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Conselhos para quem adere ao gravel

As bicicletas de gravel são muito rápidas, têm uma aderência relativamente boa nos terrenos de terra compacta, mas noutros tipos de piso mostram as suas debilidades. Neste artigo damos-te alguns conselhos de condução.

JUANMA MONTERO. FOTOS: JDC FOTOGRAFIA

Conselhos para quem adere ao gravel
Conselhos para quem adere ao gravel

Muitos de nós chegámos ao mundo do gravel vindos do BTT e há também quem seja oriundo do ciclismo de estrada. As bicicletas de gravel são polivalentes e isso é algo que agrada a todos. Aos betetistas puros e duros, o gravel proporciona velocidade, agilidade e sensações puras e diretas, enquanto aos ciclistas, o gravel permite fugir da tirania do asfalto, desenhando percursos que misturem estrada e caminhos florestais/rurais. Acresce o facto de nos permitir manter a forma, divertirmo-nos e, quem sabe, passarmos a descobrir o mundo de outra outra forma, entrando no modo bikepacking. 

São bicicletas mais estáveis do que as de estrada, ligeiramente mais compridas (distância entre eixos) e com uma posição de condução mais erguida (em regra). Contudo, no terreno as coisas podem ser um pouco complicadas, pelo menos no início, enquanto não estamos habituados, dado que possuem rodas finas, em regra não possuem suspensões e têm uma distribuição de peso diferente da BTT, por isso vamos rever alguns aspetos chave para evitar quedas. 

ATENÇÃO À DISTRIBUIÇÃO DO PESO

Se estás acostumado à tua BTT deves saber que, por vezes, nas curvas é preciso mudar a posição do corpo colocando mais peso na roda dianteira de modo a ganhar mais aderência. No gravel isso também acontece, mas menos. Por si só, a postura na bicicleta de gravel é diferente, com o corpo mais plano, por isso parte do teu peso já está distribuído, pelo que essa mudança de posição não é tão necessária. Tens de moderar esses impulsos - de mudar de posição de condução - pois no gravel tudo muda. 

peso adelantado pero no tanto 7 1200x690
 

O peso nas curvas deve estar ligeiramente adiantado para maior segurança, mas não caias no erro de o adiantar excessivamente ou de mover o corpo demasiado para fora (como se vê na imagem), pois perderás estabilidade. 

CUIDADO COM OS FUROS

O perfil dos pneus de gravel é mais fino do que os de BTT, por isso nas zonas com pedras e raízes baixa a velocidade, para evitar furos. Se usares rodas tubeless será mais difícil furar, mas não é impossível. Podes instalar espumas interiores (tipo mousse), pois permitem andar em terrenos irregulares com mais segurança e andar com pressões mais baixas, fazendo com que ganhemos conforto e aderência. 

cuidado con los pellizcos 7 1200x690
 

Um furo por "snakebite" na roda dianteira pode fazer com que caias, se fores a uma determinada velocidade. A pressão adequada é um dos segredos, além disso deves adotar uma velocidade que consigas controlar em caso de imprevisto (furo, surgimento de uma pessoa parada no trilho, obstáculo no terreno, etc). 

FORMA DE AGARRAR AS MANETES

Ao contrário das bicicletas de BTT, que costumam ter suspensões e amortecedores, a maioria das bicicletas de gravel não possuem. Por isso, sentiremos os buracos, sobretudo se andarmos a uma certa velocidade. Há quem caia, por não agarrar bem no guiador, depois de se ter deparado com um ressalto inesperado, por isso tem cuidado. Nas bicicletas de gravel é mesmo essencial agarrar bem na manete de travão, apoiando as mãos no suporte e fechando a mão, deixando um ou dois dedos para o travão. 

cierra bien las manos sobre los frenos 7 1200x690
 

Como já deves ter reparado, as manetes de travão das bicicletas de gravel são mais volumosas do que as de estrada e isso permite uma boa aderência. 

el agarre en la parte inferior del manillar 7 1200x690
 

Se colocares as mãos na parte inferior dos drops conseguirás travar com o dedo na extremidade da manete, fazendo menos força e obtendo uma travagem mais eficaz. No entanto, em zonas com piso irregular esta não é a posição ideal das mãos. 

