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Associação ambiental preocupada com a passagem da Volta a Portugal no Parque Nacional Peneda-Gerês

A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, manifestou a sua profunda preocupação com a notícia da passagem, no próximo dia 13 de Agosto, da Volta a Portugal em Bicicleta 2026 no Parque Nacional da Peneda-Gerês, classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

FAPAS. FOTO: THIAGO LEMOS

2 minutos

Associação ambiental preocupada com a passagem da Volta a Portugal no Parque Nacional Peneda Gerês

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A Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade emitiu um comunicado onde refere que a Federação Portuguesa de Ciclismo está a anunciar a passagem da prova pelo Parque Nacional Peneda-Gerês sem ter o parecer - obrigatório por lei - do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que é precisamente a entidade que gere o PNPG. 

Este é o comunicado enviado para a nossa redação e que republicamos na íntegra:

"Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar.

O site oficial da Volta a Portugal indica que a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem.

Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes, espectadores, etc.

Depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade, de resto sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG.

Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.

Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.

Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acetaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza.

A FAPAS solicita à Senhora Ministra do Ambiente e ao ICNF que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026.

É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!"

O comunicado está assinado por Nuno Gomes Oliveira, presidente da Direção da FAPAS.

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