Depois de um excelente final de Tour, no qual conquistou a camisola de montanha, Richard Carapaz chega à Volta a Espanha com a ambição de disputar a classificação geral e ser o grande rival de Tadej Pogacar. Entrevistámos o equatoriano algumas horas antes do início oficial da prova, no Mónaco.
- Como te sentes e qual é o teu estado de forma para esta Volta a Espanha?
- Depois do Tour, recuperei bem... Estou muito bem. Mantive o foco, principalmente para vir aqui à Vuelta com um objetivo claro: vamos disputar a classificação geral. É um objetivo não só pessoal, mas também da equipa. No final de contas, com tudo o que aconteceu no início do ano, não consegui fazer uma boa prova de três semanas, e não queremos perder esta hipótese. Temos uma boa oportunidade e vamos tentar dar o nosso melhor, com o objetivo claro de procurar a classificação geral.
- O que fizeste depois do Tour?
- Fiquei bastante tranquilo. Disputei a Clássica de San Sebastián, que é uma prova muito bonita e de que sempre gostei. Depois, passei todo o tempo em Andorra, alternando entre o descanso e o regresso à rotina habitual. Penso que é o normal. Mas, no geral, estou muito bem; fiz pouco treino no início e depois voltei ao ritmo normal. Além da moral, tenho as pernas - que é o mais importante -, e isso é vital para mim. É um grande desafio disputar uma prova de três semanas e acredito que não só a moral é importante, como também as pernas.
- Achas que vai ser uma espécie de "todos contra Pogacar"?
- Bem, no final de contas, é o melhor do mundo e ganhou tudo o que disputou. Tenho muito respeito por ele, e é um grande rival a abater. Para mim, será emocionante ter a oportunidade de disputar uma Grande Volta contra ele e ver o que acontece. Teremos uma prova bastante emocionante, com muita montanha e também muito calor. Tenho total apoio, o que me dá confiança de que tentaremos dar o nosso melhor. Se ganharmos, ótimo; mas, se ficar em segundo ou terceiro, também não será nada mau. O importante é manter a cabeça fria e procurar o nosso objetivo, independentemente de quem está a competir.
- É uma desforra para ti depois da Vuelta de 2020, em que Roglic venceu?
- Sempre tive uma ótima relação com a Volta a Espanha. Sempre gostei desta prova. Foi uma das minhas primeiras Grandes Voltas, em 2017, e desde então tenho tentado participar sempre, porque é como se fosse a minha casa; aqui estou rodeado de muitos equatorianos e dos adeptos espanhóis, que apreciam muito o que fazemos aqui.
- Com a hegemonia de Pogacar, podem surgir alianças entre os restantes adversários?
- Toda a gente sabe que Pogacar é o rival a abater. Por outro lado, há Primoz Roglic - embora não saiba em que condições está após a queda - e também Felix Gall, que sabe disputar a classificação geral. No final do dia, a corrida vai definir-se por si só; temos tanta montanha que a prova pode ser decidida em qualquer dia. A terceira etapa, a de Font-Romeu, e a seguinte, em Andorra, são já complicadas; e depois há a de Granada, que é a cereja no topo do bolo. Não basta ter alianças, é preciso ter pernas, isso é o mais importante. No geral, teremos uma bela Vuelta. Vai ser um grande espetáculo.
- Referiste que estás perante uma grande oportunidade. Acreditas que és o principal rival de Pogacar nesta Vuelta?
- Como disse no início, o meu objetivo é vencer; parto com esta ideia e, ao longo da prova, vou vendo como as coisas se desenrolam. No final, não se pode simplesmente dizer "vou chegar e ganhar"; é necessário provar na estrada que tenho condições para isso. Mas, se tiver uma oportunidade, vou aproveitá-la a 100%.
- O Tour que disputaste deu-te esse ânimo extra para a Vuelta?
- Sim, no final de contas, antes do Tour, sabíamos que tínhamos uma boa oportunidade de vir à Vuelta, o que já estava nos nossos planos. No Tour, sabia qual era o nosso objetivo. Desde o início que o meu objetivo era vencer etapas e, depois, conquistar a camisola de montanha, algo de que sempre gostei muito. E isso serve de incentivo extra para vir agora à Vuelta à procura da classificação geral. Com uma abordagem diferente, pois sei que preciso de estar atento todos os dias. Não se trata apenas de esperar pelo dia certo, trata-se de manter o foco e a concentração na classificação geral durante todas as etapas.