10 ciclistas a seguir em 2020

Analisamos os nomes que estão destinados a oferecer grandes momentos na próxima temporada.
Carlos Pinto
10 ciclistas a seguir em 2020
Remco Evenepoel, levantando os braços na última edição da Clássica San Sebastián

A temporada 2019 já faz parte da história. Uma história que nos deixou na retina um punhado de nomes que desempenharam um ciclismo de elevada qualidade e que, por um motivo ou por outro, se tornaram protagonistas dos próximos capítulos. 2020 promete ser um ano incrível, tal é a qualidade da fornada de ciclistas que surgiram nos últimos tempos. Por isso mesmo, neste artigo analisamos alguns dos ciclistas que, do nosso ponto de vista, estão destinados a oferecer grandes momentos de ciclismo nos próximos meses, confirmando as expetativas geradas ao seu redor, tentando bater-se de igual para igual com nomes como Roglic, Bernal, Carapaz, Alaphilippe, Valverde e companhia.

1 - Remco Evenepoel

O "pequeno Canibal" belga (como é conhecido no seu país), tem apenas 19 anos e demonstrou esta temporada que tem um futuro brilhante à sua frente, sobretudo porque é capaz de ganhar todo o tipo de provas e estar em grande nível em praticamente todas as disciplinas, excepto no sprint e nas provas de três semanas (pelo menos, que saibamos...). Em 2019 ganhou a sua primeira prova por etapas, a Volta à Bélgica, foi Campeão da Europa de contrarrelógio e apenas Rohan Dennis foi capaz de o bater na mesma disciplina no Mundial de Yorkshire. Sem esquecer a sua exibição na Clássica de San Sebastián.

2 - Mathieu van der Poel

A vitória do jovem talento holandês na Amstel Gold Race ainda ecoa na memória dos fãs como um dos momentos mais espetaculares da temporada. Mas a esse triunfo devemos somar a vitória na Dwars door Vlaanderen, no Europeu de XCO, no Tour da Grã Bretanha, entre outras. Por outro lado, a sua quebra de rendimento no Mundial de Yorkshire, depois de partir a corrida e colocar-se como um dos favoritos, torna claro que é um ciclista de carne e osso e não um imortal, como alguns apregoam. A sua qualidade é inquestionável, mas também a sua rebeldia e apesar de ter meio mundo atrás de si a "exigir" que se foque apenas numa disciplina, a verdade é que Van der Poel dá tudo o que tem quando se senta numa bicicleta, quer seja de estrada, de BTT ou mesmo de ciclocrosse. Falta ainda conhecer o seu rendimento numa prova de três semanas, se bem que as suas fibras estejam moldadas para provas de um dia. 2020 será o ano da mudança, disso não temos muitas dúvidas.

3 - Tadej Pogacar

No ano de confirmação de Primoz Roglic - vencedor da Volta a Espanha e terceiro na Volta a Itália -, a Eslovénia volta a confirmar o seu estatuto de incubadora de grandes ciclistas, com a ascensão de Tadej Pogacar à elite deste desporto. Com apenas 21 anos, este ano Pogacar ganhou a Volta ao Algarve e a Volta à Califórnia (que em 2020 não se realizará), além de três etapas e do terceiro lugar do pódio na sua primeira grande volta (a Volta a Espanha), demonstrando que tem motor suficiente para as provas de três semanas, sobretudo com perfis montanhosos. A sua exibição na penúltima etapa da prova espanhola, com final em Gredos, está só ao alcance de sobredotados.

4 - Iván Ramiro Sosa

O jovem colombiano da Ineos faz parte da nova fornada de ciclistas deste país, seguindo os passos de Egan Bernal, Daniel Martínez ou Sergio Higuita, entre outros. Sosa repetiu a vitória este ano na Volta a Burgos, foi segundo no Gran Piemonte - após entregar a vitória em bandeja ao seu chefe de fila nesse dia, Egan Bernal - e ganhou uma etapa na sempre exigente Route d´Occitanie. É um dos melhores trepadores do mundo e já goza de liberdade dentro da Ineos para procurar a vitória quando a pendente é elevada.

5 - Sepp Kuss

Um dos fieis escudeiros de Primoz Roglic é este jovem norte americano com apenas 25 anos. É sem sombra de dúvida um dos norte americanos com mais valor na nova geração e este ano demonstrou que merece estar no escalão World Tour. É um trabalhador nato e um trepador de eleição e como já tivemos a oportunidade de dizer em direto nas transmissões da Eurosport Portugal, é o sonho de qualquer diretor desportivo de ciclismo por aquilo que oferece à equipa. O Santuário de Acebo, na última edição da Volta a Espanha, foi testemunha da sua confirmação como ciclista a referenciar em 2020. Isto, depois de ter ganho o Tour de Utah com grande autoridade. Em 2020, com a chegada de Tom Dumoulin à Jumbo Visma, terá certamente muito trabalho quando chegar a alta montanha...

