Medalha de bronze para Maria Martins no mundial de scratch

Maria Martins continua a fazer história no ciclismo português, conseguindo hoje a terceira posição na prova de scratch do Campeonato do Mundo de Pista, em Berlim, Alemanha. É a primeira medalha do ciclismo feminino nacional em mundiais de elite.
FPC e revista Ciclismo a fundo -
Medalha de bronze para Maria Martins no mundial de scratch
Medalha de bronze para Maria Martins no mundial de scratch

A corrida de 10 quilómetros, 40 voltas ao velódromo berlinense, foi calma durante as primeiras 30 voltas, sem qualquer ataque ou movimentação de relevo. Isto significou que todas as corredoras se guardaram para os derradeiros 2,5 quilómetros, disputados a uma grande intensidade.

Maria Martins entrou em pista com a lição bem estudada, marcando a roda da grande favorita, a holandesa Kirsten Wild. Foi uma escolha acertada, embora difícil de executar, pois exigiu capacidade física para responder às últimas acelerações.

Além da disponibilidade atlética, a corredora da Equipa Portugal revelou uma astúcia digna de registo, passando “pelo buraco da agulha”, ganhando posições por dentro, junto à corda, na última curva, entrando na luta pelas medalhas.

Kirsten Wild confirmou o favoritismo, arrebatando o título mundial. Jennifer Valente, dos Estados Unidos da América, ficou com a medalha de prata, numa luta decidida pelo photo-finish com Maria Martins, que garantiu a subida ao pódio.

Depois de em outubro ter sido a primeira mulher portuguesa a conquistar uma medalha em Campeonatos da Europa de Elite, Maria Martins deu um passo adiante e, a partir de hoje, é a única ciclista portuguesa medalhada em Campeonatos do Mundo de categoria absoluta.

A Maria fez uma corrida exemplar, do ponto de vista técnico e tático. Teve todos os cuidados necessários de colocação e de seguir a roda que nos poderia levar mais à frente, na fase decisiva. Além disso teve a capacidade de não quebrar no momento decisivo. Foi uma corrida fantástica”, assinala o selecionador nacional, Gabriel Mendes.

Quando ouvi a sineta para a última volta e vi que estava no quarto lugar acreditei que poderia chegar às medalhas. Foi esse o único momento em que tive realmente a ambição do pódio, porque o objetivo passava por melhorar os processos de colocação para discutir o sprint o mais à frente possível, pois prevíamos que a decisão fosse ao sprint. A medalha acaba por ser o corolário de toda a corrida que fiz e de todo o trabalho que está para trás”, explica Maria Martins.

O scratch volta a marcar a segunda jornada competitiva da Equipa Portugal, às 19h00 de quinta-feira. Iuri Leitão será o representante nacional na prova masculina. Numa corrida de resultado sempre imprevisível, o minhoto irá bater-se com nomes cimeiros do ciclismo de pista internacional, vários já medalhados em mundiais e europeus, em diferentes disciplinas.