Competição

Benjamín Noval sagra-se Campeão do Mundo júnior de contrarrelógio

O ciclista espanhol de 17 anos Benjamín Noval, um dos grandes talentos do ciclismo espanhol, vestiu a camisola de campeão do mundo ao vencer o contrarrelógio de 20,3 km em Montreal (Canadá). A medalha de prata ficou na posse do belga Vic De Smet (a 6 segundos) e a de bronze foi obtida pelo dinamarquês Malthe Risbjerg (a 16 segundos). Rodrigo Jesus foi 30º e Gonçalo Costa 33º.

Ciclismo a fundo. Fotos: Luca Bettini (Sprint Cycling Agency)

4 minutos

Benjamín Noval sagra se Campeão do Mundo júnior de contrarrelógio

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O espanhol Benjamín Noval, de 17 anos (completará 18 a 7 de outubro), sagrou-se campeão do mundo júnior de contrarrelógio ao vencer a prova de 20,3 km disputada em Montreal (Canadá). O belga Vic De Smet ficou em segundo lugar e o dinamarquês Malthe Risbjerg em terceiro. 

O ciclista asturiano (filho de Benjamín Noval González, profissional entre 2001 e 2013 e gregário de confiança de Alberto Contador) é uma das grandes jóias do ciclismo espanhol, ao ponto de, na próxima temporada, com apenas 18 anos, competir no WorldTour para a Netcompany INEOS. Este título mundial confirma, uma vez mais, o seu enorme potencial.

A vitória ganha também uma dimensão histórica: Noval torna-se o primeiro ciclista espanhol a conquistar o Campeonato Mundial Júnior de contrarrelógio. Além disso, a camisola de campeão do mundo chega exatamente um ano depois de o ciclismo ter mostrado a sua face mais cruel em Kigali, onde uma queda terrível a 3 quilómetros do fim o impediu de vencer a prova de estrada.

Doze meses depois, Montreal ofereceu-lhe uma nova oportunidade e, desta vez, o asturiano não a deixou escapar. 

Noval conquistou o título mundial num percurso de 20,3 quilómetros, com partida na Avenue du Parc e chegada no Parc Jeanne-Mance — um traçado rápido, mas que também apresentava partes muito técnicas. Com uma velocidade média de 48,163 km/h, Benjamín Noval completou a prova em 25min17s, tempo que o belga Vic De Met, o seu principal rival, não conseguiu superar — ficando a 6 segundos.

O terceiro lugar do pódio foi para o dinamarquês Malthe Risbjerg, a 16 segundos, enquanto o também dinamarquês Julius Birkedal e o italiano Patrick Pezzo Rosola completaram o top 5.

No primeiro ponto de cronometragem (km 6), a disputa estava muito renhida: os 10 melhores estavam separados por apenas 7 segundos, e o ciclista das Astúrias ocupava a quarta posição. Foi a partir desse momento que Noval — que mais tarde admitiu ter começado de forma conservadora — acelerou para abrir vantagem. No segundo ponto de controlo (km 14,5), já liderava, com 10 segundos de vantagem sobre De Met e 15 segundos de vantagem sobre Julius Birkedal.

Uma prestação formidável que lhe permitiu encarar os quilómetros finais em condições de concretizar um feito histórico. E, desta vez, não houve azar. Manteve o seu extraordinário ritmo até ao Parc Jeanne-Mance e garantiu a vitória mais importante da sua trajetória desportiva, ainda nos seus estágios iniciais.

Um ano depois de ter deixado Kigali em lágrimas, quando estava prestes a conquistar uma medalha mundial, Noval encontrou em Montreal a recompensa perfeita: a camisola de campeão do mundo. Além disso, garantiu à comitiva espanhola a sua segunda medalha neste Mundial de Montreal, depois do bronze conquistado ontem por Héctor Álvarez no contrarrelógio sub-23.

O novo campeão do mundo de juniores terá agora dois dias para recuperar antes de defrontar, esta quinta-feira, a prova de estrada, na qual voltará a ser um dos principais favoritos ao longo dos 134 quilómetros e 2.690 metros de desnível positivo do exigente circuito de Mont-Royal. Repleto de confiança, Noval já aponta à dobradinha no mundial.

"Sabia que tinha hipóteses, mas não tinha a certeza se conseguiria. Parti com cautela, pois queria ser prudente naquele primeiro troço técnico; depois, uma vez ultrapassado, consegui impor o meu ritmo e recebi uma grande orientação da equipa através do rádio. Quero agradecer a todos, em especial à minha família, que me apoia no dia a dia. Agora é tempo de sonhar com a dobradinha, mas primeiro quero assimilar e desfrutar desta conquista; depois de amanhã pensaremos nas possibilidades da prova de estrada", assumiu Benjamín Noval.

PORTUGUESES EM PROVA

Rodrigo Jesus conseguiu o melhor resultado, 30.º, tendo completado os 20,3 quilómetros em 27min00.99, mais 1m43.64 que o vencedor. Já Gonçalo Costa concluiu na 33.ª posição, ao fim de 27min03.75, mais 1min46.40 que Noval.

Foto: FPC

"Não era o resultado que esperávamos, mas os rapazes deram tudo o que tinham. As nossas expetativas passavam sobretudo por um lugar no top 20. Apesar de não terem alcançado esse objetivo, não ficaram muito longe. Quinta-feira teremos uma nova oportunidade numa prova que acreditamos adequar-se melhor às características dos nossos corredores e onde esperamos conseguir um resultado superior", explica Ricardo Senos, Selecionador Nacional.

“Tive alguns pequenos percalços na bicicleta antes do contrarrelógio, o que acabou por me afetar um pouco. Ainda assim, as sensações foram boas e foi uma grande experiência poder representar Portugal numa prova como esta. Espero que a corrida de fundo corra melhor e que não aconteçam os contratempos que tive hoje”, referiu Rodrigo Jesus.

“Era um percurso muito plano, que não me favorecia particularmente. Além disso, não consegui fazer a melhor preparação possível para este Campeonato do Mundo devido a uma queda que sofri há pouco tempo. Ainda assim, senti-me bem e penso que foi uma boa ativação para a prova de fundo de quinta-feira”, analisa Gonçalo Costa.

A participação portuguesa no Campeonato do Mundo prossegue na quinta-feira com Raquel Dias na prova de fundo de sub-23 femininas e, mais tarde, Gonçalo Costa e Rodrigo Jesus na corrida de juniores masculinos. As duas corridas serão disputadas ao longo de 134 quilómetros e 2690 metros de desnível acumulado no circuito do Mont Royal.

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