Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021

Com as novas Specialized Epic e Epic EVO a marca californiana procura cimentar a sua liderança no mundo das bicicletas de XC/Maratonas. Neste artigo conhecerás todas as montagens e preços.
TEXTO: HÉCTOR RUIZ. FOTOS E VIDEO: CÉSAR CABRERA/SPECIALIZED -
Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021
Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021

Quando falamos de uma marca como a Epic da Specialized, sabemos que não é necessário explicar muitos detalhes. Poucas bicicletas conseguiram cimentar a sua posição no mercado como a Epic e isso tem sido notório na votação dos portugueses, sendo a Bicicleta do Ano em Portugal há dois anos consecutivos. Este modelo que surgiu no catálogo da marca em 2003 começou a ser desenvolvido muitos anos antes. Vimos protótipos datados de 1999.

O palmarés desta bicicleta é extenso, somando mais de 100 pódios e vitórias na Taça do Mundo desde então, Mundiais, Jogos Olímpicos e provas por etapas como a Cape Epic, sendo, segundo um estudo da prova sul africana, a bicicleta mais usada pelos participantes. No fundo, este modelo soube acumular uma legião de fãs devido à sua eficiência, leveza e prontidão em termos de resposta.

Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021

A Specialized Epic evoluiu muito ao longo das suas quatro principais gerações: 2003, 2008, 2015 e a vigente em 2020.

Esta nova geração de 2021 chega com um quadro completamente novo, que se afasta ligeiramente da estética das versões anteriores, adotando linhas aparentemente mais convencionais, mas com um design no qual - uma vez mais - se dá prioridade à eficiência acima de tudo, recorrendo novamente à tecnologia Brain, a pedra angular que colocou a marca no pedestal desde o seu surgimento e que revolucionou o mercado.

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EPIC 2021: MENOS É MAIS

De todas as mudanças que o quadro sofreu, aquela que salta à vista primeiro é o novo tubo superior, agora completamente reto - antes possuía uma curva - perdendo também o reforço que antes fazia de apoio estrutural à fixação do amortecedor, unindo-o ao tubo de selim. Desta forma, o quadro fica com um aspeto mais limpo e simples, ao mesmo tempo que fica em linha com as tendências atuais adotadas por outras marcas. O objetivo é simples: eliminar peso.

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O tubo superior foi simplificado, aligeirado e mantém a sua rigidez.

Este sacrifício de material não compromete a rigidez, já que os tubos foram revistos milímetro a milímetro, recolocando as camadas de carbono de forma a otimizar o seu rácio peso/rigidez, a sua forma e também outros fatores como a técnica de construção e o "hardware" que o rodeia (parafusos, fixação do amortecedor...). Estas alterações não só afetam o tubo superior, onde as novas alterações mantêm a mesma rigidez do modelo anterior, segundo as medições realizadas nos laboratórios da marca e nos testes no terreno, mas também todo o quadro. No triângulo traseiro, a Specialized diz que há um aumento de rigidez a rondar os 15% face à geração anterior.

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A análise de cada pequena peça de carbono foi exaustiva.

Quanto ao peso, o quadro S-Works, que como sabemos tem um carbono de nível superior, o Fact 12m, pesa menos 100g face ao S-Works atual, cujo valor se cifra nos 1.900g (com amortecedor e parafusos). Deste modo, entra diretamente na lista dos mais leves.

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Os modelos S-Works estreiam um link de carbono, com um peso de somente 24 g. Os restantes modelos mantêm o link de alumínio.

Mas há mais! Os restantes quadros Epic abaixo da elitista S-Works, fabricados em carbono Fact 11m, igualam agora o peso da S-Works de 2020, ou seja, o quadro de "segundo nível" pesa agora cerca de 1.900g (como referência, o quadro da Cannondale Scalpel Hi Mod 1 topo de gama que estamos a testar em exclusivo para Portugal pesa 1.910g).

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Integração quase absoluta entre o novo Brain e a escora. A Specialized despede-se do sistema Autosag das versões anteriores.

