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A Volta a França é a principal prova de ciclismo a nível mundial, por isso, é sempre com expetativa que aguardamos a apresentação oficial deste evento, a qual ocorre sempre com grande pompa e circunstância.
A edição de 2027 da prova francesa inclui dois contrarrelógios - um 38 e outro de 33 km - seis etapas de alta montanha (menos do que em anos anteriores), sete etapas planas, seis etapas de média montanha, perfazendo, no total, 3.479 km com 53.450 metros de desnível acumulado.
Se olharmos friamente para os dados, tudo nos leva a pensar que a A.S.O quis reduzir as hipóteses de Tadej Pogacar ganhar vantagem na alta montanha, beneficiando, de certa forma, ciclistas como Remco Evenepoel ou Paul Seixas. Mas se olharmos para as etapas com cautela, as coisas mudam ligeiramente de figura.
Nota-se que o objetivo foi adiar ao máximo qualquer desfecho prematuro, evitando que o vencedor seja conhecido de antemão e colocar incerteza com uma cartada bem conhecida de todos: contrarrelógio. Ainda por cima duas jornadas, ambas acima dos 30 km.
PARTIDA EM EDIMBURGO
Como já tínhamos anunciado anteriormente, a partida oficial será em Edimburgo, num regresso a solo britânico. A primeira etapa será plana, ideal para sprinters e as outras duas serão rompe-pernas, com várias subidas.
A apresentação oficial das equipas ocorrerá no Old Castle de Edimburgo, e será precisamente nesse local que a prova oficialmente vai começar no dia 2 de Julho, estando a meta situada em Carlisle (Inglaterra), onde se espera uma chegada ao sprint após percoridos 184 km maioritariamente planos.

No dia seguinte (3 de Julho), o pelotão vai começar a segunda etapa em Keswick (Inglaterra), depois vai atravessar o Parque Nacional de Lake District em direção a Liverpool, onde os últimos 20 km serão planos. Antes da meta, os ciclistas vão enfrentar cinco subidas de pouca inclinação e após 223 km com 2.800 metros de desnível acumulado, é provável que a decisão da etapa seja feita por um grupo de fugitivos, ou eventualmente será uma chegada massiva, caso as equipas dos sprinters consigam controlar as hostilidades e os seus homens mais rápidos tenham conseguido recuperar o fôlego após as subidas na parte final.

A terceira etapa (4 de Julho) vai decorrer na totalidade em território galês, com partida em Welshpool e meta em Cardiff (223 km). É a mais exigente das três jornadas, com oito subidas e 3.000 metros de desnível acumulado. A última delas - em Caerfilli - tem 2 km e 8,1% de inclinação e está situada a 12 km da meta, portanto pode definir o vencedor da etapa.

No dia seguinte (5 de Julho) está programado o primeiro dia de descanso, que permitirá à caravana (composta por mais de 3.000 pessoas e centenas de veículos) a deslocação para território francês, onde decorrerá o resto da prova.
ALTA MONTANHA SÓ CHEGA NA NONA ETAPA
A travessia do Maciço Central levará o pelotão até aos Alpes, embora, este ano, os Alpes cedam o protagonismo aos Pirenéus. O Grand Colombier (17,4 km a 7,1%) será a primeira chegada em alta montanha, na 9. ª etapa e há mais novidades: os organizadores incluíram subidas inéditas, como a difícil subida a Bisanne, com 12,4 km de extensão e uma inclinação média de 8,3%, na 11ª etapa.

9ª etapa

10ª etapa

11ª etapa
"É provável que as diferenças em termos de tempo nos primeiros classificados sejam pequenas até à nona etapa. Só a partir daí, com a alta montanha, é expectável que o cenário mude de figura", referiu Carlos Pinto.
A 14ª etapa também promete ser demolidora, embora à primeira vista pareça inofensiva. Esta jornada entre Montpellier de Mende não tem montanhas muito conhecidas nem com granDe declive, mas se olharmos para os 4.300 metros de desnível positivo ficamos com a noção daquilo que os ciclistas vão passar.

14ª etapa
A semana final começa com um contrarrelógio de 33 km em Toulouse, que se destaca por uma subida de 800 metros a 12,4% de inclinação, a cerca de 9 km da meta.

16ª etapa
Nesta altura, o cansaço já se deve apoderar da maioria dos ciclistas, mas faltam duas etapas de dureza entrema nos Pirenéus: Tourmalet e Saint-Lary-Soulan. Só para termos noção do desgaste, na etapa rainha - a 18ª etapa - os ciclistas vão enfrentar 5.400 metros de desnível acumulado graças a quatro subidas.

18ª etapa
O vencedor será encontrado em Paris, caso as contas finais ainda tenham imprevistos e, se assim for, as três passagens na subida de Montmartre podem ditar o rumo da prova. Só ao cortar a meta nos Campos Elíseos saberemos o veredicto final.

21ª etapa
ETAPAS
- 1ª etapa. 2 de julho. Edimburgo - Carlisle (185 km)
- 2ª etapa. 3 de julho. Keswick - Liverpool (223 km)
- 3ª etapa. 4 de julho. Welshpool - Cardiff (223 km)
- Primeiro dia de descanso. 5 de julho. Cherbourg-en-Cotentin
- 4ª etapa. 6 de julho. Cherbourg-en-Cotentin - Cherbourg-en-Cotentin (171 km)
- 5ª etapa. 7 de julho. Pontorson - Plumelec (178 km)
- 6ª etapa. 8 de julho. Vannes - Angers (193 km)
- 7ª etapa. 9 de julho. Blois - Chambord, CRI (38 km)
- 8ª etapa. 10 de julho. Bourges - Le Creusot (224 km)
- 9ª etapa. 11 de julho. Villars-les-Dombes Parc des Oiseaux - Grand Colombier (162 km)
- Segundo dia de descanso. 12 de julho. Haute-Savoie
- 10ª etapa. 13 de julho. Annecy - Sallanches (171 km)
- 11ª etapa. 14 de julho. Cluses - Les Saisies (150 km)
- 12ª etapa. 15 de julho. Chambéry - Valence (162 km)
- 13ª etapa. 16 de julho. Aubenas - Montpellier (164 km)
- 14ª etapa. 17 de julho. Montpellier - Mende (199 km)
- 15ª etapa. 18 de julho. Rodez - Albi (169 km)
- Terceiro dia de descanso. 19 de julho. Toulouse
- 16ª etapa. 20 de julho. Toulouse - Toulouse, CRI (33 km)
- 17ª etapa. 21 de julho. Muret - Pau (186 km)
- 18ª etapa. 22 de julho. Pau - Saint-Lary-Soulan Col du Portet (174 km)
- 19ª etapa. 23 de julho. Hasparren - Laruns (160 km)
- 20ª etapa. 24 de julho. Maubourguet - Libourne (198 km)
- 21ª etapa. 25 de julho. Saint-Quentin-en-Yvelines - Paris Campos Elíseos (116 km)
"O percurso tem tudo para dar um bom espetáculo e ser mais neutro. Se o traçado deste ano claramente favorecia Pogacar, o de 2027 dá mais oportunidades a ciclistas como Paul Seixas, Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel, embora o esloveno seja o favorito. Para o público, as etapas iniciais sem alta montanha poderão não ser do seu agrado, mas coloca de certa forma em pé de igualdade ciclistas com pontos fortes distintos.", destacou Carlos Pinto.









