Procura de bicicletas começa paulatinamente a retomar

Depois de mais de um mês em que a procura de bicicletas e acessórios atingiu níveis negativos, aos poucos a procura tem vindo a crescer, segundo relatos de algumas lojas.
Carlos Pinto
Procura de bicicletas começa paulatinamente a retomar
Procura de bicicletas começa paulatinamente a retomar

O confinamento social mudou os hábitos de muitos portugueses. No caso português, o Governo deliberou - e bem, na nossa opinião - a possibilidade de sair esporadicamente para fazer exercício de curta duração. De um momento para o outro, mesmo quem não praticava desporto passou a considerar esta "volta higiénica", como apelidou o Primeiro Ministro António Costa, o momento alto do dia. Passámos a ver ciclovias apinhadas, passeios marítimos com mais pessoas e trilhos com praticantes que não tocavam nas bicicletas há anos.

Isto fez com que muitos começassem a olhar a prática de desporto (bicicleta, corrida, etc) como um escape. Muitos dos que já não andavam de bicicleta há muitos anos - ou só costumavam pedalar no tempo quente - aperceberam-se que, ao andar agora praticamente todos os dias, é necessário fazer alguma reparação, pelo que já há lojas com trabalho para as próximas semanas. Há também o relato de uma procura maior por bicicletas de criança e por peças/componentes, sobretudo produtos baratos e de gama baixa.

No caso das lojas de grande retalho, como a Decathlon, diariamente surgem perguntas (nas redes sociais) de novos praticantes de BTT que pretendem saber como podem adquirir bicicletas, vestuário e periféricos.

Obviamente isto não está a acontecer em todo o país. Segundo os dados que obtivemos, são principalmente as lojas nos grandes centros urbanos que estão a notar esta pequena mudança.

Também notámos na nossa redação um crescimento no número de perguntas de pessoas que querem passar a deslocar-se para o local de trabalho de bicicleta quando o confinamento acabar, pois estão receosas de andar em transportes públicos. Perguntam-nos sobretudo quais os melhores modelos de bicicletas urbanas elétricas, preços e qual a legislação aplicável.

Em suma, aparentemente o Coronavírus, apesar de ser claramente algo nefasto para a nossa saúde e para a nossa economia, parece trazer de volta um nicho de ex-praticantes de BTT que agora se deparam com tempo e vontade de pedalar (o que pode implicar uma ajuda às lojas, que estão a passar por muitas dificuldades), bem como o surgimento de novos clientes (que não tinham bicicletas e procuram para eles ou para os seus filhos).

Obviamente, esta procura não resolve o decréscimo de facturação da maioria das lojas. E cabe-nos a nós ajudarmos nesta fase complicada quem muitas vezes nos desenrascou na véspera de um evento. Quantas vezes fomos a uma loja fora de horas e fomos sempre atendidos? É nestas alturas que devemos dar a mão a quem sempre está connosco. Vale a pena pensar nisto...