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Antes da Volta a Espanha começar, Tadej Pogacar esclareceu quais eram as suas intenções: “Não quero chegar exausto ao final da Vuelta, porque depois ainda tenho três grandes provas: o Mundial, o Europeu e a Lombardia. Preciso de ser inteligente para chegar bem ao final da época”. E assim fez. Neste início de Volta a Espanha o esloveno já tem uma vantagem confortável sobre os mais diretos rivais, podendo dosear o seu esforço.
De 'Pogachitar' nada.
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) August 25, 2026
𝐃𝐎𝐍 𝐓𝐀𝐃𝐄𝐉 𝐏𝐎𝐆𝐀𝐂𝐀𝐑.
El maillot rojo liquida La Vuelta en Andorra.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/uWiXs2hK1v
Assim, a primeira grande etapa de montanha, com três subidas de primeira categoria em sequência, num percurso curto e intenso de 104 km em Andorra, apresentava-se como a oportunidade perfeita para desferir um golpe decisivo na corrida. Dito e feito: o campeão do mundo entrou em ação, demonstrando mais uma vez que nenhum ciclista do pelotão está à sua altura.
Atacou na dura subida de Collada de Beixalis, a 50,5 km da meta, seguiu isolado e protagonizou mais um espetacular arranque a solo, cortando a meta em Andorra com uma vantagem de 2min39 (mais bónus) sobre os seus rivais diretos: Jarno Widar, Felix Gall, Oscar Onley, Sepp Kuss, Enric Mas e Primoz Roglic.
Ainda falta quase toda a Vuelta 2026, mas a sensação deixada pelo fenómeno esloveno é a de que, salvo algum acidente ou doença, já tem a corrida no bolso. Isto porque, além de ser o mais forte, na classificação geral já tem uma vantagem de 3min21 sobre Roglic, 3min22 sobre Mas, 3min44 sobre Kuss, 3min45 sobre Onley, 3min50 sobre Carapaz e 3min57 sobre Gall. Uma eternidade... e estamos apenas na 4ª etapa (que na verdade foram três, devido ao cancelamento da de ontem).
Nesses três dias, conquistou duas vitórias em etapas e lidera a classificação geral, a de pontos e a de montanha. O "Canibal" do século XXI não deixa sequer as migalhas.
Tadej Pogacar protagonizou uma das suas maiores demonstrações de força numa Grande Volta. Sem dúvida, foi a vitória com a maior distância percorrida em carreira a solo numa dessas competições; o anterior recorde era da 6ª etapa da Volta a França deste ano, com uma fuga de 43 km em direção a Gavarnie-Gèdre.
JOÃO ALMEIDA PASSOU DIFICULDADES
Como seria de esperar, a etapa começou a um ritmo acelerado, com múltiplos ataques que resultaram num primeiro grupo de fuga com 30 ciclistas; depois de serem alcançados pela UAE, que queria controlar a corrida, formou-se outra fuga de alto nível com 16 atletas, entre os quais Van Aert, Armirai, Fisher-Black, Castrillo, García Pierna, Dunbar, Lutsenko, Double, Fortunato, Sosa... A subida ao Port d'Envalira (o ponto mais alto desta edição e também a subida mais longa: 23,3 km a 5,1%) foi seleccionando os membros da fuga e também o grupo de favoritos, em que a Decathlon CMA CGM impunha um ritmo forte. A equipa francesa queria isolar Pogacar (os seus gregários, como Novak e João Almeida, ficaram para trás), mas acabou por se aproximar demasiado dos escapados, alcançando-os logo a seguir ao topo de Envalira, com Lorenzo Fortunato na liderança.
A corrida seguia a um ritmo intenso, com a Decathlon, de Felix Gall, a endurecer a prova a caminho de Encamp e do início da Collada de Beixalis, a subida mais dura do dia (6,5 km a 8,5%). Apenas 50 ciclistas resistiam no pelotão principal, enquanto noutro grupo, já bastante distanciado, pedalavam Carlos Rodríguez, Cian Uijtdebroeks (o belga da Movistar foi o último a cortar a meta, com 26min11 de atraso), Santiago Buitrago e João Almeida, entre outros nomes de destaque.
Em Beixalis, foi Jay Vine (UAE) quem tomou a iniciativa, embora a Decathlon tenha rapidamente endurecido novamente o ritmo, procurando selecionar ainda mais a corrida. Já sem companheiros de equipa, Pogačar não esperou mais e lançou o seu ataque a 6 km do topo da subida (a 50,5 km da meta). Apenas Gall conseguiu acompanhá-lo num primeiro momento, mas acabou por ceder perante o ritmo avassalador do grande dominador do ciclismo mundial. Ninguém o consegue enfrentar de igual para igual, e provou-o mais uma vez no troço mais difícil de Beixalis, com rampas até 16%. O esloveno voava sozinho em busca de mais uma exibição de luxo.
🚴♀️Tadej Pogačar lanza su primer ataque en pleno puerto
— Teledeporte (@teledeporte) August 25, 2026
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Pogacar foi aumentando a vantagem e, atrás dele, formou-se um grupo de perseguição liderado pela EF (Carapaz e Juan Felipe Rodríguez), do qual faziam também parte Gall, Bisiaux, Mühlberger, Roglic, Vine, Mas, Kuss, Onley, Svestad-Bardseng, Skjelmose, Pablo Torres, Johannessen, Brenner, Tejada, Ibon Ruiz e Widar. O dono da camisola vermelha passou pelo topo de Beixalis (a 45 km do final) com 1min35 de vantagem sobre este grupo, ao qual se juntaram mais alguns ciclistas durante a descida.
Pouco depois, veio a subida do Coll de Ordino (1ª categoria; 9,9 km a 7%), onde o campeão do mundo continuava a ampliar a sua vantagem. No grupo de perseguição, Felix Gall atacou, com Oscar Onley na sua roda. Logo a seguir, Roglic, Enric Mas e Kuss juntaram-se a eles. No entanto, o líder da prova estava cada vez mais distante. Passou pelo topo de Ordino com três minutos de vantagem sobre esse quinteto e 3min30 à frente de Carapaz, Skjelmose, Widar e Mühlberger.
Restavam apenas La Comella (uma subida de 3ª categoria, com 3,9 km a 5,9%) e 5 km de descida rápida até à meta em Andorra-a-Velha. O esloveno conquistou 6 segundos de bonificação no topo de La Comella, enquanto Carapaz, Skjelmose, Widar e Mühlberger alcançavam o grupo de cinco perseguidores; no entanto, o dinamarquês da Lidl-Trek, o equatoriano da EF e Mühlberger acabaram por perder o contacto na última subida.
Pogacar, insaciável, selava a sua 5ª vitória na Vuelta e desferia um golpe quase definitivo na corrida.
