pisos muito compactos, pode substituir o de trás por um pneu com o centro mais “slick” e assim minimizar o atrito.
Nota rápida ainda sobre o selim Acid Nuance Pro que tem um design que oferece bom suporte e bastante amortecimento, criando uma boa barreira entre o que se passa no piso e aquilo que sentimos.
COMPORTAMENTO
A condução da Nuroad C:62 EX é bastante coerente com o que a plataforma já demonstrava em versões anteriores, mas mais refinada. Em estrada, surpreende pela eficiência: acelera bem, mantém velocidade com facilidade e não se sente “pesada” como muitas gravel mais orientadas para aventura. Em zonas rápidas, o comportamento é particularmente convincente, com boa estabilidade e direção precisa.
Quando o terreno se torna mais técnico, o aumento de clearance (espaço entre os pneus e o quadro/forqueta) e os pneus largos fazem diferença. A bicicleta mantém controlo e tração, embora sem chegar ao nível de modelos mais especializados ou destinados a bikepacking extremo. E aqui obviamente a escolha de pneus vai ditar grandes diferenças. A geometria oferece confiança sem sacrificar demasiado a agilidade, o que a torna uma opção muito polivalente.
O conforto está presente, mas não é o foco principal. Sendo um quadro relativamente rígido e eficiente, transmite alguma vibração em terrenos muito irregulares, embora isso seja mitigado pelas rodas de carbono, pneus largos e componentes que absorvem parte do impacto. É, no fundo, uma bicicleta mais próxima do lado “performance gravel” do que do “adventure comfort”.
Em síntese, a Cube Nuroad C:62 EX 2026 não reinventa a plataforma, mas afina-a onde realmente importa: mais integração, resultando numa estética muito apelativa, mais espaço para pneus, melhor compatibilidade futura e um conjunto de componentes que reforça o carácter rápido e eficiente da bicicleta. É sem dúvida a proposta atual mais interessantes na relação preço/equipamento nesta gama de preços, sobretudo pela inclusão de rodas de carbono e transmissão eletrónica. A complementar isto, tens uma gama com vários modelos próximos entre preço, incluindo alumínio, muitas vezes com duas cores disponíveis, o que faz com que seja inevitável analisares bem a gama Nuroad antes de comprares a tua próxima bicicleta de gravel.
Para quem procura uma bicicleta de gravel leve, rápida e versátil - capaz de fazer estrada, gravilha rápida e aventuras moderadas - a Nuroad C:62 EX arrisca-se a ser a referência atual entre a concorrência.
Aspetos positivos: Equipamento de luxo para o preço; comportamento neutro e confiante que agradará a muitos tipos de ciclistas; estética cuidada e várias opções de preço e cores
Aspetos a rever: Compartimento no quadro traria ainda mais capacidade de armazenamento.
GEOMETRIA (no tamanho M)
| TUBO VERTICAL | 490 |
| TUBO HORIZONTAL | 560 |
| TUBO DE DIREÇÃO | 155 |
| DISTÃNCIA ENTRE EIXOS | 1046 |
| ESCORAS | 440 |
| ÂNGULO DE DIREÇÃO | 71,5º |
| ÂNGULO DE SELIM | 73,9º |
| REACH | 393 |
| STACK | 574 |
