Durante dois dias, fomos a Chatel (França) testar a nova versão da Gambler, acompanhados pelos atletas da equipa de DH da marca Benoit Coulanges, Dylan Levesque e Gonçalo Bandeira. Felizmente tivemos a ajuda de mecânicos que ajustaram ao mílimetro as nossas suspensões, tornando-as perfeitas para cada descida.
A apresentação técnica ficou a cargo de Etienne Chaloin (engenheiro responsável deste projeto) e Clément Martin (gestor de produto), os quais nos explicaram cada detalhe desta nova versão.
UM QUADRO, DOIS MODELOS
Embora a Gambler 2026 tenha sido desenvolvida para competição, não é exclusiva para os atletas da equipa. Tudo foi desenhado com foco na Taça do Mundo, mas um dos pilares no desenvolvimento desta bicicleta foi a facilidade de utilização, compatibilidade de componentes, simplicidade na manutenção e possibilidade de personalização em termos de geometria.
Este projeto começou há três anos e durante todo este tempo foi melhorada a posição de condução, adotando um Reach maior e um centro de gravidade mais baixo, graças ao novo sistema de amortecimento e ao reposicionamento da mola dentro do quadro. Tudo isto melhora a resposta tanto em inclinações laterais como frontais, oferecendo um comportamento mais estável e controlado.
INOVAÇÃO
Este modelo inclui a Tecnologia de Suspensão Integrada (IST) que foi adotada por outros modelos da marca, desde que se estreou na Spark de XC. Ou seja, o amortecedor e o link estão localizados numa posição baixa e central para reduzir a massa e baixar o centro de gravidade. Isto proporciona melhorias óbvias na condução, tração e estabilidade, sobretudo quando atingimos velocidades mais elevadas. A Gambler possui várias opções de ajuste, adaptando-se perfeitamente a cada percurso.
O quadro tem 210 mm de curso traseiro, o qual é ativado através do seu sistema multiarticulado 6 bar link para um amortecimento topo de gama. Trata-se de um sistema equilibrado, previsível e muito suave. O quadro é compatível com todos os amortecedores do mercado para DH, quer sejam de mola ou a ar, o que aumenta as possibilidades de personalização.
Quase todos os parafusos partilham a mesma chave e binário de aperto (15 Nm), são de fácil acesso, sem peças ocultas nem complicações. O amortecedor fica protegido da lama, estando acessível a partir da parte inferior do quadro, bastando retirar uma tampa de plástico que inclui uma multiferramenta Syncros. Trata-se de uma solução inteligente, útil e que mostra o nível de detalhe que esta nova geração alcançou.
Durante o processo de desenvolvimento da Gambler, a opção de rodas Mullet (29" à frente e 27,5" atrás) teve prioridade, mas esta bicicleta também é compatível com duas rodas de 29 polegadas. E para percebermos melhor a logística no desenvolvimento, a Scott afirmou que o processo envolveu um protótipo final, 10 percursos, mais de 500 descidas e 170.000 metros de desnível negativo.
Durante dois dias formos tratados como atletas profissionais, por isso aproveitámos para aprender e desfrutar. No início, testámos a bicicleta na sua configuração de série (a que é vendida ao público), sem alterações na geometria. Logo desde o início sentimos que é uma bicicleta equilibrada, estável, mas muito viva quando é necessário. É ágil nos trilhos, isso nota-se quando temos de improvisar para corrigir uma trajetória ou evitar obstáculos inesperados. E em zonas onde a inécia não é suficiente, ou seja, quando temos de pedalar, surpreende pela eficiência. Não sentimos que é pesada nem molengona, respondendo com eficácia à pedalada.
QUEREMOS MAIS!
A Scott Gambler 2025 também tem soluções inteligentes em termos de design e manutenção. Cada componente, desde a acessibilidade do amortecedor até à multiferramenta integrada, passando pelo sistema de telemetria e ajuste geométrico, demonstra que esta nova plataforma é moderna, versátil e precisa.
Para os atletas mais exigentes, é uma ferramenta de competição. Para os riders mais casuais, é uma bicicleta acessível, lógica e extremamente divertida. Além disso, é uma Gambler mais rápida, ajustável e simples.
FIBRA DE CARBONO HMX
Tal como nos restantes modelos da marca, como a Scott Patron, a Gambler utiliza um molde interno de plástico sobre o qual são aplicadas camadas de carbono. Esta técnica permite reforçar seletivamente as zonas mais exigentes do quadro. Quando o carbono endurece, é retirado o molde, maximizando a precisão estrutural. Esta nova versão da Gambler combina flexibilidade e rigidez em zonas-alvo. Por exemplo, ao redor do pedaleiro e no tubo da direção foram adicionados reforços, enquanto em outras partes do quadro foi adotada uma configuração de carbono mais flexível, para melhorar a sensação de condução.
A cablagem passa totalmente pela zona interna e inclui guias, para evitar ruídos e facilitar a manutenção.
Nas fixações do porta-bidon é possível conetar um sistema de telemetria. O triângulo principal é o mesmo nos modelos RC e 10 (fabricado em carbono HMX), enquanto o basculante traseiro é fabricado num carbono de qualidade ligeiramente inferior na RC e de alumínio 6061 na versão 10, a mais barata.
SOLUÇÃO SIMPLES, MAS EFICAZ
A tampa de proteção do tubo inferior evita que o amortecedor sofra impactos e, ao mesmo tempo, proporciona um acesso rápido e fácil a este componente (na parte dianteira do amortecedor podemos variar a geometria). Também encontramos no seu interior uma multiferramenta da Syncros que permite rever o aperto dos parafusos ou ajustar o amortecedor ao nosso gosto. A tampa traseira do amortecedor, localizada na parte traseira do tubo vertical, facilita o acesso às regulações do amortecedor.
NÃO FALTAM AJUSTES
Atualmente, não há quase nenhuma bicicleta que não permita fazer alterações na geometria. A Gambler facilita a nossa vida dado que também permite mudar a posição do eixo traseiro, posicionando-o mais recuadamente, possibilitando a montagem do amortecedor num ponto mais baixo. Isto faz com que a bicicleta fique ainda mais estável e eficaz em zonas muito técnicas, cheias de pedra e raízes.
E nem sequer precisamos de ferramentas especiais para esta alteração. No fundo, permite adaptar a Gambler a qualquer percurso ou preferência pessoal. Além disso, e esta é a melhor parte, as alterações são visíveis e não subtis. É como ter três bicicletas numa só.
Na direção podemos escolher entre uma posição neutral, encurtar ou alongar 6 mm o reach, e na parte dianteira do amortecedor existe outro flipchip para subir ou baixar o pedaleiro 16 mm. Também podemos mudar o comprimento das escoras entre os 445 mm e os 460 mm. Se optares pelas escoras mais curtas, a Gambler ficará mais ágil e reativa, se preferires as mais compridas, ficará mais estável.
Poderás encontrar mais detalhes em SCOTT.