A quinta etapa ligou Arrifana a Sagres, numa tirada de 76 km e 750 metros de cumulado. Os três elementos da família Gavinho chegaram ao emblemático Cabo de São Vicente, em Sagres – o ponto mais a sudoeste da Europa Continental. Deixamos aqui o relato de António Gavinho:
O início da jornada acabou por ter algo de mítico e quase misterioso, dado o nevoeiro cerrado que escondia o percurso e os olhares mais curiosos daqueles por quem passavam. Deixaram para trás a bonita Arrifana (popular entre os surfistas) e pedalaram rumo a sul, onde não muito distante visitaram o miradouro da Praia da Pedra da Agulha. Continuaram então por um fantástico trilho selvagem pela serra, onde os pinheiros, os eucaliptos e toda a demais vegetação desta região, completa o quadro perfeito de uma paisagem a descobrir.
Aqui a sensação de liberdade ao pedalar uma bicicleta está em harmonia perfeita com a tranquilidade e a serenidade de toda a envolvência, banhada no maravilhoso cheiro da Esteva.
É no pontal da Carrapateira que reencontramos o mar e a sua brisa fresca! Ainda que deste ponto se observem normalmente algumas das falésias mais bonitas de Portugal, hoje permaneceram escondidas entre o nevoeiro que nos acompanhou em grande parte deste dia. Observamos assim as bonitas praias da Bordeira e do Amado, no entanto sem poder contemplar toda a sua beleza (apenas mais uma desculpa para lá voltar)!
O percurso continua então para a maravilhosa e recuperada Aldeia da Pedralva, percorrendo extensos bosques de pinheiro manso à medida que a linha costeira se afasta. A serra, atrevida, intensifica o esforço, mas nem isso nos faz desistir!
Uma vez mais em direção ao mar, percorrem-se mais alguns dos segmentos da Rota Vicentina, onde podemos também observar o parque eólico de Vila do Bispo. Chegados à costa (e novamente com o nevoeiro cerrado), pedalámos por um estradão lindo sobre o mar até alcançar as bonitas praias da Cordoama e do Castelejo – um pequeno tesouro da Costa Vicentina!
Especial destaque para o bosque do Castelejo! Já não muito longe do final desta etapa, ao longe, o farol do Cabo de São Vicente! Temos pela frente as retas infindáveis onde o forte vento pelas costas nos indica o caminho para o cabo, num estradão deveras trepidante. Sabemos que Sagres está próximo, mas primeiro, não podemos deixar de visitar aquele último pedaço de terra que ainda hoje ecoa histórias de conquistas perdidas no tempo.
É também conhecido como o cabo do “fim do mundo", uma vez que era o último local de terra avistado pelos valentes marinheiros que se faziam ao mar em busca de conquistas. Os seus altos penhascos rasgados pelo mar, denotam a força da natureza, mas também todo o esplendor da sua beleza.
Terminamos a nossa etapa em Sagres, no acolhedor Memmo Baleeira. Aqui teremos o primeiro dia de descanso deste incrível projeto.