ESCOLHE BEM POR ONDE ANDAS

A bicicleta de gravel não é uma BTT, por isso se por engano entrares num trilho técnico, com ressaltos, buracos, muita raízes e pedras grandes, o melhor será procurar uma alternativa. Se necessário, podes ultrapassar essas secções à mão, assim evitarás uma queda. 

terrenos no aptos 7 1200x690
 

As zonas com pedras e raízes são delicadas e estas bicicletas são bastante limitadas nessas secções técnicas. Além disso, não foram concebidas para isso, nem a sua garantia cobre este tipo de utilização, caso partas algum componente. 

AJUSTA A TUA POSIÇÃO A CADA SITUAÇÃO

A posição deve ser dinâmica para compensar o facto de não existir uma suspensão que filtre os impactos. Deves adotar uma posição mais adiantada quando estiveres numa subida inclinada e deves recuar o corpo se pela frente tiveres uma descida inclinada, mas não exageres, pois se o fizeres a roda dianteira ficará incontrolável. 

llevar la cadera hacia atra s ok 7 1200x690
 

Coloca o corpo atrás do selim, esticando os braços, fazendo com que o centro de gravidade recue nas descidas empinadas. 

EM PÉ OU SENTADO?

Em regra, a maior parte do tempo irás pedalar sentado, pois é a forma mais eficiente e confortável, mas em algumas ocasiões terás de pedalar em pé: em ressaltos, buracos, mudanças de ritmo, subidas duras, descidas com regos ou para variar a posição. 

sentado sobre el silli n 7 1200x690
 

A posição que mais vais usar é sentado no selim. Olha em frente, sempre na direção do percurso, com as costas a 45º e as mãos apoiadas na parte alta do guiador e com um ou dois dedos nos travões, para maior conforto. 

de pie puedes desplegar ma s fuerza 7 1200x690
 

Em pé conseguirás aplicar mais força na pedalada e isso é ideal em mudanças de ritmo. Adianta o teu peso corporal e faz oscilar a bicicleta lateralmente em cada pedalada. 

de pie para salvar obsta culos
 

Para superar pequenos obstáculos em subida devemos colocarmo-nos em pé, evitando que a roda fique estagnada. 

en una arrancada o en un sprint
 
en una subida corta 7 1200x690
 

Uma subida curta com um desnível acentuado é o cenário típico que exige a adoção de uma posição em pé, mas só deves fazê-lo se a roda traseira tiver aderência suficiente no terreno. Não adiantes em excesso o peso, pois o objetivo é manter a aderência na roda traseira. 

PEDAIS HORIZONTAIS

Em sítios com obstáculos que possam bater nos pedais, o ideal é ganhar um impulso a pedalar que nos permita de imediato nivelar os dois pedais, para evitar que estes toquem na pedra/tronco/obstáculo. 

pedales horizontales
 

Nas zonas com pedras é preferível adotar uma posição neutra, ajudando com o corpo a absorver os impactos e mudanças de direção repentinas das rodas. Quanto mais relaxados estivermos - mas sempre alerta - melhor conseguiremos ultrapassar esses obstáculos. 

ROLAR

A técnica nas curvas é a mesma que adotamos no BTT, mas com pequenas nuances. Aproxima o teu peito do guiador para que a roda dianteira não derrape e coloca o pé interior em cima, para que não toque no solo com a inclinação. 

a girar 7 1200x690
 

O teu olhar deve estar na saída da curva, para antecipar possíveis obstáculos ou mudanças de terreno. O teu pé exterior deve fazer força no pedal e os teus cotovelos devem estar fletidos, para baixar o centro de gravidade. 

SALTA

Esta técnica é mais avançada, mas podes começar a treinar com pequenos ressaltos no solo antes de a experimentares em obstáculos maiores. Se encontrares pequenos obstáculos atravessados no caminho experimenta saltá-los. Quando te estiveres a aproximar do obstáculo puxa o guiador para cima enquanto estás em pé sobre os pedais. A roda dianteira irá superar o obstáculo com facilidade. Precisamente quando a roda estiver perto da parte alta do obstáculo, impulsiona o teu corpo para cima, puxando os teus pés para cima e empurrando a bicicleta para a frente, fazendo com que a roda traseira se levante o suficiente para o ultrapassar. 

obsta culos en el camino 7 1200x690
 

 

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