Qual é a bicicleta mais mítica da Specialized? Muitos de vocês devem estar a pensar na Epic, certo? Pois bem, não é, mas está perto. Apesar de a Epic ser a bicicleta de cross country/ maratonas número um na atualidade em termos competitivos, na Specialized há um nome que marcou gerações e que se converteu numa lenda. De facto, a sua versão mais antiga data de 1981 e é um autêntico ícone no mundo do BTT. Falamos obviamente da Stumpjumper, a primeira bicicleta de montanha produzida em série e que nas décadas posteriores apresentou sempre uma geometria e componentes muito versáteis face ao que o mercado tinha como referência. 37 anos depois, a Stumpjumper reinventa-se e continua o seu legado.
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A bicicleta foi apresentada para um restrito grupo de jornalistas, onde nós estivemos presentes, em Aínsa, Huesca (Espanha), um dos nossos locais de eleição (e de várias marcas, diga-se de passagem) para o Trail. Obviamente que uma pergunta pairava no ar: "era mesmo preciso melhorar a Stumpjumper?". A resposta é sim, incluindo os últimos avanços em termos de suspensões, geometrias e standards da atualidade, bem como alguns detalhes que não contávamos.
O trabalho de desenvovimento desta bicicleta durou mais de dois anos e isso nota-se. O quadro é completamente novo no qual sobressai o apoio do amortecedor assimétrico, um conceito herdado do modelo Demo de DH. É uma bicicleta 19% mais eficiente do que o modelo anterior, segundo a Specialized, comparando os parâmetros de peso e rigidez.
As alterações em termos de componentes são surpreendentes, pelo que a marca conseguiu uma redução de peso na ordem dos 550 gramas nas versões de carbono, incluindo eixos Boost, amortecedor de medida métrica (sem o prolongador Shock Block anterior, sendo assim compatível com qualquer amortecedor) e passando agora a usar um pedaleiro de rosca mais fiável, como já o faz noutros modelos. A Specialized entra assim na lista de marcas que abandonam a palavra Plus (no seu caso chamavam 6Fattie) do seu vocabulário, e nos dois diâmetros de roda disponíveis (27,5 e 29) permite montar pneus até 3.0 polegadas, apesar de série vir equipada com pneus que vão dos 2.3 aos 2.6".
A Stumpjumper será fabricada em duas versões principais, além de uma terceira opção extra Evo mais orientada para as descidas técnicas. Existirão modelos de 27,5 e 29 polegadas, no entanto em Portugal no início não chegarão todos os modelos em todas as opções de roda. A plataforma Stumpjumper Short Travel tem 130 mm de curso em 27,5 e 120 mm em 29 (todas com suspensão de 130 mm) enquanto a outra versão da Stumpjumper tem 150 mm de curso em 27,5 e 140 mm em 29 (sempre com suspensão de 150 mm).
Além disso haverá opções de carbono e de alumínio, enquanto que a versão Evo só existirá em alumínio, igualmente disponível nas duas medidas de roda e com os mesmos cursos de suspensão que as Long Travel, mas com uma geometria do triângulo dianteiro maior e ângulos mais abertos, além de componentes mais extremos (guiador de 800 mm, travões SRAM Code...). E se isto parece pouco, dizemos-te desde já que existirão versões específicas para mulher nos dois diâmetros de roda e nas duas plataformas de curso.
A Specialized desenvolveu o seu próprio standard de rigidez específico para bicicletas de categoria Trail, testando vários laminados de carbono especificamente para cada tamanho, com o objetivo de obter uma bicicleta fiável, fácil de conduzir e de seguir a trajetória em qualquer terreno, por mais complicado que seja. Deste modo, tal como noutros modelos da marca (especialmente em estrada), os quadros dos tamanhos superiores são mais rígidos, para responder melhor, perante um rider mais pesado.
Outro dos aspetos testados foi experimentar diferentes geometrias com a velocidade como objetivo principal. Como os tubos de selim são muito curtos e retos, é possível aproveitar ao máximo o espigão telescópico e usar cursos maiores (de 150 a 160 mm em tamanhos M, L e XL, dependendo da versão). Como seria de esperar, dotaram a nova Stumpjumper com um triângulo dianteiro mais longo e com um ângulo muito aberto, destacando-se os ângulos de direção que vão desde os 67,5º do modelo Short Travel 29, aos 65,5º do modelo Long Travel 27,5", até chegar aos arriscados 63,5º do modelo EVO.
A capacidade de adaptação desta bicicleta não acaba aqui já que em todos os modelos entre o cranque e o amortecedor encontramos um "Flip Chip", um eixo excêntrico que permite duas montagens distintas, o que modifica a geometria baixando a pedaleira 6 mm e abrindo os ângulos mais 0,5º.
A nível de suspensões, a marca trabalhou com o objetivo de que a informação do terreno que nos chega às mãos seja igual à que chega aos pés, ou seja, para que o comportamento da suspensão e do amortecedor seja equilibrado e emparelhado na perfeição com a cinemática do sistema. A cinemática é sobretudo linear, com alguma progressividade no final do curso, aproveitando todo o curso disponível e apoiando-se no sistema hidráulico dos novos amortecedores que são cada vez mais estáveis na zona intermédia de curso.
Prometemos detalhes inesperados e aqui estão. No departamento de engenharia da Specialized, conhecendo de antemão o ódio que muitas pessoas ganharam aos engenheiros das marcas que optaram usar cablagem interna pela dificuldade na sua manutenção, os responsáveis encontraram um sistema que permite que os cabos passem isolados através de todo o quadro, sem necessidade de nenhuma ferramenta. Vê o vídeo aqui para saberes mais.
O segredo consiste numa peça central na parte posterior do pedaleiro que guia os cabos desde o triângulo dianteiro até às escoras (usando umas guias no compartimento SWAT) para que cheguem ao seu destino bastando para tal empurrar as bichas a partir da caixa de direção.
A Specialized desenhou um protetor de borracha específico para a escora do lado da corrente que evita o barulho típico da corrente a saltar quando está em zonas muito técnicas. Para além disso, a porta SWAT também sofreu modificações, aumentando o seu volume e tamanho da entrada em cerca de 20%, sendo muito mais fácil introduzir objetos como um impermeável ou até mesmo uma garrafa de cerveja, como comprovámos em Aínsa.
Em Aínsa pudemos testar três modelos distintos da Stumpjumper em exclusivo e tirar algumas conclusões. Uma palavra que as define é equilíbrio. Equilíbrio geométrico, estabilidade de suspensões e eficiência de pedalada. Algo que chamou muito a atenção foi o maior rendimento de pedalada do sistema FSR usado nas novas Stumpjumper, superior aos FSR anteriores com a compressão do amortecedor aberta ao máximo. Embora as suspensões sejam bastante lineares (como é a regra hoje em dia), a zona intermédia do curso tem uma boa resposta, com mais apoio na versão de 140 mm ao ter mais curso. A tração a pedalar nas zonas empedradas é excelente devido à posição de condução e ao tubo de selim mais vertical, para além de que o peso está mais centrado.
A agilidade e o controlo são imagens de marca da Specialized e mesmo nas versões Short Travel não notámos grandes limitações mesmo nos singles mais técnicos. A versão de 140 mm é sem dúvida uma máquina mais para o Trail cuja utilização pode ser uma volta domingueira com os amigos no Parque de Monsanto até um Enduro. A escolha é tua.
Conhece a gama que está à venda em Portugal aqui.
