10 anos de SLR

No décimo aniversário do mais popular modelo da gama da BMC, a marca suíça volta a puxar dos galões para introduzir importantes melhorias naquela que é a quarta geração da plataforma SLR.
Revista Ciclismo a fundo / Alexandre Silva / Fotos: BMC, Alexandre Silva e Phill Gale/@1_in_the_gutter -
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10 anos de SLR

Pode parecer cedo, pois as primeiras gerações tiveram mais anos no ativo e ainda há 3 anos víamos a terceira geração da SLR a introduzir a travagem a disco na sua all rounder.

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Mas, à semelhança de outras marcas que lançaram os seus primeiros modelos de disco recentemente, o (relativamente pouco) tempo passado foi suficiente para detetar aspetos que podem ser melhorados.

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Para nos mostrar ao vivo a nova Team Machine SLR, a empresa suíça convidou um pequeno grupo de jornalistas para 3 dias de muita ação. Logo no primeiro dia ficámos a conhecer as alterações na plataforma e na gama e no segundo dia tivemos o prazer de rolar calmamente por Zurique na companhia de Fabien Cancellara, um dos embaixadores da marca. Calmamente, porque poucas horas depois, mais concretamente às 2h da manhã, iriámos alinhar na partida do conhecido “tormento” de seu nome Chasing Cancellara, uma prova que este ano ligou Zurich a Zermatt ao longo de 280 km e 6600m de acumulado. 10 anos de SLR

Rigidez, peso e aerodinâmica: objetivo velocidade

Se na segunda geração da SLR a BMC tinha atingido o equilíbrio perfeito entre rigidez, conforto e controlo, com a introdução dos travões de disco na terceira geração mexeu-se um pouco com esta harmonia. Um dos aspetos a sair um pouco prejudicado foi o peso. E se a rigidez torcional já estava num bom plano, com mais feedback de riders e profissionais e estudos em computador foi possível melhorar alguns aspetos. Para ir mais rápido era também essencial melhorar a aerodinâmica. E a gama também sofreu importantes alterações, não havendo agora opções com travões de aro e com uma reorganização de toda a gama que resultou em menos modelos. Vamos então por partes.

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Redução de peso

Com a introdução da travagem a disco, inevitavelmente o peso total das bicicletas aumentou. Para dar a volta à situação, a BMC olhou para os diversos componentes da sua SLR para ver onde podia “ganhar” uns gramas. O que mais salta à vista é o novo cockpit integrado, onde guiador e avanço formam uma só peça que ultrapassa muito pouco as 300 g, mas, ao mesmo tempo, confere mais rigidez do que o sistema tradicional. O novo ICS carbon tem uma zona de união do avanço ao guiador mais larga, oferecendo maior rigidez torcional. Os cabos continuam a passar todos por dentro para oferecer o look limpo. Nesse mesmo sentido, colocaram uma inserção de alumínio no seu interior para que os parafusos que apertam no tubo da forqueta não fiquem visíveis do lado direito da bicicleta. Este sistema estará disponível nalguns modelos e em separado, enquanto a restante gama conta com o ICS2 (evolução do primeiro ICS) ou ICS Aero (no caso das Time Machine). Para já existem 6 combinações de largura/comprimento compreendendo guiadores de 400 e 420 mm e avanços de 90 a 140 mm. Mas a marca já anunciou que irá introduzir mais combinações.

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Alterações no quadro

E para acompanhar a maior rigidez da direção, a SLR também recebeu benefícios ao nível do quadro. A caixa do eixo pedaleiro tem maior superfície de contato com o tubo diagonal uma vez que este foi alargado na sua zona inferior. As acelerações são ainda mais imediatas.

E porque de nada serve ter menos peso e poder ir mais rápido se ao fim de 3h estivermos “destruídos”, o conforto voltou a estar em plano de destaque. Graças ao desenho das escoras superiores e ao tipo e colocação das camadas de carbono, a SLR oferece flexão vertical sem prejudicar a rigidez lateral. O mesmo acontece com a forqueta e com o espigão de selim em forma de D, que apenas flete no sentido que nos interessa.

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Pequenos e grandes detalhes

Para completar o rol de alterações na SLR01, a forqueta dianteira que é agora mais aerodinâmica, tem uma nova inserção de alumínio no interior da perna direita onde aperta o eixo da roda, ou seja, o eixo não chega a aparecer do lado de fora, dando um look clean e ganhando uns pozinhos de aerodinâmica. O mesmo se passa com o eixo traseiro, que não atravessa por completo o dropout. Isto, em conjunto com a mesma ideia aplicada aos parafusos do avanço, faz com que do lado direito da bicicleta não sejam visíveis quaisquer parafusos. Pequenos detalhes que mostram a atenção que a BMC coloca em cada detalhe.

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Como a aerodinâmica ajuda a ir um pouco mais rápido, a SLR utiliza agora um conceito de grades de bidon integradas semelhante ao das suas irmãs aero. As grades foram desenhadas de modo a criar menos turbolência aerodinâmica, especialmente quando os dois bidons estão a ser utilizados. Na prática, o único aspeto menos positivo é que o bidon que está no tubo de selim fica muito baixo e obriga-nos a inclinar bastante para o alcançar.

O foguete de sempre

Se há um aspeto que, ao longo de quatro gerações, foi constante na SLR, é a sua aceleração. Ao longo dos anos, e dos muitos quilómetros feitos em SLR’s, sempre gostei desta faceta: a aceleração é do mais direto que há. Tão rápida e com um impulso para a frente tão imediato que até será boa ideia usar um guiador mais largo para conseguir manter o controlo nas acelerações mais rápidas e quando nos pomos em pé numa subida.

As restantes alterações podem, para uns, parecer apenas jogadas de marketing. Mas a verdade é que, nesta versão ONE, a SLR01 comporta-se irrepreensivelmente. A travagem é soberba, o quadro não reage negativamente às forças impostas por tamanha potência. A aceleração já mencionada é ajudada pelo baixo peso do conjunto (próximo dos 6.8kg) e pela rigidez dos componentes, como o cockpit, o quadro e as rodas DT Swiss. Claro que para contornar a questão do peso, as alterações ao quadro não são suficientes. É preciso equipar esta ONE com o que de melhor a indústria tem para oferecer. E isso tem um custo! Esta versão será seguramente comercializada por um preço com 5 dígitos. Mas a gama tem outras opções e é sempre possível adquirir o kit de quadro em separado, que já inclui espigão, forqueta, cockpit, grades e eixos.

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Gama mais concisa

Se no passado a gama da SLR era muito extensa, com três níveis de quadro e várias combinações de componentes tanto para disco como para travões de aro, agora a história é outra. Apenas dois níveis de quadro (SLR01 e SLR) e só com travagem a disco, temos agora “apenas” 4 versões completas da SLR01 e dois kits quadro (um com cockpit integrado ICS Carbon e outro com o ICS 2) e 4 versões completas da SLR.

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Quanto à nova SLR 2021 já está visível no site da marca: https://www.bmc-switzerland.com/