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Raid Alvalade-Porto Covo junta 1750 participantes

Este ano o emblemático Raid BTT Alvalade-Porto Covo celebrou 25 anos de existência. E apesar da mudança de data devido às eleições, o evento voltou a ter uma enchente confirmando aquilo que já todos sabemos: esta é a clássica favorita dos portugueses.

Texto: Nuno Amaral // Fotos: Nuno Amaral e João Pereira

4 minutos

Raid Alvalade Porto Covo junta 1750 participantes

O Raid Alvalade-Porto Covo tem como data definida o terceiro domingo do mês de Maio. Contudo, este ano o Clube BTT Alvaladense teve de alterar a data (antecipando para o dia 17, em vez de ser no 18) devido às eleições (ou seja, um facto alheio à organização). Obviamente, esta decisão teve implicações e assim, dos 1950 participantes pré-inscritos compareceram 1750, oriundos dos mais variados pontos do país, bem como da nossa vizinha Espanha.

 

Este Raid tem particularidades que o tornam único. Por exemplo, o principal objetivo de quem participa é sentir a essência do BTT, por isso mesmo não há contagem de tempos.

O dia começou bem cedo, com muitos a deslocarem-se das suas terras rumo a Alvalade. O entusiasmo é enorme nos milhares de betetistas que invadem por completo a pacata vila de Alvalade e que se transforma por completo neste dia.

 

Não se sente no ar o stress e a ansiedade que predominam noutras maratonas e o facto de não haver cronometragem retira pressão dos participantes. Nota-se que o intuito principal é desfrutar da modalidade, conviver, num sentimento de companheirismo e entreajuda coletiva. 

O BTT Alvaladense tem a máquina bem oleada e tem sido notório ao longo deste 25 anos a excelência e antecipação com que preparam este evento. Neste dia nada falha: o secretariado sempre muito eficiente, sem demoras, onde é dado um saco com muitas ofertas, mega pequeno-almoço para todos aqueles que queiram usufruir do mesmo, a zona de partida super animada, fazem com que seja considerado o evento mais carismático do BTT em Portugal.

O percurso, com cerca de 70 quilómetros (para os que fazem só o trajeto entre Alvalade e Porto-Covo), engloba estradões agrícolas e os carismáticos arrozais, mas também trilhos sinuosos da Serra do Cercal e a deslumbrante costa alentejana, culminando na pitoresca vila de Porto Covo.

 

Ao longo do trajeto, os ciclistas puderam desfrutar de paisagens naturais únicas: desde os verdes montes aos eucaliptos da serra, até às escarpas rochosas e às praias de areia dourada que anunciam a chegada ao Atlântico. Para os que estão melhor preparados, que este ano foram cerca de 600, encetaram o seu caminho de regresso a Alvalade Sado completando 120 quilómetros.

 

O percurso, nesta 25ª edição, teve novos trilhos. A parte inicial não tinha grandes dificuldades e os trilhos eram muito rápidos e acessíveis a todos. Este ano teve muito menos pó do que em edições anteriores; tudo isto devido à muita chuva que caiu durante o inverno deste ano.

 

Guardamos na memória bons momentos deste Raid, sobretudo devido à diversidade de paisagens. Um dos pontos novos nesta edição foi a passagem pela Barragem de Fonte Serne, construída sobre o leito da ribeira de vale Diogo.

As dificuldades eram poucas e estava-se já bem perto de um dos pontos altos, a chegada à Barragem de Campilhas, onde está montada a mítica zona de abastecimento, onde são servidas as famosas sandes de carne assada. Este ano com muito menos acompanhantes, sendo que um dos fatores foi, sem dúvida, a antecipação do raid para sábado, mas mesmo assim estava um número bastante significativo de familiares e amigos, dando o seu incentivo.

 

Restavam 30 km para aqueles que ficavam em Porto Covo, mas a partir deste ponto começavam os trilhos de maior dificuldade física, com um sobe e desce constante até à zona de abastecimento do Cercal do Alentejo.

 

No Cercal do Alentejo estava montada outra zona de abastecimento, onde muitos pararam, para repor líquidos, pois a temperatura já estava alta e o pior estava para vir. A Serra do Cercal é sempre o ponto mais sensível e é a maior dificuldade do dia, onde todos ultrapassam com mais ou menos dificuldade, mas são, posteriormente, recompensados pelos sublimes trilhos percorridos na serra.

 

Com a Serra do Cercal para trás, já se avistava o Oceano Atlântico, com Porto Covo no horizonte percorreram-se alguns quilómetros junto à costa com paisagens deslumbrantes.

 
 
 

A chegada a Porto Covo é sempre um momento inesquecível. A passagem pelo Porto de Abrigo, logo com a rampa final simboliza que estamos nos metros finais. Aqui, novamente, notámos a diferença em relação a anos anteriores, com a falta das centenas de pessoas que aqui habitualmente se concentram para aplaudir a chegada de todos os seus amigos e familiares.

 

O Raid Alvalade-Porto Covo é, por si só, uma experiência única, mas para muitos participantes, a verdadeira prova de resistência está em fazer o percurso… de volta. Foram 600 que, após cruzarem a linha de chegada junto ao mar, em Porto Covo, montaram novamente nas suas bicicletas e enfrentaram o desafio de regressar a Alvalade por trilhos não muito exigentes, mas onde o calor já imperava.

 
 

No final, entre os cumprimentos trocados e os relatos entusiasmados de cada quilómetro vencido, ouvia-se uma frase recorrente: “Foi duro, mas voltava a fazer.” E é assim, ano após ano, que o Alvalade-Porto Covo se transforma numa viagem inesquecível, não só pelas paisagens, mas pelas emoções que ficam “cravadas no coração” de quem se atreve a viver a aventura por inteiro.

 

O Clube BTT de Alvalade voltou a demonstrar um nível de excelência, garantindo apoio logístico irrepreensível, pontos de abastecimento bem distribuídos, sinalização cuidada e segurança reforçada.

A marca dos 25 anos foi assinalada com várias surpresas, incluindo momentos de convívio, música ao vivo e brindes comemorativos para os participantes.

Com um quarto de século de história, o Passeio de BTT Alvalade-Porto Covo afirma-se, ano após ano, como uma referência no calendário do BTT nacional, não só pela qualidade do percurso e da organização, mas também pelo espírito único que envolve todos os que dele fazem parte. Um verdadeiro hino ao Alentejo, à aventura e à paixão pelo pedal. Bem Hajam. Para o ano lá estaremos!

 

 

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