Volta a Burgos: Evenepoel ganha, mas João Almeida destaca-se

O jovem português - colega do prodígio Evenepoel - voltou a demonstrar que tem tudo o que é preciso para estar no World Tour e subiu ao quinto posto da geral.
Vitor Marcos e Carlos Pinto -
Volta a Burgos: Evenepoel ganha, mas João Almeida destaca-se
Volta a Burgos: Evenepoel ganha, mas João Almeida destaca-se

João Almeida (Deceuninck-Quickstep) voltou a estar ao mais alto nível na Volta a Burgos, apoiando Remco Evenepoel e saindo bem classificado nesta terceira etapa. O luso deu uma grande demonstração de maturidade na etapa inicial desta prova - aliás, tal como fez na Volta ao Algarve - e agora nesta terceira etapa ficou a 45s do seu colega de equipa na chegada em Espinosa de los Monteros. Mas primeiro vamos ver o resumo da etapa:

Esta jornada terminou em alto, na exigente subida a Picón Blanco. Os ciclistas tiveram de cumprir 150 km com subidas de 3ª categoria pelo meio antes da chegada em alto (7,8 km a 9.3%).

A fuga do dia começou praticamente logo a seguir ao tiro de partida e era numerosa. Edward Theuns (Trek Segafredo), Nikita Stalnov (Astana), Joel Nicolau (Caja Rural), Jetse Bol, Juan Felipe Osorio (ambos da Burgos BH), Gotzon Martin (Fundación Euskadi, líder da montanha), Marton Dina (Kometa Xstra), Roger Adriá e Kiko Galván (ambos da Kern Pharma) faziam parte do grupo que chegou a ter uma vantagem de 9 minutos sobre o pelotão.

A cerca de 50 km para a meta, a velocidade aumentou e o vento, bem como as estradas estreitas e perigosas, provocaram cortes no pelotão, com a presença maioritária do líder Grosschartner (Bora-Hansgrohe), e da Ineos de Carapaz, mas sem o vencedor da edição de 2019, Iván Sosa, que tinha ficado para trás. As diferenças com a fuga começaram a ser reduzidas drasticamente, até chegar aos 5 minutos.

Seguiram-se 10 minutos de loucura, nos quais a Movistar, a Deceuninck-Quickstep, a Bahrain McLaren e o próprio Sosa, principais prejudicados pelos cortes, tinham de trabalhar a fundo para voltar a reagrupar. A calma voltou ao grupo, mas somente por alguns instantes, porque a CCC tomou o comando da prova voltando a incrementar o ritmo, colocando pressão nos rivais. Enquanto isso, mais à frente, Roger Adriá continuava líder virtual da prova.

À passagem pelo alto de Retuerta, a 25 km da meta, e com 3 minutos ainda de vantagem, a fuga fragmentou-se, deixando na cabeça de corrida o jovem catalão Roger Adriá, justificando aquilo que já se dizia dele enquanto ainda era amador. Não só o ciclista da Kern Pharma mantinha um ritmo elevado, como conseguiu aumentar a sua vantagem quase até aos 4 minutos, a cerca de 12 km do final. Atrás dele, Joel Nicolau (Caja Rural), também tentava não ser absorvido pelo pelotão.

O pelotão era comandado pela Ineos, Jumbo-Visma e Bora-Hansgrohe, os quais impunham um ritmo constante, mas sem ser insuportável, confiando num eventual desgaste de Adriá quando chegassem as primeiras e exigentes rampas de Picón Blanco.

Nos primeiros metros da subida final, a Trek-Segafredo e a Ineos comandaram o grupo dos favoritos e Grosschartner (líder da prova) era ajudado pelos seus colegas de equipa. Adriá começava a mostrar sinais de cansaço, lutando contra os impiedosos 18% de inclinação, mantendo uma vantagem de 3 minutos.

Ben Hermans (Israel Start-Up Nation) foi dos primeiros a tentar escapar, seguido de David de la Cruz (UAE), Simon Yates (Mitchelton-Scott), Valverde (Movistar) e Carapaz (Ineos), assumindo este último a liderança da equipa britânica, de cada vez que Iván Sosa ficava "apeado". Mas nenhum dos esticões dos favoritos conseguia romper este grupo... excepto o caso do líder Grosschartner, que começou a ceder a cerca de 5 km para o final.

Adriá, por seu lado, ainda mantinha a expetativa de conseguir ganhar, pois tinha uma margem de 2 minutos, mas a Mitchelton-Scott, com Chaves, Yates, Nieve e Haig impuseram um ritmo no grupo principal, onde não faltava nenhum dos grandes nomes... menos Valverde e Enric Mas, que perderam contato com os melhores a cerca de 4 km para a meta.

Chaves tentou a sua sorte a 3 km da meta, levando com ele Bennet (Jumbo-Visma) e Evenepoel (Deceuninck-Quickstep). Carapaz (Ineos) sofria, mas conseguiu aguentar, tal como Landa (Bahrain-McLaren). Um aumento no ritmo acabou com as esperanças de Adriá e de - lembramos - Joel Nicolau, que ainda não tinha sido neutralizado.

A partir daqui Evenepoel impôs o seu recital. O jovem belga atacou a cerca de 2 km para o final batendo especialistas como Bennett ou Chaves, ganhando novamente e obtendo a liderança da prova.

Bennett cortou a meta a apenas 18 segundos (foi segundo) e Landa recuperou terreno nos últimos metros, cortando a linha de meta em terceiro a 32 segundos. Chaves foi quarto a 38 segundos e o "nosso" João Almeida fez mais um brilharete ao cortar a meta em quinto a 45 segundos, à frente de especialistas como Ben Hermans, Richard Carapaz, Fabio Aru ou Mikel Nieve.

Na conferência de imprensa, Evenepoel confessou que não passava pelos seus planos atacar hoje, mas que recebeu indicações do seu carro dizendo que os seus rivais não pareciam estar muito frescos, ao contrário dele, por isso tentou a sua sorte.