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Com apenas 17 anos (completará 18 no próximo dia 7 de outubro), o asturiano Benjamin Noval já faz parte da história do ciclismo espanhol. Depois de se ter sagrado campeão do mundo de contrarrelógio júnior na terça-feira, completou esta quinta-feira a dobradinha mundial em Montreal (Canadá), vencendo também a prova de estrada — disputada num percurso de 134 km, resultante de dez voltas ao circuito de Mont Royal (13,4 km), que incluía a subida da Voie Camillien-Houde (1,6 km com uma inclinação de 7,7%).
Fê-lo com uma prestação de nível mundial, demonstrando ser o mais forte de uma corrida que foi sendo selecionada desde longe, graças a ataques incisivos. Tudo isto com a sua habitual voracidade e estilo ofensivo.
🌈🌈 UN DOBLETE HISTÓRICO PARA EL CICLISMO ESPAÑOL
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) September 24, 2026
👑 𝘽𝙚𝙣𝙟𝙖𝙢𝙞́𝙣 𝙉𝙤𝙫𝙖𝙡 se corona campeón del mundo en ruta júnior días después de colgarse el oro en la crono individual#Montréal2026 #LaCasaDelCiclismo pic.twitter.com/oNLqsAR0aJ
O ciclista espanhol (filho de Benjamín Noval González, profissional entre 2001 e 2013 e gregário de confiança de Alberto Contador) é uma das grandes jóias do ciclismo espanhol, um autêntico diamante em bruto, ao ponto de já competir no WorldTour na próxima temporada pela Netcompany INEOS.
Esta dobradinha no Mundial de Juniores eleva as expectativas sobre o seu futuro. A seleção espanhola teve sempre um ciclista nos grupos de fuga iniciais (primeiro Luca Martinez e Raúl López, e depois Aitor Martínez) antes de Noval entrar em ação, a cerca de 50 km do fim. Atacou juntamente com o italiano Patrick Pezzo Rosola para se juntar primeiro a Tobian Gren e Noël Goijert, e depois a um grupo de seis — do qual Aitor Martinez fazia parte — que, por sua vez, perseguia o trio que liderava a prova (Lancelot Gayant, Sander Willems e Sindre Orholm-Lonseth), pedalando com mais de um minuto de vantagem.

Martínez trabalhou alguns quilómetros para o seu líder, antes de o asturiano iniciar a sua série de ataques, com os quais foi deixando os rivais para trás ao mesmo tempo que se aproximava dos líderes da prova.
Apenas o francês Defrance conseguiu resistir às arrancadas de um Noval que pedalava de forma avassaladora; a 30 km do fim, alcançaram o grupo dianteiro, que passou a ser um quinteto. Pouco depois, coincidindo com a antepenúltima passagem pela meta (a 26,8 km do final), deu-se o ataque decisivo do grande dominador da prova.
O ciclista de Pola de Laviana disparou sozinho e iniciou um contrarrelógio de 26 km, perseguido pelos franceses Simon Defrance e Lancelot Gayant, que, mesmo trabalhando em dupla, não conseguiam aproximar-se de Noval. Na penúltima passagem pela meta (a 13,4 km do final), a sua vantagem sobre os franceses era já de 32 segundos. Voava rumo ao ouro e a uma nova camisola de campeão do mundo.

Na última passagem pela subida de Voie Camillien-Houde, Gayant quebrou, e a vantagem de Noval só aumentou até concretizar o seu feito com 45 segundos de diferença sobre Simon Defrance, o medalha de prata. A medalha de bronze foi decidida num sprint entre quatro ciclistas, em que o sueco Elias Wändel superou o alemão Owen Kings, o austríaco Michael Hettegger e o esloveno Gal Stare. Chegaram 2 minutos e 12 segundos depois de Benjamín Noval, o que dá uma ideia da dimensão da sua vitória. Era o favorito número 1 e provou-o com uma prestação que lembra as de Remco Evenepoel na sua época de júnior.

A vitória de Noval completa também uma extraordinária desforra desportiva em relação ao Mundial de Kigali 2025. Nessa ocasião, ainda como júnior de primeiro ano, Noval disputava as medalhas na prova de estrada quando uma queda na parte final acabou com as suas hipóteses. Um ano depois, conquistou uma dobradinha histórica em Montreal.

PORTUGUESES EM PROVA
Gonçalo Costa foi o melhor representante luso ao terminar na 55.ª posição, a 7m33s do vencedor, enquanto Rodrigo Jesus não concluiu a corrida.
“Fui em busca do resultado que ambicionava, mesmo não estando com as melhores sensações desde o início. No entanto, um mau-estar no estômago nas últimas cinco voltas não me permitiu acompanhar o grupo principal, do qual deixei de fazer parte a duas voltas do final”, explica Gonçalo Costa.
“Estes não foram, de todo, os Mundiais que esperava. As sensações eram positivas e sentia me capaz de discutir um resultado melhor, mas uma queda a cinco voltas do final acabou por afastar-me da corrida”, lamenta Rodrigo Jesus.
“Estivemos abaixo do que pretendíamos e há que assumi-lo. Não alcançámos os resultados que procurávamos, mas só posso agradecer o apoio que temos recebido e pedir desculpa a todas as pessoas que nos têm apoiado”, reconhece Ricardo Senos, Selecionador Nacional.
Na prova de sub-23 femininas, Raquel Dias não conseguiu concluir os 134 quilómetros da corrida disputada no circuito do Mont Royal. O título mundial foi conquistado pela eslovaca Viktória Chladoňová, que superou ao sprint a canadiana Isabella Holmgren. A belga Fleur Moors completou o pódio, a 33 segundos.
A participação portuguesa no Campeonato do Mundo prossegue nesta sexta-feira com a corrida de fundo de sub-23 masculinos, na qual estarão presentes Daniel Lima, Daniel Moreira, Gabriel Baptista, Rafael Barbas e Rúben Rodrigues, e com a prova de fundo de juniores femininas, na qual vai alinhar Marta Esteves.









