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Canyon Predict: a bicicleta com Inteligência Artificial

Durante a feira Eurobike, a Canyon tinha em exposição a bicicleta mais imponente do certame. Trata-se da Canyon Predict — um protótipo desenvolvido pela marca alemã que integra tecnologia de ponta orientada para a segurança, a consciência ambiental e a assistência ao ciclista em tempo real, incluindo Inteligência Artificial.

Redação Sport Life

3 minutos

Canyon Predict: a bicicleta com Inteligência Artificial

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Não se trata apenas de uma bicicleta equipada com sensores, mas sim de um sistema integrado de perceção, análise e resposta em tempo real, concebido para transformar a bicicleta numa espécie de "veículo inteligente" capaz de interpretar o ambiente que a rodeia, tal como um carro autónomo ou um drone avançado.

Uma característica fundamental é o seu sistema de câmaras a 360 ​​graus. A bicicleta incorpora quatro câmaras: três viradas para a frente e uma para a traseira. Estas câmaras operam em conjunto para oferecer uma visão abrangente do ambiente, semelhante aos sistemas já presentes nos automóveis modernos ou nos drones de vigilância e gravação. O objetivo é permitir que a bicicleta "veja" tudo o que acontece à volta do ciclista, eliminando os ângulos mortos.

Este sistema de câmaras não opera de forma isolada, mas sim em conjunto com uma série de sensores com radar. Ao todo, a Canyon Predict incorpora quatro sensores de radar: três à frente (dois virados para os lados e um virado para a frente) e um atrás. Os sensores dianteiros são concebidos para detetar objetos nas imediações do ciclista durante a pedalada, incluindo veículos, peões ou quaisquer obstáculos na estrada. O radar virado para a frente, em particular, foi concebido para medir distâncias com precisão, permitindo antecipar situações potencialmente perigosas.

O radar traseiro, por sua vez, desempenha uma função mais tradicional, semelhante à dos dispositivos já existentes no mercado: detetar veículos que se aproximam por trás. Isto permite alertar o ciclista sobre manobras de ultrapassagem perigosas ou situações em que um automóvel se aproxima a alta velocidade sem ser facilmente percebido.

Uma das características mais inovadoras do sistema é a incorporação do processamento por inteligência artificial diretamente no próprio dispositivo — um conceito conhecido como computação de bordo. Isto significa que os dados recolhidos pelas câmaras e radares não dependem de ligação à internet ou a redes externas para serem processados; toda a análise ocorre localmente, na própria bicicleta. Este oferece diversas vantagens: reduz a latência (tempo de resposta), aumenta a privacidade do utilizador e garante o funcionamento do sistema mesmo na ausência de cobertura de rede móvel ou Wi-Fi.

Outro componente fundamental do sistema são os sensores de pressão dos pneus. Integrados nas rodas, estes sensores medem a pressão do ar em tempo real. Esta informação não só alerta o ciclista no caso de a pressão ser muito baixa, como também pode ser utilizada para fornecer recomendações de segurança, como por exemplo, ajustes na condução para dias de chuva ou condições de fraca aderência. As rodas e os cubos são fabricados pela DT Swiss, o que indica que o projeto combina tecnologia digital avançada com componentes mecânicos de alto padrão.

Todo o sistema é alimentado por uma bateria interna que pesa aproximadamente um quilograma. É importante realçar que a bicicleta não é elétrica no sentido tradicional; não oferece assistência à pedalada. Toda a energia desta bateria destina-se exclusivamente à alimentação de sensores, câmaras, luzes e sistemas de processamento. O consumo de energia é elevado devido à quantidade de hardware integrado. As estimativas atuais indicam uma autonomia de cerca de oito horas para o sistema, embora este tempo possa aumentar com futuras otimizações.

O sistema de iluminação também faz parte do ecossistema inteligente. A bicicleta conta com luzes dianteira e traseira integradas no quadro. Embora não tenham sido fornecidas especificações exatas sobre a intensidade da iluminação no momento da apresentação, a luz traseira é notavelmente grande e foi concebida para garantir visibilidade tanto em ambientes urbanos como em estradas mais isoladas.

Além disso, o sistema inclui luzes embutidas no próprio guiador, embora tenham uma finalidade diferente: em vez de iluminar o caminho, foram concebidas para fornecer informações ao ciclista. Funcionam como um sistema de alerta visual, avisando o ciclista sobre potenciais perigos detetados por sensores — como a abertura repentina da porta de um carro, buracos, tampas de esgoto ou outros obstáculos. Isto transforma a bicicleta num sistema proativo de assistência à condução, em vez de um dispositivo meramente passivo.

O guiador conta ainda com botões adicionais, além dos controlos padrão de troca de velocidades. Estes botões extra permitem realizar diversas ações, como ajustar a altura do selim ou acionar os piscas.

Quanto à transmissão, o protótipo está equipado com componentes SRAM RED — um dos grupos de gama alta do mercado. No entanto, a marca esclarece que este aspeto não é essencial para o conceito, uma vez que poderá sofrer alterações no futuro, dependendo do modelo de produção final. Por outras palavras, o sistema inteligente funciona independentemente da transmissão mecânica ou eletrónica utilizada.

E quando é que a Canyon Predict sairá da fase de protótipo para chegar às ruas? A previsão mais otimista aponta para uma espera de, pelo menos, dois anos.

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