Após a estreia do Giro na Bulgária, o pelotão aproveitou o dia de descanso para se deslocar até Itália, o seu cenário natural, onde chegou fragilizado pelas quedas que provocaram o abandono de vários favoritos às primeiras posições da classificação geral (como Adam Yates, Jay Vine e Santiago Buitrago) e pela peculiaridade do fenómeno Thomas Silva, o uruguaio que, vestido de cor-de-rosa, colocou o seu país no mapa do ciclismo mundial.
Uma longa e desconfortável viagem até às proximidades da cidade de Catanzaro, onde o Giro recomeça esta terça-feira, dando início a uma semana que oferecerá oportunidades para os sprinters e testará os favoritos com duas chegadas de alta montanha: Blockhaus na sexta-feira e Corno Alle Scale no domingo.
As três etapas do Giro d'Italia na Bulgária viram surgir dois protagonistas inesperados: Paul Magnier, o francês de 22 anos da Soudal Quick-Step, que conquistou duas etapas ao sprint e lidera a classificação por pontos; e o uruguaio Guillermo Thomas Silva (XDS Astana), o primeiro uruguaio na história do Giro e, além disso, líder e portador da camisola rosa. Aos 24 anos, depois de quatro temporadas na Caja Rural e depois da sua vitória este ano no Tour de Hainan (China), colocou o seu país no mapa do ciclismo mundial.
Entre os ciclistas menos conhecidos, destacou-se a coragem e a ambição do madrileno Diego Pablo Sevilla (Polti VisitMalta). Tem agora a honra de vestir a camisola azul de líder da classificação da montanha, depois de ter participado na fuga em todas as três etapas. "Enfrentamos agora a primeira semana em Itália e vamos continuar a prestigiar a prova, a equipa e os nossos patrocinadores, sabendo quando atacar e quando recuar e recuperar", disse após a etapa de domingo.
A corrida ficou marcada, até agora, por várias quedas, tendo a mais significativa ocorrido na segunda etapa, entre Burgas e Veliko Tarnovo. Este azar frustrou particularmente as ambições da UAE Team Emirates. A equipa liderada por Joxean Matxin, que já não contava com o português João Almeida e o mexicano Isaac del Toro no arranque, perdeu Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler na queda. O colombiano Santiago Buitrago (Bahrain Victorious), ciclista que seria crucial nas etapas de montanha e um dos candidatos ao pódio, também foi obrigado a abandonar a prova pelo mesmo motivo.
VINGEGAARD CONTINUA SÓLIDO
A classificação geral oferece pouca informação relevante. Thomas Silva veste a camisola cor-de-rosa com uma pequena vantagem de segundos sobre o alemão Florian Stork (Tudor) e o colombiano Egan Bernal (Netcompany INEOS). Todos os outros candidatos à vitória em Roma estão a menos de 10 segundos de distância. Jonas Vingegaard, o grande favorito, teve pouco impacto nas poucas subidas disputadas até ao momento, resguardando-se para as subidas mais duras que se avizinham.
Ao mesmo tempo, na classificação geral - a 10 segundos - estão a esperança italiana Giulio Pellizzari - que resistiu ao ataque do dinamarquês na subida da 2ª etapa-, Giulio Ciccone e os espanhóis Enric Mas, Juanpe López, Markel Beloki e Javier Romo.
PRIMEIROS EMBATES NA MONTANHA
O Giro d'Italia recomeça na Calábria com etapas relativamente tranquilas que conduzem a Cosenza, Potenza e Nápoles, onde se espera uma chegada decidida no sprint final. O primeiro grande desafio na montanha acontece na sexta-feira, dia 15, em Abruzzo. Aí, a subida de primeira categoria do Blockhaus aguarda os ciclistas, culminando após uma maratona de 244 quilómetros e 4.650 metros de altimetria acumulada. A subida final, de 13,6 quilómetros com uma inclinação média de 8,4% (com rampas que atingem 14%), será o primeiro verdadeiro teste para os candidatos à classificação geral.
Após uma oitava etapa exigente e com meta em subida na localidade de Fermo, o fim de semana termina em Marche com outra chegada no alto, no Corno alle Scale, uma subida de primeira categoria de 10,8 quilómetros a 5,9%, com zonas que superam os dois dígitos. Embora menos exigente que o Blockhaus, será mais uma chegada onde os favoritos poderão avaliar a sua força.
Amanhã, terça-feira, a quarta etapa vai ligar Catanzaro a Cosenza (138 quilómetros). É uma etapa plana com uma subida de segunda categoria a meio do percurso – Cozzo Tunno; 14,4 km a 5,9% – que pode ser decisiva. A chegada a Cosenza, com uma ligeira subida (400 metros a 3,7%), é ideal para os velocistas.
ETAPAS DESTA SEMANA
Etapa 4. Catanzaro - Cosenza. 138 km
Etapa 5. Praia a Mare - Potenza. 203 km
Etapa 6. Paestum - Nápoles. 142 km
Etapa 7. Formia - Blockhaus. 244 km
Etapa 8. Chieti - Fermo. 157 km
Etapa 9. Cervia - Corno alle Scale. 184 km
