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13 velocidades e sem corrente. Será que dá para usar em BTT?

A CeramicSpeed desenvolveu uma transmissão completamente alternativa, o sistema Driven.
Redação www.Mountainbikes.pt -
13 velocidades e sem corrente. Será que dá para usar em BTT?
13 velocidades e sem corrente. Será que dá para usar em BTT?

A CeramicSpeed é uma marca conhecida no mundo dos rolamentos e roldanas de desviador. O seu objetivo é reduzir a fricção o mais possível na transmissão da bicicleta e o material cerâmico é o seu grande aliado. Concretamente o nitreto de silício, a cerâmica mais usada na alta precisão.  

Agora a marca pretende revolucionar as transmissões ao lançar o Driven, um conceito que não utiliza a tradicional corrente.  

13 velocidades y sin cadena, ¿es posible en Mountain Bike?

As bicicletas atuais são bastante evoluídas, com tecnologias e materiais de origem aeroespacial, eletrónica, pesos muito baixos... mas continua a utilizar um sistema de transmissão baseado numa corrente que altera a desmultiplicação graças a desviadores e manetes que a empurram para cima e para baixo. 

A CeramicSpeed propõe marcar um ponto final neste conceito. Porquê? Basicamente porque o sistema baseado na corrente dilui parte da energia que o ciclista injeta nos pedais, devido à grande quantidade de peças envolvidas numa corrente (cerca de 400, entre elos e links que se movem em zig-zag constante, e ainda mais quando se trata de situações com pó ou lama, como acontece no BTT, com cruzamentos de corrente a toda a hora). O sistema Driven altera este paradigma através de um sistema de rolos, que são basicamente 21 rolamentos cerâmicos de baixa fricção, que engrenam sobre os dentes das cremalheiras e dos carretos cuja forma não é a que conhecemos tradicionalmente, mas sim mais simples estruturalmente. 

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O braço da transmissão é no fundo um tubo de carbono colocado entre a cremalheira e os carretos, através do qual se move o eixo longitudinalmente: para trás para engrenar os carretos mais pequenos, ou para a frente para engrenar os carretos grandes. O seu movimento realiza-se através de um motor elétrico alojado junto ao eixo da transmissão, incluindo a bateria e uma central Wireless que se coneta ao comando no guiador. 

Apenas 1%

Tudo isto parece um pouco complexo, mas segundo a CeramicSpeed, a transmissão fica mais simples, por ter menos peças e é capaz de aumentar a eficácia até 99%. Ou seja, apenas 1% da energia que transmitimos aos cranques seria perdida devido à fricção da transmissão. Segundo os dados da marca, com uma potência constante de 250 W, o sistema Driven cria 49% menos fricção do que uma transmissão Shimano Dura Ace.

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E não serve apenas para reduzir a fricção. Uma das vantagens é que o seu peso total supostamente é inferior ao de uma transmissão convencional ao eliminar a corrente e o desviador. E embora possua um eixo de transmissão mais elaborado, a cassete também é mais leve devido à sua simplicidade. A marca também refere que é mais aerodinâmico, por todos os carretos estarem em linha e não escalonados, como acontece nas cassetes normais. Supostamente seria muito fácil acrescentar carretos extra aos 13 que traz o sistema. 

E para BTT?

A ideia, que por enquanto está apenas na fase de "conceito" (um protótipo), está focado no mundo das bicicletas de estrada, especialmente de triatlo ou contrarrelógio pela série de vantagens aerodinâmicas que proporciona. Transferi-lo para uma BTT não é propriamente fácil, especialmente pelo deslocamento do braço do eixo, que estaría no lugar da escora, o que faz com que seja praticamente incompatível com todos os sistemas de suspensão total. Numa bicicleta de suspensão total, o eixo da roda traseira está em constante movimento face ao eixo pedaleiro (excepto se este se esticar e encolher de forma paralela ao triângulo traseiro da bicicleta e de forma muito precisa, algo à priori muito difícil. 

Em bicicletas com quadro rígido pode ter cabimento, embora se tenha de demonstrar que o braço da transmissão, na sua união ao quadro, resiste às investidas do terreno e não flete nem vibra em excesso, o que faria com que as engrenagens não funcionassem na perfeição. E pior ainda nos dias que correm, pois os quadros costumam incluir sistemas de flexão traseira controlada para aumentar o conforto e a tração. O quadro teria de estar desenhado exclusivamente para esta transmissão, com a escora direita elevada e com uma ancoragem para o braço do eixo. Por último, teria de demonstrar que as condições difíceis do BTT, com lama, água, areia, pó durante horas não afetam a precisão do seu sistema baseado em rolamentos, embora tal como refere a marca, esta seria sem dúvida, uma vantagem face a uma transmissão com corrente.  

Será que chegaremos a ver este sistema implementado? O repto da CeramicSpeed não é nada fácil, mas não restam dúvidas de que se abre uma janela de oportunidade na indústria para estudar um sistema que pode revolucionar o mercado. Resta esperar e ver o que o futuro nos reserva. 

 

 

 

 

 

 

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