No triângulo traseiro, o Brain passou a integrar a zona da escora/ponteira de uma forma curiosa e orgânica, como se o interior destas se prolongasse até ao "cérebro" do amortecedor e envolvesse a parte traseira da ponteira. Com esta mudança, agora a Epic pode usar a fixação de travão na escora como é norma atualmente. Lembramos que a Epic já não possui pontos de articulação entre as escoras e as ponteiras, recorrendo à flexão do carbono e no caso desta nova versão, os engenheiros até mudaram a localização da válvula de inércia, estando precisamente atrás da ponteira para haver uma melhor sensibilidade da válvula e, ao mesmo tempo, um comportamento melhor.

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A EPIC USA MAIS O SEU CÉREBRO

A válvula de inércia continua a ser a "massa cinzenta" do amortecedor traseiro, tendo esta nova versão um interior modificado, para ser mais eficiente e sensível. Todas as melhorias têm a ver com a sua nova anatomia. O corpo secundário do Brain, onde está alojado o IFP (piston interno flutuante) mudou de sítio, e se antes estava alojado acima do corpo principal, agora passa a estar debaixo e oculto dentro da escora.

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O IFP cresceu em termos de tamanho e o resultado são melhorias no sistema hidráulico.

Graças a isto este corpo secundário tem um tamanho bastante maior, o que faz com que o fluxo do óleo melhore, tendo um caudal maior. É mais robusto em termos de construção, embora agora não esteja tão exposto como antes, passando totalmente despercebido.

Quanto à fiabilidade e durabilidade, um dos aspetos que mais preocupam os utilizadores da tecnologia Brain, a Specialized disse-nos que os intervalos de manutenção foram ampliados (125h na câmara de ar (juntas e retentores) e 250h no sistema hidráulico (juntas internas e óleo)). Além disso, a marca oferece 2 anos de manutenção do Brain ao comprador inicial.

E se o Brain é novo no amortecedor traseiro, também o é na suspensão dianteira.

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A suspensão SID com Brain é exclusiva das bicicletas Specialized Epic.

A suspensão também estreia uma nova tecnologia Brain, com maior firmeza quando não há oscilações provenientes do terreno. A grande novidade nesta nova edição é que a sua plataforma é ajustável, permitindo um curso livre antes do início de funcionamento do Brain, de maneira a podermos ter um pequeno curso inicial mais sensível. Através de uma reguação interna podemos estabelecer o ponto de limiar da sua plataforma entre 0 e 30 mm de curso, ajustando-o ao nosso gosto dentro desta margem. O chassis da suspensão, ou seja, toda a estrutura externa, é a de uma RockShox SID SL de 2021 convencional, com a sua câmara de air Debon Air na perna direita.

Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021

Na revista BIKE tivemos a oportunidade de poder testar uma Epic S-Works semanas antes deste lançamento e explorar estas novas alterações. O nosso veredito após várias semanas de uso intensivo sobre a nova Epic é que o tato das suspensões melhorou face às versões anteriores. Pedalando nos modos do Brain mais firmes que podemos selecionar tanto no amortecedor como na suspensão, continua a manter grande parte desse tato "tudo ou nada" próprio do Brain, percebendo-se (em trilhos repletos de pedra, raízes constantes, troncos) a transição entre aberto e fechado.

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É um comportamento menos polivalente do que o de outros amortecedores, mas sabemos que tem o seu público-alvo, especialmente os que procuram transmitir cada watt de potência à roda traseira. E aqui vem o melhor: testámos também o Brain nas posições mais abertas e é onde mais se notam melhorias. A pedalada continua a ser muito eficaz, muito estável e sem oscilações, e podemos pedalar aplicando potência bruta nos cranques. Mas essas transições aberto/fechado desaparecem, além de que se nota como o amortecedor ganha suavidade em tração e na leitura dos pequenos buracos em situações exigentes, algo que nos alegrou bastante.

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O diagrama mostra o momento crucial: a massa suspensa dentro do Brain eleva-se quando recebe uma inércia a partir do terreno, abrindo a passagem do óleo.

Os engenheiros de suspensões trabalharam juntamente com a RockShox com o objetivo de conseguir um tuning da curva de progressividade focado a 100% nas provas de XC e Maratonas, assim pedalar mesmo com o Brain "relaxado" é igualmente muito bom. A cinemática foi - portanto - modificada, sendo agora muito mais progresiva do que antes.

