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O ciclismo é uma modalidade desportiva que mobiliza milhões de pessoas. Estima-se que entre 10 e 15 milhões de espectadores acompanhem, ao vivo, as 21 etapas da Volta a França. Um número verdadeiramente impressionante que, muito provavelmente, apenas é superado pelos Campeonatos do Mundo de Futebol.
No meio do público há famílias inteiras a apoiar os ciclistas, particantes de ciclismo, pessoas que nunca andaram de bicicleta, mas que adoram a modalidade e pessoas que pura e simplesmente odeiam uma equipa ou um ciclista em particular. Sempre foi assim e sempre será.
Hoje em dia, o alvo principal é Tadej Pogacar e, de certa forma, a UAE Emirates. Embora seja em número reduzido, existem espectadores que apupam o esloveno, acusando-o de conduta irregular. O diretor desportivo Joxean Matxin e Mauro Gianetti (CEO da equipa) também são alvo destes apupos, devido ao seu passado ligado a equipas com histórico de dopagem - um dos maiores escândalos de dopagem ocorreu na Geox-TMC, com Juan Cobo e Denis Menchov, sem esquecer os problemas na Saunier Duval, embora nenhum dos diretores tenha sido condenado -.
Estes apupos geram sempre mal-estar no ciclismo, alimentando um clima de desconfiança. Acresce o facto de que existem grupos a acusar a equipa dos Emirados de sportswashing, dado que não existem condições de trabalho dignas neste país, há restrições nos direitos de liberdade de expressão e uma constante tentativa de silenciar ativistas.
Pogacar não fica incomodado com os apupos nem lhes dá relevância. O mesmo acontece com os diretores da equipa. Esta mistura entre temas desportivos e política sempre esteve presente em modalidades como o ciclismo, mas ultimamente ganhou um novo dinamismo. Ainda por cima, vivemos numa época em que milionários e países riquíssimos mandam e desmandam na modalidade, contrariando o modelo de negócio existente há cerca de 25 anos.
E quando eles decidirem gastar dinheiro noutra modalidade ou excentricidade? Sim, porque tudo isto é cíclico! Quem ocupará o seu lugar? A história diz-nos que há sempre solução... mas poderá não ser propriamente aquela que todos estamos à espera...
