Henrique Avancini: “Não tenho medo de mudar”

A atleta Bec McConnell da equipa Primaflor-Mondraker entrevistou um dos seus colegas no circuito internacional da Cannondale Factory Racing, o brasileiro Henrique Avancini.
Bec McConnell (Primaflor-Mondraker-X Sauce) -
Henrique Avancini: “Não tenho medo de mudar”
Henrique Avancini: “Não tenho medo de mudar”

Henrique Avancini é atualmente a maior estrela brasileira na Taça do Mundo. A sua ascensão desportiva foi constante e teve um forte impacto no mundo do BTT. Não só é um dos mais importantes atletas no circuito mundial, como também apresenta dois programas de televisão e emprega 17 pessoas no Brasil.

Henrique Avancini: “Não tenho medo de mudar”

Bec: Henrique, andas de bicicleta e participas em provas desde sempre. Em 2017 conseguiste chegar ao top 10 numa prova da Taça do Mundo e nesse mesmo ano chegaste ao quarto lugar no Campeonato do Mundo. Parece que nessa altura deste o grande salto, mas em 2018 e 2019 conseguiste ganhar provas em Short Track na Taça do Mundo e vários pódios em XCO. Conta-nos um pouco como foram os teus primeiros anos a competir na Taça do Mundo antes que as pessoas soubessem sequer quem era o Henrique Avancini.

Henrique: Já estou neste mundo há algum tempo, embora muitos não tivessem dado conta. A minha primeira internacionalização foi em 2009. Juntei todo o meu dinheiro e fui para Chipre. A minha esperança era ficar suficientemente bem classificado nessa prova de modo a ser contratado por uma equipa europeia. Aconteceram algumas coisas nessa viagem em solitário e precisava de um resultado no top10 em cada prova, caso contrário não teria dinheiro para comer na semana seguinte. Depois de quatro fins de semana a competir consegui um contrato com uma equipa sedeada em Itália. Passei três anos lá e nunca pude dar um passo em frente. O meu melhor resultado como Sub-23 foi um top 20. Durante este tempo, um diretor desportivo disse-me que deveria reconsiderar a minha carreira desportiva porque não tinha o necessário para ser um profissional na Europa. E foi o que fiz! Apercebi-me que não tinha o talento suficiente para fazer o mesmo que outros adversários. Estar sempre a fazer o mesmo tipo de treino deixou-me num nível normal, estagnado. Mas quando cheguei a elite em 2012, decidi mudar a minha forma de trabalhar. Disse a mim mesmo: "Não sou tão bom que mereça estar aqui, mas aprenderei a esforçar-me mais do que todos os outros". Depois disso, comecei a trabalhar arduamente e, obviamente, tive altos e baixos, mas a pouco e pouco os resultados foram chegando. Em 2013, consegui o meu primeiro top 30, em 2014 o meu primeiro top 25, em 2017 o meu primeiro top 10, em 2018 o meu primeiro pódio na Taça do Mundo e uma vitória no Short Track. De repente, toda a gente se deu conta de que estava ali há anos.

Henrique Avancini: “Não tenho medo de mudar”

Ganhaste na Taça do Mundo em Short Track e estiveste perto no XCO. Planeias seguir como até agora, ou seja, continuar a progredir ou vais fazer alterações na tua preparação para tentar ganhar a tua primeira Taça do Mundo em XCO?

Esse tempo chegará. Comecei 2019 a acreditar que podia alcançar o que de facto consegui fazer. Em 2020 preparei-me convencido de que chegarei a esse ponto. Precisava de mais experiência a correr na cabeça da corrida. Não tenho tanta experiência em provas (nos grandes eventos mundiais) como os melhores. Contudo, estou a melhorar. A diferença é que creio que os melhores não têm a mesma experiência de treino que eu. Trabalhei tanto e em tantas áreas ao longo dos naos, que isto me dá uma pequena vantagem sobre os restantes. Quando um atleta tem muito talento, desenvolve protocolos fixos. Num dado momento, não se sentem seguros se devem fazer grandes mudanças. É muito arriscado! E como nunca me considerei como alguém talentoso, sinto-me pronto para a mudança, por isso veremos como corre.