PERDE O MEDO

Falar de XC moderno é falar de ângulos de direção abertos, cada dia mais afastados dos 70 ou 71 graus do passado. A tendência atual visa geometrias mais ágeis nas descidas sem sacrificar o rendimento nas subidas. E se a nova Trek Supercaliber (cujo teste podes ler na BIKE nº13 que está atualmente nas bancas) tem um ângulo de 69º, ou a Cannondale Scalpel (que estamos ainda a testar) tem 68º, a Epic nova tem uns inesperados 67,5º, um valor até há pouco tempo conotado como apto para bicicletas de Trail e Enduro.

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Com um triângulo dianteiro maior, ganha em termos de estabilidade, mas é surpreendentemente ágil.

E não se trata apenas do ângulo de direção. O Reach (comprimento do triângulo dianteiro) cresceu, algo que se nota mais quando nos sentamos na Epic. A altura do pedaleiro foi reduzida cerca de 9 mm e as escoras são agora mais curtas, alterações que obviamente pretendem alcançar um equilíbrio perfeito nas subidas, mas também com uma ponta de agilidade nas descidas. A Epic acelera como uma mota - o nosso modelo de teste em tamanho M pesa 9.58 kg com SWAT incluído e sem pedais -, sendo estável em altas velocidades e com grande à-vontade nos ziguezages dos nossos trilhos favoritos. Enfrentar zonas técnicas do tipo Rock Garden, pese embora as sensações de bicicleta ultraleve que transmite, não mete medo, pois transmite muita confiança. É aquele tipo de bicicleta que é muito reativa e rápida, como seria de esperar.

QUATRO MODELOS SPECIALIZED EPIC

A Specialized foi algo tímida na hora de criar modelos, deixando no catálogo somente 4 opções mais a possibilidade de adquirir o quadro em separado. Comp, Expert, Pro e S-Works serão as quatro possibilidades e, lembramos, as três primeiras possuem quadro Fact 11m e a última tem quadro Fact 12m.

Já testámos a Specialized EPIC e EPIC EVO 2021

Epic S-Works. 11.599€

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Epic SW kit quadro + suspensão SID Brain: 4.999€

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Epic Pro: 8.499€

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Epic Expert: 6.499€

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Epic Comp: 4.299€

PARECIDA, MAS DIFERENTE: EPIC EVO

O Super XC veio para ficar, não tenhas dúvidas. São modelos mais polivalentes que podem ter 120 ou 130 mm de curso e que a indústria está a apostar em força. Na revista BIKE temos publicado vários comparativos e Guias do Comprador acerca deste novo segmento. E se as bicicletas de competição têm cada vez ângulos mais relaxados e um potencial nas descidas cada vez mais generoso, podemos deduzir que com montagens mais polivalentes e suspensões com mais curso teremos uma máquina todo o terreno imbatível. É precisamente aqui que a nova EPIC EVO se enquadra, uma bicicleta que já existia no catálogo, mas que nesta nova geração está ainda mais especializada.

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A Epic EVO não é uma Epic qualquer, as suas capacidades foram aumentadas para ser uma rainha do Super-XC.

O quadro é exatamente o mesmo que nas Epic normais, mas difere o amortecedor, que não utiliza a tecnologia Brain, tendo a marca optado por um amortecedor SID Luxe com medidas métricas convencionais. Foi desenvolvido em parceria com a RockShox para este modelo específico. Para alojar este amortecedor foi feita uma modificação essencial, um novo link que integra tecnologia herdada da Stumpjumper de Trail/All Mountain, tendo um curso traseiro de 110 mm (ou seja, 10 mm a mais) e uma cinemática distinta, menos focada na competição e mais absorvente e cómoda. As montagens da Epic EVO são mais reforçadas tanto em termos de rodas, como de pneus, travões e incluem espigões telescópicos de série. As suspensões são as novas RockShox SID, uma suspensão que parece feita à medida para esta bicicleta, tendo neste caso 120 mm de curso. Todas, excepto o modelo Pro, que traz suspensão e amortecedor Fox.

CINCO MODELOS EPIC EVO

Estes são os cinco modelos que estarão à venda do modelo Epic EVO:

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Epic EVO SW: 11.599€

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Epic EVO quadro. Preço não facultado.

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Epic EVO Pro: 8.899€

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Epic EVO Expert: 6.499€

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Epic EVO Comp: 4.499€. Epic EVO Base: 3.599€

Mais informações em www.specialized.com.