Depois de muitas tentativas falhadas – inúmeros segundos e terceiros lugares em etapas e provas de um dia – Carlos Canal, ciclista galego de 24 anos da Movistar Team, conquistou finalmente a sua primeira vitória profissional. Alcançou-a na sua terra e batendo ao sprint um grupo de 34 ciclistas. Mas a grande notícia para nós, portugueses, é a liderança da prova passar a estar os ombros de Rafael Reis (Anicolor/Campicarn).
COMO TUDO ACONTECEU
Carlos Canal coroou o intenso trabalho da sua equipa ao longo do dia, especialmente o realizado por Iván Romeo, que imprimiu um ritmo alucinante na subida ao Alto de Noceda (-21 km) e na parte seguinte até à meta. A 14 km da meta, o grupo de favoritos, agora sem o líder Julius Johansen, alcançou o ciclista checo Jakub Otruba (Caja Rural - Seguros RGA), o último sobrevivente da fuga, e começou a preparar-se para o sprint.
No sprint, o ciclista galego da Movistar lançou um poderoso ataque a mais de 200 metros e ninguém o conseguiu bater. O luxemburguês Mats Wenzel (Team Kern Pharma) terminou em segundo lugar, e o uruguaio Eric Fagúndez (Burgos Burpellet BH) ficou em terceiro.
Num sprint sem puros velocistas, Carlos Canal afirmou a sua autoridade, garantindo uma vitória que parece uma libertação após anos de busca incansável. "Finalmente, foi uma viagem interminável, sempre a chegar tão perto no passado, e hoje foi o dia decisivo. A equipa foi incrível; estou sem palavras com o trabalho que fizeram, e esta vitória é mais deles do que minha. Com o Nelson Oliveira e Iván Romeo a fechar tudo e a ditar o ritmo, a sua prestação é indescritível. Esta vitória de etapa dá-me motivação para as restantes etapas."
O ciclista que vestia a camisola amarela, Julius Johansen, ficou para trás na subida para Noceda e perdeu 58 segundos na meta, o que significa que o novo líder da Volta à Galiza é o português Rafael Reis, um segundo à frente de Nelson Oliveira e 12 segundos à frente de Jørgen Nordhagen. Jakub Otruba é quarto, a 23 segundos, e Adam Yates quinto, a 25 segundos.
Esta segunda etapa apresentou um percurso extenuante com mais de 2.100 metros de desnível positivo e duas subidas de terceira categoria, A Gañidoira e Alto de Noceda (2,6 km a 8,4%), que foi coroada a 21 km da meta.
Na partida, antes de enfrentarem a subida inicial ao Alto da Gañidoira, cinco ciclistas atacaram e ganharam vantagem sobre o pelotão: Jakub Otruba (Caja Rural - Seguros RGA), Sinuhé Fernández (Burgos Burpellet BH), Danny van der Tuuk (Euskaltel - Euskadi), Joaquim Silva (Efapel Cycling) e Tomas Contte (Aviludo - Louletano - Loulé). A eles juntaram-se 40 km depois, após uma longa perseguição, os lusos Ruben Rodrigues (Feira dos Sofás - Boavista) e Hugo Nunes (Credibom / LA Alumínios), e o canadiano Hubert Lamothe (Meridian Racing), formando um grupo de oito que chegou a ter uma vantagem de quatro minutos.
Aos poucos, o trabalho da UAE e da Movistar diminuiu a vantagem da fuga, que começou a consolidar-se pouco antes do Alto de Noceda, onde o checo Otruba se revelou o mais forte do grupo e onde a Movistar, sobretudo com Iván Romeo, assumiu o controlo do pelotão para impor um ritmo exigente que fez inúmeras vítimas, entre as quais Julius Johansen, que perdeu a liderança.
Assim que Otruba foi alcançado, houve vários ataques (de Eric Fagúndez, George Bennett, William Smith... e até Nelson Oliveira, que liderou o pelotão durante alguns quilómetros), mas isso não impediu que a etapa terminasse num sprint, onde Carlos Canal pôde finalmente erguer os braços em sinal de vitória. Um profeta na sua própria terra.
