Medalha de prata a fechar um Europeu de ouro

A dupla formada pelos gémeos Ivo e Rui Oliveira terminou na segunda posição a prova de madison com que a Equipa Portugal encerrou, em Plovdiv, Bulgária, um Campeonato da Europa histórico para o ciclismo nacional.
Revista Ciclismo a fundo / José Carlos Gomes -
Medalha de prata a fechar um Europeu de ouro
Medalha de prata a fechar um Europeu de ouro

Numa corrida de grande intensidade, na qual pontuaram 11 das 14 seleções participantes, os corredores portugueses foram crescendo ao longo das 200 voltas à pista, assumindo maior protagonismo à medida que a corrida avançou.

A resistência patenteada por Ivo e Rui Oliveira foi determinante para o desfecho da participação nesta disciplina olímpica. Tendo pontuado em apenas um dos primeiros dez sprints, os corredores portugueses venceram três sprints e pontuaram em dois na segunda metade da prova, durante a qual ainda conseguiram dobrar o pelotão.

O desempenho da Equipa Portugal permitiu concluir esta corrida, importante por fazer parte do programa dos Jogos Olímpicos, com a medalha de prata, graças aos 43 pontos amealhados. Melhor só a dupla espanhola, formada por Albert Torres e Sebastián Mora, que somou 51 pontos. Os italianos Francesco Lamon e Stefano Moro tiveram de contentar-se com a medalha de bronze, com 33 pontos.

“De manhã nem sabíamos se iríamos partir, porque o Rui estava com más sensações. Por isso, optámos por não nos mexermos muito nas primeiras 60 voltas. Deixámos que os outros se ‘matassem’ na discussão dos sprints. A meio da corrida, decidimos que teríamos de atacar para ganhar uma volta, até porque vínhamos com mais fundo, por termos acabado uma grande volta há uma semana. Fizemos um primeiro ataque, mas fomos alcançados. Pouco depois de nos terem ‘apanhado’ tentámos novamente e os adversários não conseguiram responder. Fomos a única seleção a dobrar o pelotão. Estamos muito felizes com este resultado”, confessa Ivo Oliveira.

O selecionador nacional, Gabriel Mendes, explica aprofundadamente o processo de decisão de participar na corrida. “A perceção que o Rui tinha da sua própria condição não era a melhor, aliás como ontem não se sentiu muito bem na corrida por pontos. No entanto, sabemos que no ciclismo há dias maus e temos de ultrapassar essas situações. Hoje tive uma conversa com ele, dizendo-lhe que devíamos partir e que acreditava que o resultado seria bom. Era importante ir para a pista e dar o máximo, passo a passo, de acordo com as condições que tínhamos. O resultado é a prova de que o todo é maior do que a soma de cada uma das partes. A capacidade de superação foi importante para o resultado de hoje, mas é também um exemplo para o futuro”, assinala o responsável técnico.

A Equipa Portugal participou no Campeonato da Europa de Plovdiv com quatro ciclistas, todos medalhados. O mais laureado de todos foi Iuri Leitão, campeão europeu de Scratch, vice-campeão de eliminação e terceiro classificado em omnium. Ivo Oliveira conquistou a medalha de ouro em perseguição individual e, em parceria com o gémeo, Rui Oliveira, arrebatou a de prata em Madison. Maria Martins ganhou a medalha de bronze em eliminação.

“Quando entramos numa competição vamos sempre com intenção de dar o máximo e de controlar tudo o que esteja na nossa mão. Sabia que vínhamos com corredores em muito bom momento, apenas com a Maria numa fase mais atrasada da preparação, por ter sido forçada a parar uma semana após o Campeonato da Europa de Sub-23. Apesar de os resultados serem sempre uma incógnita, dadas estas circunstâncias, não estou surpreendido com as medalhas conquistadas e com o nível de desempenho que alcançámos”, frisa Gabriel Mendes.