6 - Fausto Masnada

O ciclista italiano (de Bergamo) foi um dos homens mais combativos ao longo de toda a temporada, tanto em provas de um dia (Milão-San Remo, Lombardia, Gran Piemonte, Milão-Turin), como nas grandes voltas (no Giro saiu vitorioso na 6ª etapa). Esteve também em grande nível em outras duas etapas no exigente Tour dos Alpes e foi 5º à geral, tendo assinado contrato por duas temporadas com a equipa CCC, ocupando o lugar de Amaro Antunes (que regressou à W52-FC Porto). É um trepador nato e certamente vamos vê-lo em grande nível quando as subidas forem a tónica dominante nas grandes voltas.

7 - Enric Mas

Tudo indica que 2020 vai ser o ano da confirmação definitiva do ciclista das ilhas baleares, que após 4 anos a ser formado na estrutura de Lefevere, dá o salto para a Movistar Team como homem de referência para as grandes voltas - juntamente com Marc Soler, do qual falaremos adiante -. Em 2019 não teve a sorte do seu lado - ganhou uma etapa e a geral do Tour de Guangxi -, mas sem momentos de grande brilhantismo. Teve um bom início na Volta a França, mas sofreu problemas gástricos que o afetaram ao chegar às etapas de montanha. Mesmo assim, acabou em 22º lugar na geral, e foi 3º na classificação da juventude. Mas não nos podemos esquecer de que no Algarve, na Catalunha e na Suíça fez top 10, bem como na Clássica de San Sebastián (foi 8º). Contador disse-nos há alguns anos que Enric Mas iria ser o seu sucessor... veremos se a premonição do "pistoleiro" se concretiza.

8 - Marc Soler

Após ter estado em grande nível em 2018, com a sua vitória na geral do París-Nice, e boas classificações na Catalunha (foi 5º) e Andaluzia (foi 3º), a temporada 2019 perfilava-se como o ano da confirmação do ciclista de Vilanova. Contudo, quer pela situação interna algo confusa na Movistar, quer por outros motivos, a verdade é que Soler não teve os resultados de que todos estávamos à espera. Sobretudo depois de uma Volta a Espanha onde ficou visível que tinha muito mais para dar (e até poderia ter ganho uma etapa). Em todo o caso, terminou a prova na 9ª posição da geral. Em 2020 vai repartir o papel de líder com Enric Mas.

9 - Rúben Guerreiro

Tem apenas 25 anos, mas a sua experiência é inegável. Ganhou a geral da Volta a Portugal do Futuro com 20 anos e no seu currículo pontificam, entre outros, a vitória no Campeonato Nacional de estrada em 2017, 2016 (sub-23) e 2012 (junior), a vitória no GP Liberty Seguros em 2015 e o segundo lugar numa das etapas da Volta a Espanha deste ano. A sua formação enquanto ciclista deu um grande salto quando ingressou na equipa norte americana Axeon, caindo no radar das grandes estruturas. Luca Guercilena, diretor da Trek-Segafredo, ofereceu-lhe um contrato em 2017 e por lá andou dois anos. Mas as poucas oportunidades a que teve direito não fizeram o ciclista da margem sul do Tejo morrer de amores pela formação norte-americana. José Azevedo, diretor da Katusha-Alpecin, foi buscá-lo no final de 2018, tendo esta temporada sido supostamente de adaptação, mas com a iminente insolvência da equipa, Guerreiro fez jus ao seu nome e foi o melhor ciclista da formação com licença suíça na Volta a Espanha, não ganhando por muito pouco uma das etapas. Ruben Guerreiro foi entretanto contratado pela EF Education First, uma equipa norte americana que possui alguns nomes sonantes do panorama internacional. Esperamos que o Ruben tenha mais oportunidades como a que teve na Vuelta para mostrar todo o seu potencial.

10 - Mads Pedersen

Ao ser proclamado Campeão do Mundo em condições absolutamente desumanas, numa prova duríssima e com apenas 23 anos, isso não pode ser fruto do acaso. O dinamarquês da Trek-Segafredo já tinha ganho esta temporada o Grande Prémio d´Isbergues e em 2018 foi segundo no Tour de Flandres, atrás de Niki Terpstra. Sem esquecer que em 2013 foi medalha de prata nos Campeonatos do Mundo em júniores, atrás de Mathieu Van der Poel. Veremos se em 2020 Mads Pedersen se vai destacar em definitivo, ou se, pelo contrário, a "maldição" da camisola arco-íris é uma herança demasiado pesada.