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TESTE Corratec Revolution iLink Proteam (COM VÍDEO)

Testámos a Revolution da mítica marca alemã Corratec, com o seu sistema iLink, uma bicicleta que combina leveza, agilidade e suavidade.

Juanma Montero / Fotos: JCD Fotografia

TESTE Corratec Revolution iLink Proteam (COM VÍDEO)
TESTE Corratec Revolution iLink Proteam (COM VÍDEO)

A Corratec tem uma longa tradição ligada ao mundo da competição desde a sua fundação, em 1990. Os seus quadros rígidos com geometria em arco, uma linha curva desde o tubo da direção até ao eixo traseiro, nunca passaram despercebidos. Em 1995 pudemos ver Jan Osteergard em ação na prova da Taça Grundig realizada em Manzanares el Real, Madrid, numa destas bicicletas coloridas, a Grizzly Bow, com a qual ganhou a medalha de bronze no Campeonato Mundial de XC nesse mesmo ano.

O mesmo está agora a acontecer com bicicletas de suspensão total, como a Revolution iLink, que pudemos testar este mês, e que não passa despercebida. O território desta Corratec é o "Down Country", procurando uma elevada eficiência na pedalada, mas sem ficar limitada no terreno técnico. Entra plenamente numa categoria que começa a crescer exponencialmente ao combinar o melhor de ambos os mundos, a performance da pedalada pura, o máximo desempenho a descer e os percursos mais divertidos e desafiantes. 

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VIRTUAL, MAS COM DESEMPENHO REAL

Sem dúvida que o ponto diferenciador desta Corratec é o seu sistema de amortecimento traseiro, e não estamos a dizer que não tem muitas outras peculiaridades, mas a sua retaguarda tem todas as luzes da ribalta. O seu sistema iLink, que significa Inside Link, é um VPP ou ponto pivot virtual. Se isto para ti parece chinês, deixa-nos esclarecer que se trata de um sistema em que não existe realmente um ponto pivô fixo no qual a roda traseira oscila, como acontece com a grande maioria dos sistemas de amortecimento no mercado, pelo que se chama virtual.

O EQUILÍBRIO EM DESCIDAS E CURVAS, GRAÇAS À SUA INTELIGENTE DISTRIBUIÇÃO DE PESO, FAZEM DELA UMA GRANDE ESCOLHA

O iLink “comunica” com o quadro através de duas bielas, pelo que a trajetória do eixo traseiro quando a roda se move com os impactos é muito mais complexa do que um simples arco. E para que é que isso serve? Essencialmente é utilizado nesta Corratec para contrariar parte do movimento no amortecedor que tende a afundar ao pedalar, produzindo o efeito oposto. Ao mesmo tempo, mantém a sua sensibilidade de modo que continue a absorver os solavancos o mais eficientemente possível. O objetivo é evitar a necessidade de bloqueio no amortecedor traseiro sem uma oscilação excessiva. 

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DA TEORIA À PRÁTICA

O desempenho é medido pelo fator anti-squat, e nesta Corratec varia de 230 a 160%, dependendo do carreto que estivermos a utilizar atrás - uma percentagem muito elevada. Para efeitos de comparação, a maioria das suspensões totais movimenta-se entre 5 e 150% e por isso, para uso em XC, têm normalmente um comando de bloqueio para o amortecedor traseiro. A Corratec também tem uma patilha no seu amortecedor Rock Shox DeLuxe Select+ que permite ao sistema hidráulico reter muito do movimento sem bloqueio. Na verdade, não podemos dizer que esta retenção extra não vem a calhar, porque ao testar com os ajustes mais suaves e o sag máximo, cerca de 35-40% para o máximo prazer nas descidas, houve oscilações e a patilha é interessante para poder usar a máxima potência em estradas e estradões.

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Com um sag inferior, de cerca de 20%, fácil de ajustar devido às marcações no amortecedor, não sentimos falta do bloqueio. Para aqueles que gostam de números, o alongamento da corrente desde a extensão até à compressão total do amortecedor é de apenas 14,5 mm, quando outras bicicletas semelhantes têm valores entre 16 e 25 mm, pelo que não notámos uma grande influência na pedalada, em que há um movimento de recuo entre 4º e 19º, no prato de 10 e 52 dentes, respetivamente, o que são valores muito bons.

Como referência, estes números variam, em outras bicicletas, de -10º (avanço do pedal em vez do movimento para trás) a 28º (movimento para trás muito mais acentuado). 

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REATIVA, MAS FIRME 

Todos procuramos bicicletas que ganham velocidade facilmente, que devoram todas as irregularidades, mas que, ao mesmo tempo, oferecem aquela firmeza de comportamento para nos fazer desfrutar. Parece paradoxal, mas há muitos que vão concordar. Bem, essa é uma das características mais surpreendentes quando se começa a pedalar com esta bicicleta: permite avançar eficientemente com quase nenhum movimento de oscilação no amortecedor e, ao mesmo tempo, contrabalançar solavancos súbitos, como um degrau ou uma pedra saliente, com uma sensibilidade requintada. Essa é a "magia" dos sistemas VPP quando são bem concebidos, como acontece nesta Corratec. 

