Visibilidade na estrada

Está provado que uma percentagem dos acidentes envolvendo automobilistas e ciclistas poderia ser evitada se os ciclistas usassem iluminação e vestuário com cores altamente visíveis.
Carlos Pinto
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É inegável que o número de utilizadores de bicicleta tem vindo a aumentar. Não só na prática amadora e desportiva, mas também utilitária, nas deslocações diárias. Mas esse crescimento também tem sido acompanhado por duas novas facetas: a primeira é a descoberta, por assim dizer, que as ciclovias existentes não têm ligações entre si e algumas delas chegam a ser perigosas, e, por outro lado, os restantes utilizadores da via pública, peões, automobilistas e motociclistas, desconhecem, na sua maioria, o Código da Estrada. Visibilidade na estrada

Para além disso, Portugal começa a padecer das tradicionais "dores de crescimento", ou seja, como não estamos preparados para este novo fluxo de novos utilizadores urbanos, surgem à flor da pele os primeiros problemas, incluindo acidentes. Têm sido feitos estudos a vários níveis que confrontam as causas desses acidentes com o comportamento dos prevaricadores. Obviamente, as causas diferem de país para país.

Se, por exemplo, na Holanda as crianças são ensinadas desde pequenas a andar de bicicleta, as prioridades e os comportamentos a adotar (condução preventiva) e as regras de trânsito (incluindo um exame no final dos módulos), em Portugal isso não existe. Por isso, e isto é geracional, todos os holandeses consideram a bicicleta o meio de locomoção prioritário em todos os aspetos e todos cumprem as regras. São raros os acidentes com os automobilistas, e quando existem, geralmente estes últimos são severamente penalizados.

Existe também outra particularidade: na Holanda não é obrigatório o uso de capacete e os estudos indicam que esta boa prática, que é secular, de ensinar as crianças a andar de bicicleta, bem como as regras e comportamentos a adotar enraizou uma cultura de auto-controlo e até de regulaçáo de mercado. Em Portugal é diferente, na medida em que muitos desconhecem a lei em vigor (incluindo ciclistas) e o desrespeito por regras elementares (como prioridades, condução preventiva, etc) não está incutido desde criança.

Os estudos indicam também que os motivos que levam geralmente aos acidentes entre automobilistas e ciclistas se devem a vários fatores, mas sobressaem a distração ao volante, a condução sob o efeito de alcool e/ou medicação ou estupefacientes, a não percepção da existência de ciclistas na proximidade, a não interpretação da velocidade real dos ciclistas bem como a sua desaceleração/aceleração e a não percepção do espaço existente entre o veículo e o ciclista.

Existem formas de tentar evitar alguns destes pontos, sobretudo sobressaindo a nossa presença na via pública e isso faz-se utilizando luzes dianteiras e traseiras, cores flurescentes e bandas refletoras. Porquê? Porque está provado que as cores fortes (amarelo, verde, laranja) em movimento (biodinamismo) provocam um alerta no cérebro dos condutores. É o mesmo efeito quando vemos alguém numa autoestrada encostado à berma com um colete amarelo vestido.

Por isso, na próxima edição da revista BIKE (nas bancas em fevereiro), apresentamos um artigo que analisa precisamente este aspeto. Não deixes de ler, pois vale mesmo a pena.