Saber em que situação estamos e para onde queremos ir é um dos pilares de qualquer empresa. A Shimano desenvolveu um estudo europeu precisamente para preparar o seu futuro, mas também tem como intuito alertar os decisores políticos e a comunidade em geral para alguns aspetos importantíssimos em qualquer sociedade.
Neste extenso relatório, há várias conclusões bastante pertinentes e no caso português, há dados a reter:
- O nosso país ocupa o 4.º lugar na Europa em termos de melhorias percebidas nas infraestruturas cicláveis.
- 59% dos inquiridos afirmam que as infraestruturas para ciclistas na sua área local melhoraram no último ano.
- Portugal tem o terceiro nível mais baixo de pessoas que confirmaram possuir bicicletas.
- 46% dos portugueses inquiridos acham que atualmente andar de bicicleta é mais seguro para as crianças.
- 121 milhões de pessoas na Europa estão a andar menos de bicicleta devido a problemas de acesso a serviços de reparação e manutenção de bicicletas.
Estes dados significam que, embora Portugal seja um dos maiores produtores de bicicletas a nível europeu, a percentagem de lusos que possuem bicicleta é das mais baixas da Europa. Segundo o estudo, 6% dos homens disse que nunca teve uma bicicleta e no caso das mulheres esse valor chega a 15%.
Por outro lado, 41% dos inquiridos portugueses que reportaram necessidade de manutenção das suas bicicletas relataram não ter lojas/oficinas nas proximidades da sua zona de residência ou horários de funcionamento dessas lojas desajustados. É o terceiro valor mais elevado a nível europeu. Em contrapartida, o nosso país é um dos que apresenta menos queixas em termos de tempo de espera para resolver um problema mecânico.
Outro dado curioso tem a ver com as crianças. Embora em Portugal uma elevada percentagem considere que atualmente é mais seguro andar de bicicleta - 78% dos inquiridos disseram que isso se deve à melhoria nas infraestruturas -, no resto da Europa os dados não são animadores. Mais de um em cada três europeus afirma que andar de bicicleta se tornou menos seguro para as crianças.
Por último, há outro dado curioso a reter. 18% dos portugueses inquiridos relataram que optaram por outro tipo de transporte em detrimento da bicicleta devido a barreiras em termos de manutenção das bicicletas (ausência de oficinas nas proximidades ou horários desajustados à sua vida quotidiana).
Todos estes dados devem-nos fazer pensar. Desde os responsáveis pela mobilidade nas cidades, passando pelos retalhistas e mesmo pelos decisores políticos. A mobilidade suave tem uma oportunidade de ouro para se afirmar e se nada for feito o setor das bicicletas arrisca-se a perder cota de mercado.