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PORMENORES:

1 - O Rock Shox DeLuxe está posicionado de forma invertida de modo a que o apoio mais amplo seja feito no link, ganhando assim em rigidez estrutural. As suas marcas de compressão no pistão são muito úteis para ajustar facilmente o sag.

2 - A parte traseira é assimétrica, com um único link ancorado na ligação inferior do lado esquerdo. A área é reforçada sem adicionar demasiado peso e sem limitar o espaço livre para as rodas. 

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3 - A fixação postmount do travão traseiro é a continuação estética da escora esquerda, com um desenho muito elegante, na nossa opinião. 

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4 - A sua estrutura de carbono é construída com um processo em que a pressão interna antes da cura é gerada por meio de poliestireno expandido, para eliminar ao máximo as rugas e possíveis diferenças na espessura dos tubos. O seu peso é espetacular, cerca de 2000 gramas, incluindo o amortecedor

5 - A sensação firme dos seus travões SRAM G2 e o seu ajuste duplo (sem recurso a ferramentas) do alcance e do curso da manete são uma verdadeira vantagem, se gostares de personalizar os teus travões ao máximo. 

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6 - Interessante escolha de um espigão de selim com 120 mm de curso, que é bem-vindo nas áreas mais complicadas. Para um XC mais purista, 100 mm seria um curso suficiente, mas estamos a falar de uma bicicleta de Down Country.

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7 - Os pneus de 2,35" tornam claras as intenções desta Corratec em terreno técnico. Apesar da sua espessura, dificilmente são um lastro.

8 - O pedaleiro é um Press Fit, sem rosca, a solução mais simples e leve, mas mais propensa a ranger. Não tivemos queixas durante os testes.

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FICHA TÉCNICA:

[QUADRO] Carbono Toray Corratec Revolution iLink [AMORTECEDOR] Rock Shox DeLuxe Select+. [SUSPENSÃO] Rock Shox SID Select 29” Boost. 120 mm [PEDALEIRO] SRAM X1C Eagle Boost DUB. Prato 32. [DESVIADOR] SRAM X01 Eagle. [MANÍPULO] SRAM GX Eagle [CASSETE] SRAM XG1295 Eagle. 12v 10-52. [CORRENTE] SRAM GX Eagle com PowerLock. [TRAVÕES] SRAM DB G2. Discos de 180 mm fr e. 160 mm tras. [DIREÇÃO] ZZYZX. [AVANÇO] ZZYZX SL Alloy. [GUIADOR] ZZYZX SLR Carbon. 700 mm [PUNHOS] ZZYZX com bloqueio. [SELIM] Selle Italia Superflow, carris de magnésio. [ESPIGÃO DE SELIM] Kindshock LEV Integra telescópico. 120 mm. [RODAS] DT Swiss XM1700 Spline. [PNEUS] Schwalbe Nobby Nic 2.35”. [PESO] 12,3 kg (Tamanho M, sem pedais). [TAMANHOS] 44, 48 e 52 cm. [PREÇO] 6.099€ [+INFO] VIC SPORTS - Distribuidor Oficial para Portugal, Espanha e Andorra. www.vicsportsafers.es

32 primaveras

A Corratec existe há três décadas, e o espírito desportivo da família Irlbacher, que criou e é proprietária da marca, existe há muitos anos. Em 1962, Konrad Irlbacher Sr. abriu uma loja de desporto, a IKO, em Rosenheim, Alemanha. Em 1983 criaram a marca de bicicletas IKO, que mudou o seu nome para Corrado em 1989 e para Corratec em 1990, ano que é orgulhosamente exibido no tubo de direcção desta iLink. Hoje em dia, a empresa ainda é um negócio familiar gerido por Konrad Irlbacher, filho do fundador original da loja, e Cielo Irlbacher, sua esposa.

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O melhor. Muito bom equilíbrio entre a eficiência pura e o comportamento em descida. Muito confortável. 

A melhorar. Um pouco mais de rigidez lateral na parte traseira para os riders mais pesados.

A VPP mais leve

Utilizando o mesmo quadro de carbono Toray que a iLink Pro deste teste, a SL Factory é montada com um peso de apenas 10,2 kg, tornando-a uma das suspensões totais de pivot virtual mais leves no mercado. Ostenta uma Shox SID SL Ultimate de 100 mm de curso em vez dos 120 mm do modelo que testámos e está equipada com SRAM XXI Eagle AXS sem fios, espigão de selim telescópico Reverb AXS e rodas mais leves, entre as mudanças mais significativas. Para mostrar a sua eficiência já tem duas vitórias em provas da Taça do Mundo de XCE. Em 2019, tanto na prova de Valkenswaard na Holanda como na de Barcelona, o alemão Simon Gegenheimer foi o primeiro a cruzar a linha de meta, aos comandos da sua Corratec iLink SL Factory.

EM RESUMO

  • Performance de luxo para os indecisos entre o XC e o Trail: a bicicleta é veloz e desce com muita estabilidade. 
  • Com o mesmo quadro da versão de competição, esta SL Pro Team pode converter-se mais numa XC pura fazendo algumas alterações. 
  • O sistema de amortecimento traseiro é parcialmente controlado pela pedalada, o que significa que o bloqueio não é essencial para uma boa eficiência.

IDEAL PARA VOLTAS EM RITMO ELEVADO E MARATONAS

 

 

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