A estafeta internacional COP 31 Bike Ride vai entregar formalmente ao Governo português dez propostas para promover o uso das bicicletas na proteção do clima. No domingo 28 de junho, em Oeiras, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, receberá pessoalmente as propostas desta iniciativa internacional de cidadania. O testemunho embarcou num veleiro no Brasil, fez escala na Cidade da Horta, nos Açores, e chegará ao Porto de Recreio de Oeiras onde – depois de ser passado à ministra e ao presidente da Câmara, e destes para os ciclistas – seguirá viagem de bicicleta até Antália, na Turquia, para continuar a ser discutido na 31ª COP, de 9 a 20 de novembro.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) já desafiou os 52 municípios da região a adotarem até 2030 as dez medidas de promoção da bicicleta que estão em trânsito entre a COP do Brasil e a da Turquia. Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, anunciará na mesma ocasião medidas para reforçar a prática do ciclismo nos programas de sustentabilidade do concelho. Lançará também a 3ª edição da COP Oeiras Valley, uma iniciativa ambiental levada a cabo com os estudantes do ensino secundário.
“Apelamos à ministra Maria da Graça Carvalho que assuma publicamente a adesão do Governo às propostas da COP Bike Ride, uma vez que há na sociedade portuguesa um largo consenso a esse respeito. A cidadania contemporânea exige, cada vez mais, condições para o uso da bicicleta e de outros modos de mobilidade suave”, afirma António Gonçalves Pereira, da Ecomood /Climate Alliance Portugal, embaixador do Pacto Climático Europeu e coordenador da iniciativa em Portugal.
75% DAS DESLOCAÇÕES TÊM MENOS DE 5 KM
Esta iniciativa é promovida por um grupo internacional de cidadãos e, em Portugal, pelo Pacto Climático Europeu, por vários municípios e outras entidades, com coordenação da Ecomood Portugal. Com partida em Belém do Pará, no Brasil, e arranque europeu no Porto de Recreio de Oeiras, a COP 31 Bike Ride será a maior estafeta de bicicleta pelo clima de sempre, envolvendo algo como dez mil ativistas de mais de 20 países. A COP Bike Ride é uma iniciativa global de cidadãos que consiste em pedalar de uma COP para a COP seguinte, com o objetivo de promover a utilização da bicicleta e, deste modo, contribuir para reduzir as emissões de CO2.
No ano passado, a estafeta do Azerbaijão até ao Brasil atravessou Portugal e entregou as Cartas de Compromisso dirigidas à COP 30 a 60 regiões e municípios, das quais nove portuguesas. O objetivo da organização este ano é superar este número, tal como o de participantes portugueses a pedalar para ajudar a acelerar o papel da utilização da bicicleta na descarbonização.
“Se as quotas dos transportes públicos, da caminhada e do ciclismo atingissem 80% das viagens nas nossas cidades, as emissões seriam 50% inferiores. Como 75% das deslocações nas cidades têm menos de cinco quilómetros, muito mais pessoas deviam ter condições para andar de bicicleta e cerca de metade das entregas urbanas podiam ser feitas por bicicletas de carga em vez de carrinhas”, destaca António Gonçalves Pereira.
A passagem oficial de testemunho do veleiro para os ciclistas no Porto de Recreio de Oeiras ocorrerá às 10h de 28 de junho, domingo. As propostas entregues oficialmente a Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, pedem a criação de redes contínuas de ciclovias, a integração com transportes públicos, estacionamento seguro para bicicletas e promoção de bicicletas de carga.
Às 12h a estafeta internacional COP 31 Bike Ride terá a sua partida oficial, com a primeira paragem a verificar-se no Quiosque de Mobilidade Oeiras Move de Algés. Após um almoço oferecido aos participantes internacionais, a estafeta partirá pelas 14h30 em direção a Lisboa.
As propostas da COP Bike Ride são inspiradas no conceito “Caminhar-Pedalar-Passear” (WCR, na sigla em inglês). Propõem a conclusão de uma rede estrutural básica de ciclovias em cada cidade até 2030, especialmente com conectividade intermunicipal e multimodal para deslocações diárias. Recomenda-se também o aumento significativo de áreas exclusivas para bicicletas e caminhadas, as quais deverão passar perto de escolas, centros de transporte público, comércio local e áreas verdes
As medidas recomendam também a capacitação de menores de 12 anos e mulheres, para uma utilização da bicicleta mais eficiente e disseminada na sociedade. É também recomendado desenvolver a logística de bicicletas de carga para serem usadas em entregas na “última milha”.
10 MEDIDAS PROPOSTAS DE PROMOÇÃO DA BICICLETA
- Concluir uma rede estrutural básica de ciclovias até 2030, especialmente com conectividade intermunicipal e multimodal para deslocações diárias. Se a base já estiver estabelecida, torne-a ambiciosa!
- Reduzir o tráfego de automóveis, limitando a velocidade e o volume.
- Elaborar planos específicos até 2030, abrangendo todas as alavancas possíveis para o desenvolvimento da utilização de bicicletas (com financiamento adequado e dedicado e revisões de implementação que incluam as associações e colectivos de utilizadores de bicicletas).
- Aumentar significativamente as áreas exclusivas para bicicletas e caminhadas até 2030, perto de escolas, centros de transporte público, comércio local e áreas verdes.
- Generalizar a capacidade adequada de armazenamento de bicicletas em centros de transporte, áreas comerciais (!), escolas, escritórios e residências até 2030 (incluindo bicicletas de carga).
- Desenvolver um horário e um local para o ciclismo e a utilização de bicicletas: um evento anual de ciclismo e/ou utilização de bicicletas em massa, para todas as idades, para promover a participação de um público amplo + uma "casa da bicicleta" para consertar, treinar, reunir, hospedar...
- Treinar e informar: capacitar, especialmente para menores de 12 anos e mulheres, para uma utilização de bicicletas mais eficiente e empoderadora; promover benefícios financeiros (o custo anual de um carro é dez vezes maior!).
- Desenvolver o sector económico associado (serviços, manufatura, leasing, partilha...) por meio de incentivos/subsídios fiscais específicos.
- Desenvolver a logística de bicicletas de carga para entregas na "última milha" (um estudo recente mostra que 42% das entregas em carrinhas poderiam ser feitas com bicicletas de carga).
- Implementar e divulgar regularmente indicadores para medir e monitorizar (satisfação, acidentes, tamanho da rede dedicada, integração intermodal...).
