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Na segunda-feira, 29 de abril de 1935, às oito horas da manhã, junto à Puerta de Atocha, o então presidente da Câmara de Madrid, o Sr. Salazar Alonso, levantou a bandeira verde. Nascia a Volta Ciclística a Espanha.
Cinquenta ciclistas formavam o primeiro pelotão e, deles, apenas 29 conseguiram completar as 14 etapas. O primeiro líder foi Antoon Digneff, que superou o navarro Mariano Cañardo no sprint da etapa inicial, entre Madrid e Valladolid. Não tardou a chegar a primeira vitória de uma etapa espanhola e a primeira camisola de líder nacional.
Ao fim de 251 km, Antonio Escuriet chegou isolado a Santander, depois de um ataque no Alto de la Pajosa, a 10 km da capital da Cantábria. Esta etapa foi decisiva para a Volta, uma vez que Cañardo, a grande esperança espanhola depois de vencer por quatro vezes a Volta à Catalunha, perdeu 10 minutos; foi exatamente essa a diferença que, no final, o separou na classificação geral de Gustave Deloor, o primeiro ciclista a inscrever o seu nome no livro de ouro da competição espanhola.
A camisola de líder não durou sequer 21 horas na posse de Escuriet, porque na terceira etapa, com chegada em Bilbau, perdeu 29 minutos e 46 segundos para Deloor. Deloor assumiu a liderança com uma vantagem de mais de 8 minutos e 30 segundos sobre Digneff, o segundo classificado da classificação geral.
Cañardo ocupava a terceira posição, mas teria de lutar praticamente sozinho, uma vez que os principais ciclistas espanhóis abandonaram precocemente a prova. Na quarta etapa, Escuriet (devido a um furúnculo) e Federico Ezquerra (sofrendo de lombalgia) abandonaram a disputa, enquanto Vicente Trueba, que já tinha vencido a classificação da montanha na Volta a França, abandonou a prova na quinta etapa devido a uma infecção intestinal.
Gustave Deloor, vencedor da Volta a Espanha de 1935
Cañardo enfrentou inúmeros contratempos que o impediram de superar o belga Gustave Deloor. Sofreu um mal-estar intestinal na etapa da Sierra Nevada e teve duas avarias mecânicas nos momentos mais inoportunos. O grande Cañardo chegou à última etapa (Zamora-Madri, 250 km) no quarto lugar, mas, graças a um ataque decisivo no dia final, com meta situada junto à Casa de Campo de Madrid, conseguiu subir à segunda posição do pódio. Deloor venceu a Vuelta com o tempo de 120 horas, 1 minuto e 2 segundos, a uma velocidade média de 28,537 km/h.
O impacto da Vuelta na sociedade espanhola foi espetacular. Um bom exemplo disso é uma história relatada pelo jornalista Julio Cueto no "Diario de Madrid", que pode ser lida no livro "Vuelta Ciclista a España, 1935-1985", da autoria de Paco Chico Pérez e Adrián Guerra.
"Até que ponto a passagem da caravana suscita interesse? Relatamos os factos sem recorrer a fantasias. Eis um testemunho. A chegada a Saragoça coincidiu com a formação do último governo. Estávamos vários jornalistas em casa do director do "Heraldo de Aragón", o Sr. Manuel Casanova; ausentou-se por um momento para ligar para a agência de notícias em Madrid em busca de informações, e ouvimos:
— Alô, alô, Madrid. Que notícias há?
— Por enquanto — respondeu Madrid —, só sabemos que Cañardo venceu a etapa. Mais tarde daremos mais detalhes.
— Mas estou a perguntar sobre o novo governo, por amor de Deus...
— Ah! Disso ainda não pudemos tratar."
