Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

Todos os quadros de BTT podem ganhar fissuras e partir. Estes são os pontos que deves ter em conta se queres que o teu dure uma vida e conserve a Garantia.
Ivan Mateos -
Porque é que os quadros de bicicleta se partem?
Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

Não é nenhum segredo: não existe nenhum quadro indestrutível, todos os quadros de bicicleta são suscetíveis de se partir. Quer sejam metálicos (alumínio, aço, titânio) ou de fibra de carbono, pois todos estão submetidos a uma série de forças constantes ou pontuais que vão subtraindo segundos à sua vida útil, até chegar o momento em que se vão partir. Este facto pode acontecer rapidamente ou não chegar a ocorrer, tudo depende da sua qualidade e do uso ao longo do tempo. Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

Um quadro de uma marca de prestígio pode durar uma vida inteira ou partir-se em menos de um ano, em função de como o estiveres a utilizar. Um quadro "chinês" também pode durar uma vida inteira: isto, claro, se o deixares parado na garagem!

Entre os diferentes aspetos físicos que afetam um quadro (temperatura, humidade...) encontramos dois realmente determinantes: a fadiga, produzida pelo uso constante, e o limite elástico, fácil de alcançar após uma queda ou impacto.

Fadiga: refere-se à rotura de um material alvo de cargas cíclicas. Ou seja, um quadro parte-se devido à debilidade do material provocada pelas forças e torções constantes do pedaleiro, vibrações do terreno, travagens... Os quadros metálicos de alumínio são mais propensos a sofrer fadiga, enquanto os de fibra de carbomo são mais tolerantes. Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

Limite elástico: É a tensão máxima que um material suporta sem sofrer deformações permanentes. Os quadros de alumínio podem ficar deformados após um impacto, sem chegar a partir nesse preciso momento. Aliás, até se podem continuar a utilizar. Todavia, os de carbono mostram uma maior fragilidade e facilidade em se partir se receberem uma pancada forte perpendicular às fibras. Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

Em teoria, todos os fabricantes de prestígio submetem os seus quadros a diferentes testes de laboratório, com inúmeros ciclos de carga, testes de impacto e condições ambientais adversas para garantir a sua vida útil acima das expetativas do utilizador, por isso: porque é que os quadros se partem? Quedas ou acidentes à parte, estes são os principais motivos:

MÁ UTILIZAÇÃO

Nenhuma bicicleta serve para tudo. É óbvio que uma bicicleta leve de XC nunca pode suportar uma utilização em Enduro durante muito tempo... Nem todos os fabricantes o fazem, mas muitos deles especificam o uso previsto para cada uma das suas bicicletas, delimitando o seu raio de utilização, e isso está especificado no Manual do Utilizador.

Por exemplo, a Canyon coloca a sua Exceed, uma rígida de XC, no grupo 3: "As bicicletas desta categoria incluem as da categoria 1 e 2 e estão desenhadas para terrenos duros não pavimentados. O objetivo destas bicicletas inclui saltos ocasionais a uma altura máxima de 60 cm." Porque é que os quadros de bicicleta se partem?

A utilização de uma bicicleta fora do seu Grupo de Uso previsto aumenta as possibilidades de sofrer uma quebra e isenta a marca de aplicação da Garantia de fábrica.

EXCESSO DE PESO

Este detalhe também deve ser tido em conta, mas aos poucos o peso máximo suportado tem vindo a aumentar, tanto para os quadros como para os componentes ou rodas. Como é lógico, um guiador que pesa 120 gramas não pode sustentar demasiado tempo um rider que pese 120 kg.

Como exemplo, a Mondraker estabelece que "Todas as bicicletas da gama Mondraker para adultos foram desenhadas e testadas para um peso máximo total de ciclista + carga + bicicleta de 120 kg", embora dependendo da marca e modelo a limitação pode ser de mais ou menos peso.

Se és um ciclista pesado, ou pretendes fazer uma viagem com alforges, consulta este dado no Manual do Utilizador.

MÁ QUALIDADE DE FABRICO

É verdade que no nosso setor existe uma espécie de bolha que inflaciona os preços, às vezes de uma forma estratosférica, mas quando se coloca à venda um quadro sem autocolantes e te dizem que é autêntico ou pelo menos tal e qual a marca, mas a 1/4 do seu preço de mercado, deves obviamente ficar apreensivo. Os quadros baratos logicamente são de manor qualidade, pois não são submetidos aos custos inerentes à Investigação e Desenvolvimento, testes de resistência, protótipos, teste em competição... Nem tudo é marketing, e por detrás de um bom quadro, há um grande investimento e muito trabalho, o que se reflete no resultado final e, obviamente, no seu preço.

No fabrico de um quadro barato utilizam-se materiais de menor qualidade e a prioridade é a velocidade de produção. No caso dos de fibra de carbono, o número de peças de tipo diferente e a disposição dos filamentos é simplificado, acelerando o processo e utilizando técnicas que não estão na vanguarda. No caso dos quadros metálicos, os tratamentos térmicos são acelerados, ficando debilitadas as zonas próximas das soldaduras.

E o que é que diz a Garantia?

A cobertura da Garantia difere de marca para marca. Em linhas gerais, os quadros estão cobertos perante defeitos de fabrico e apenas para o primeiro proprietário (com fatura de compra com o nome do proprietário) durante um período que oscila entre os dois anos legais e a chamada Garantia Vitalícia, no caso de algumas marcas.

Para que não tenhas deceções posteriores, desde já informamos-te que as marcas realizam as suas próprias peritagens, contam com os seus próprios estudos de quebra e possuem maquinaria própria (raios-X) para determinar as causas exatas que provocaram a fissura ou quebra do quadro. Desde que não tentes enganar a marca (dizendo, por exemplo, que uma escora partida se deveu a fadiga de material quando na realidade aconteceu após uma queda) não terás problemas e a marca responderá de forma justa.